Hospital  
 
   
Distúrbios respiratórios do sono podem comprometer o sistema cardiovascular
 
 
I Fórum Brasileiro em Sono e Coração acontece no Auditório Adélia Carvalho, do Centro Médico Hospital Português, nos dias 30 e 31 de outubro
 
 
Clique na imagem para versão em alta resolução:

Quando o assunto são problemas do coração, as formas de evitá-los e suas conseqüências, a população, de modo geral, conhece bem o assunto. Da mesma forma acontece quanto aos distúrbios do sono, pois já se sabe que dormir bem é fundamental para o perfeito funcionamento do organismo ao longo do dia. Agora, a associação entre ambos é recente e trata do impacto dos problemas relacionados ao sono no sistema cardiovascular de cada indivíduo. Estudiosos já dão conta de que os distúrbios respiratórios do sono,  caracterizados por roncos, apnéias e hipopnéias, representam um sério problema de saúde, muito freqüente na população, com repercussões negativas na oxigenação do sangue e na resistência vascular, comprometendo todo o sistema cardiovascular.

Novidade na área médica, tal relação será tema do 1o Forum Brasileiro em Sono e Coração, que acontece nos dias 30 e 31 de outubro, no Auditório Adélia Carvalho - Centro Médico Hospital Português, e reunirá especialistas de ambas as áreas, com destaque para o Dr. Geraldo Lorenzi Filho, pneumologista e Diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo (INCOR) e para a Dra. Lia Rita A. Bittencourt, pneumologista e coordenadora do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Organizado pelo Coordenador do Laboratório do Sono do Hospital Português, Dr. Francisco Hora e pelo cardiologista Dr. Maurício Nunes, o evento vai discutir assuntos que ainda são desconhecidos da maioria da população, mas que têm reflexos diretos na sua qualidade de vida. "Este é o primeiro evento no gênero a ser realizado no Brasil. Até então, só tinha ocorrido nos Estados Unidos", ressalta Dr. Francisco Hora, que vai proferir a palestra O espectro clínico dos distúrbios respiratórios do sono.

A co-morbidade dos distúrbios respiratórios do sono e, em particular, da Síndrome de Apnéia-Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS) e Doença Cardiovascular já está bem definida, observa Dr. Francisco. Ele afirma que estudos epidemiológicos demonstraram a evidência da associação entre SAHOS e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Em 2001, um estudo chamado Sleep Heart Health analisou 6.132 pessoas e revelou uma forte associação entre as duas condições, demonstrando aumento da prevalência de HAS com o aumento do Índice de Apnéia e Hipopnéia (IAH). Já no estudo Wisconsin Sleep Cohort (2000), realizado em 1.069 indivíduos, consta constatou-se um aumento linear significativo da pressão arterial diurna com o aumento da IAH.

Entre as evidências, podem ser listados fatos como: a SAHOS causa estresse cardiovascular prolongado, determinando aumento da pressão arterial diurna e noturna; cerca de 60% dos pacientes com a SAHOS são hipertensos; cerca de 40% dos pacientes com HAS têm a SAHOS; cerca de 80% dos pacientes com HAS, resistentes ao tratamento, são portadores de SAHOS; o tratamento efetivo da SAHOS contribui de forma significativa para o controle da HAS.

Também já está definida a relação entre SAHOS e Doença Arterial Coronariana (DAC). Segundo relata Dr. Francisco Hora, a Síndrome de Apnéia-Hipopnéia Obstrutiva do Sono é considerada fator de risco independente para Doença Arterial Coronariana, acordo com o estudo Sleep Heart Health. "As manifestações clínicas são variadas, desde o despertar com dor anginosa até quadros de isquemia silenciosa em portadores de SAHOS. Alterações noturnas de segmento ST consistentes com isquemia miocárdica são comuns em apnéicos com DAC", detalha. Dentre as evidências encontradas, estão o fato de que 30% dos pacientes com DAC têm SAHOS; o tratamento efetivo da SAHOS em pacientes com DAC está associado à diminuição na ocorrência de novos eventos cardiovasculares.

