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Cápsula endoscópica: uma viagem pelo intestino delgado
 
 
Procedimento permite melhor visão do intestino delgado
 
 

Imagine o corpo humano sendo transitado pelas suas entranhas, por um caminho de difícil acesso, durante oito horas, sem que haja nenhum desconforto. Esta cena parece tirada de um filme de ficção científica: um paciente engole uma cápsula acoplada a uma vídeo-microcâmera (do tamanho de um comprimido de vitaminas) e o artefato inicia sua viagem pelo aparelho digestivo. Até o destino final, quando é eliminada naturalmente pelo organismo, a cápsula terá registrado aproximadamente 55.000 fotos de vários órgãos - faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso.

Apesar de percorrer todo o sistema digestivo, o objetivo principal da cápsula é o intestino delgado. O intestino delgado (constituído por duodeno, jejuno e íleo), sempre foi uma área do aparelho digestivo de difícil acesso através dos exames endoscópicos, devido à sua localização anatômica, distante da cavidade oral e do orifício anal. Baseados na tecnologia militar de mísseis teleguiados, na década de 1990, cientistas israelenses começaram a desenvolver um dispositivo que era capaz de gerar imagens por meio de uma microcâmera e que, por telemetria, eram captadas à distância.

Vários estudos foram desenvolvidos até que, no final de 1998, o sonho se transformou em realidade quando uma equipe internacional, encabeçada por Dr. Paul Swain, realizou os primeiros exames com o protótipo da cápsula em animais. O percurso do dispositivo dura oito horas, que é o tempo médio da digestão. As imagens são transmitidas por ondas de radiofreqüência para microrreceptores acoplados ao corpo do paciente, que, por sua vez, as enviam para um microprocessador.

As imagens vistas na tela do computador são nítidas e ricas em detalhes, é como se elas transportassem o médico para uma viagem pelo tubo digestivo. É assim que funciona o exame da cápsula endoscópica, uma verdadeira aventura que se passa dentro do maior órgão do aparelho digestivo, o intestino delgado. Para a realização do Exame da Cápsula Endoscópica não é necessário internação ou uso de sedativos. O procedimento é completamente indolor e permite realizar atividades normais do dia-a-dia. Com um simples jejum de oito horas e algumas res restrições alimentares no dia anterior, inicia-se o exame com a colagem de eletrodos na parede abdominal conectados a um microcomputador (recorder), que grava as imagens.

A partir daí, com um simples copo d´água, o paciente ingere a cápsula que passa a fotografar duas fotos por segundo chegando a gerar entre 54 mil e 56 mil fotos ao final do exame. Os elétrodos e o cinturão contendo o microcomputador com as imagens captadas são retirados cerca de oito horas depois do início do procedimento.

As imagens serão, então, processadas numa Workstation (sistema de computador que recebe o download do recorder e processa as imagens) que transformará as imagens captadas num vídeo gerando fotos de alta definição, vídeos digitais e filmes. A cápsula é totalmente descartável, sendo eliminada naturalmente pelo paciente, em média, nas primeiras 24 horas.

A cápsula endoscópica visa estudar as doenças do intestino delgado que são de difícil análise pelos métodos tradicionais. A melhor aplicação da cápsula é no diagnóstico do sangramento digestivo de origem obscura. É importante lembrar, sempre, que este fantástico método não substitui os exames convencionais de Endoscopia ou a Colonoscopia. Seu objetivo é detalhar possíveis patologias do intestino delgado.

A Endoscopia Digestiva consegue rastrear com precisão a parte superior do aparelho digestivo e a Colonoscopia coleta informações do intestino grosso e íleo terminal. Os métodos endoscópicos (enteroscopias) utilizados para a investigação do intestino delgado esbarraram na dificuldade técnica apresentada pelo grande comprimento do delgado, além da configuração anatômica pe peculiar, o que significou fatores limitantes para a realização desses métodos.

 
         
 
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