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Reaproveitamento de materiais hospitalares
 
 
Hospital Português da Bahia não reprocessa materiais de uso único
 
 

Uma infecção grave como hepatite B, HIV ou mesmo a morte são conseqüências que podem atingir pacientes que tenham sido submetidos ao uso de materiais hospitalares reaproveitados, prática de muitas instituições brasileiras que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária pretende controlar com a Resolução 2.606, publicada em agosto de 2006. A medida – cujo prazo para adeqüação foi prorrogado por mais 180 dias, a partir do dia 8 de agosto - proíbe a reutilização de 66 produtos, a exemplo de seringas, agulhas, bisturis e bolsas de sangue.

Segundo Ivana Ramos Meire de Souza, coordenadora da Central de Material Esterilizado do Hospital Português – instituição que não reprocessa qualquer material de uso único - utensílios como catéteres muito longos ou muito estreitos, com menos de dois milímetros, não permitem o reprocessamento, pois a sua limpeza e, em conseqüência, a segurança do seu contato com o paciente durante os procedimentos médicos estão comprometidas.

“Além da sujeira, as soluções e os agentes esterilizantes desses materiais reprocessados podem interagir com o paciente, pois sempre fica algum resíduo do produto utilizado para limpeza. A substância também pode contaminar a medicação que corra por este material. Nós não temos como aferir com segurança o resíduo que fica no material.  Todo utensílio descartável é poroso, como o plástico, e absorve tanto o óxido de etileno como o peróxido de hidrogênio (gases usados na esterilização)”, esclarece Ivana Ramos Meire de Souza.

A coordenadora observa que a esterilização é 100% eficiente no caso de materiais metálicos que não absorvem substâncias. Mas os catéteres são feitos de plástico polipropileno. “O fornecedor não garante o reprocessamento do material liberado para uso único porque ele pode estragar. Além da qualidade não ser a mesma, ele pode não ser corretamente limpo. O risco é a contaminação e também a funcionalidade do item. Vários microorganismos podem estar colonizando, desde os transmitidos via sanguínea ou os agentes bacterianos se um ítem não for corretamente processado”, complementa a médica Ledívia Espinheira, infectologista e Coordenadora do Núcleo de Qualidade do Hospital Português.

A especialista informa que existem indicadores biológicos, químicos e físicos que garantem a qualidade do material. “Temos fitas com as quais testamos uma bactéria conhecida e vemos se ela se desenvolve. Se não, o processo de esterilização foi eficiente. Então, temos formas de controlar, de  garantir a eficácia do processo. O problema é que alguns materiais não permitem isso porque são porosos ou de luz muito estreita. A medida garante a segurança do paciente, que estaria utilizando materiais que poderiam causar infecções severas e para a instituição, que realiza processos com segurança”.

 

 
         
 
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