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Anti-Inflamatórios e Doença Ulcerosa Péptica
 
   
Anti-Inflamatórios e Doença Ulcerosa Péptica
 
 
Os anti-inflamatórios não hormonais (AINH) e a aspirina são drogas amplamente prescritas para tratamento de osteoartrite e artrite reumatóide, assim como também para profilaxia e tratamento de eventos coronarianos e vasculares cerebrais isquêmicos.
 
 

Os principais efeitos adversos destes agentes são as complicações gastrointestinais secundárias a doença ulcerosa péptica (DUP). Acredita-se que aproximadamente 15%-20% dos pacientes em uso crônico de AINH possam apresentar DUP, observando-se risco relativo 3 a 5 vezes maior de complicações como perfuração e sangramento neste grupo de pacientes. No entanto, o risco absoluto destas complicações é baixo. Estima-se que a freqüência de hospitalização por DUP, por sangramento e perfuração de úlcera seja, respectivamente, de 17, 5 e 2 casos por 1.000 pessoas ano entre usuários de AINH. Essas complicações tendem a ser mais freqüentes ou mais graves em: 1) idosos, 2) usuários de corticosteróides e anticoagulantes, 3) pacientes com antecedentes de DUP e 4) indivíduos com doenças sistêmicas co-mórbidas.

A ação lesiva destes agentes sobre mucosa gastroduodenal é decorrente da diminuição da síntese local de prostaglandinas secundária à inibição da ciclo-oxigenase 1 (COX-1). A redução conseqüente na produção de prostaglandinas diminui o fluxo sangüíneo mucoso e a síntese de muco e bicarbonato (que atuam em conjunto na proteção da mucosa contra o ácido clorídrico). Novos agentes anti-inflamatórios tipo rofecoxib e celecoxib atuam sobre a ciclo-oxigenase 2 (COX-2) e apresentam um perfil de segurança maior em relação a eventos gastrointestinais, quando comparados aos inibidores da COX-1.

Duas estratégias principais vêm sendo empregadas para a profilaxia e tratamento das lesões gastrointestinais induzidas por AINH: 1) supressão da secreção ácida com uso de bloqueadores H2 e inibidores de bomba protônica (IBP) e 2) aumento da barreira de proteção mucosa com o uso do misoprostol.

O uso de IBP tem se mostrado eficaz na prevenção de DUP em usuários de AINH, sendo seu efeito superior àquele observado com os bloqueadores H2 em doses convencionais. Os resultados com o uso de misoprostol na prevenção de DUP e suas complicações é semelhante ao encontrado com os IBP. No entanto, efeitos adversos, como diarréia e dor abdominal, são mais freqüentes com emprego de misoprostol. Por outro lado, existem maiores evidências na literatura da eficácia dos IBP na cicatrização e prevenção de recorrência de úlceras em pacientes fazendo uso continuado de AINH.

Muito embora os IBP e o misoprostol sejam eficazes na prevenção da DUP, seu uso deve ser recomendado apenas em pacientes em uso de AINH ou aspirina que apresentem fatores de risco para desenvolvimento de DUP e suas complicações (vide acima). Nestes pacientes deve ser reavaliada a razão de risco/benefício no uso destes agentes e o emprego alternativo de inibidores da COX-2.

O uso profilático de IBP ou de misoprostol deve ser considerado naqueles indivíduos pertencentes a grupo de risco em uso de aspirina ou AINH inibidores da COX-1 e mesmo em usuários de inibidores da COX-2 com fatores de risco importantes, como história prévia de DUP.

A erradicação profilática do Helicobacter pylori em usuários de AINH permanece controversa e não pode ser atualmente recomendada.

*Dr. Paulo L. Bittencourt é Coordenador da Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Português da Bahia.

 
         
 
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