Outro aspecto utilizado para comprovar a associação entre sono e doença cardíaca é a relação entre SAHOS e Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Neste caso, adianta Dr. Francisco, vários estudos têm demonstrado importante co-relação entre ambas. No estudo Sleep Heart Health, constatouse que, em pacientes apnéicos com Índice de Apnéia-Hipopnéia (IAH) acima de 11, o risco para o desenvolvimento de ICC foi de 2,38. "Estudos com ecocardiografia demonstraram disfunção tanto diastólica quanto sistólica com o aumento do IAH". Seguem- se as evidências: cerca de 50% dos pacientes com ICC têm SAHOS; a SAHOS está presente nas ICC de moderada a severa intensidades e contribui para o aumento da mortalidade e o tratamento efetivo da SAHOS, melhorando a fração de ejeção do ventrículo esquerdo.

Por fim, existe a relação entre SAHOS e Fibrilação Atrial (FA). Os portadores de SAHOS são particularmente susceptíveis à ocorrência de arritmias noturnas em decorrência, sobretudo, dos eventos de dessaturação da oxihemoglobina e da estimulação adrenérgica resultante dos eventos apnéicos. "São evidências: cerca de 50% dos pacientes com Fibrilação Atrial têm SAHOS e pacientes com FA, em tratamento efetivo, têm menor risco de novos episódios de FA". Segundo dados da National Sleep Foundation, organização amerciana voltada para o estudo do sono, ainda não está claro se a Apnéia realmente causa doenças cardíacas, mas já se sabe que, se o indivíduo é apnéico, as chances de desenvolver hipertensão futuramente crescem significativamente. Também é sabido que, entre os portadores de determinados problemas cardiovasculares, existe uma prevalência alta de Apnéia do Sono.

Laboratório do Sono do Hospital Português é referência

Serviço padrão dentro das recomendações técnicas da Sociedade Brasileira do Sono e pioneiro no Norte/ Nordeste do Brasil, o Laboratório do Sono do Hospital Português já contabiliza mais de 7 mil pacientes avaliados. Estruturado com oito leitos individualizados e equipamentos de última geração para a realização de Polissonografias, é um dos melhores centros de diagnóstico dos distúrbios do sono do país.

Cada uma das oito suítes do Laboratório do Sono possui isolamento acústico, aparelho de TV, ar condicionado e cama estilo americano. Uma das suítes foi especialmente projetada para pacientes obesos, grandes candidatos a esses distúrbios. Localizado no 5º andar do Hospital Português, é a maior estrutura disponível na Bahia para o diagnóstico dos distúrbios do sono. Atualmente, o Laboratório realiza uma média de 48 exames por semana, perfazendo o total de 192 procedimentos mensais.

Polissonografia

O sono influencia as condições física, psicológica e social das pessoas. A queixa mais freqüente entre os portadores de distúrbios do sono é a insônia mas, dentre os 84 principais distúrbios catalogados, o de maior repercussão sobre a vida laborativa e social das pessoas é a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS). Muito comum em homens, particularmente acima dos 30 anos, a doença apresenta como sinais mais freqüentes o ronco, episódios de sufocamento durante o sono e sonolência diurna excessiva.

Esses e outros distúrbios podem ser diagnosticados através da Polissonografia, exame que consiste em avaliar o paciente à noite, durante o sono, com a realização simultânea de eletroencefalograma, oximetria (verificação da oxigenação sanguínea), eletrocardiograma e avaliação da respiração, movimentos corporais, ronco e tônus muscular. No caso das crianças, que têm facilidade para dormir, o exame pode ser realizado durante o dia.

Fontes: Dr. Francisco Hora, coordenador do Laboratório do Sono do Hospital Português e Dr. Maurício Nunes, responsável pela Unidade Pós-cardiáca do Hospital Português.

 

 
         
 
© Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro