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Hospital Português supera marca de 50 transplantes de fígado
 
 
Sistema deficiente para captação de órgãos impede que números sejam ainda maiores
 
 
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O Hospital Português da Bahia atingiu a marca recorde de 54 transplantes de fígado com uma taxa de sobrevida de 70% - o que equipara a Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia (UGH) da instituição aos principais centros transplantadores do país. Em 2007, o número de transplantes de fígado realizados pela UGH aumentou devido ao acréscimo da quantidade de órgãos disponíveis para o procedimento. Segundo o coordenador da Unidade, Paulo Lisboa, somente em 2007 foram realizados 14 transplantes, um recorde.

Com sua estrutura, a UGH do Hospital Português - em funcionamento desde 2001 - poderia realizar ainda mais procedimentos, com o mesmo padrão de qualidade, não fosse a deficiência das infra-estruturas nacional e local de captação de órgãos. O Brasil tem, hoje, o maior programa público de transplantes do mundo: 98% dos procedimentos são feitos pelo SUS.

Estima-se que, no Brasil, mais de 40% dos sete mil pacientes que precisam de fígado morrerão na fila de espera. “Nossa equipe está completamente montada, a estrutura do hospital está adequadamente preparada para este procedimento. Recentemente, tivemos três transplantes no período de uma semana, um recorde. E tudo correu muito bem”, relata o cirurgião Jorge Bastos, coordenador da equipe de transplantes de fígado do Hospital Português.

Uma das instituições pioneiras, no Nordeste, na realização do transplante de fígado sem bomba de circulação extra-corpórea (coração artificial), o Hospital Português também foi uma das primeiras instituições na utilização dos imunosupressores de última geração e no uso da técnica de retirada progressiva desses medicamentos. Com esta técnica, ao longo do tempo, o paciente passa a usar a monoterapia, ou seja, toma apenas um remédio para combater a rejeição.

O aposentado Alberto Tourinho, 67 - paciente que recebeu o órgão de número 50, em julho, engrossa a estatística dos transplantes bem-sucedidos que colocam a UGH como referência nacional na área. O fígado recebido por ele foi doado pela família do diácono Sérgio Fontes, vítima de trauma craniano que evoluiu para morte encefálica. “Doar é salvar vidas. Estamos muito engajados para que isto se perpetue. Quem ainda está na fila, não desista. Confie que dá certo”, estimula Tourinho, que estava na fila de espera havia dois anos.

 
         
 
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