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Cavalcanti AR, Soares MA, Cunha MS, Zollinger CC, Alves ES, Studart
E, Dutra MMD, Souza DG, Cordeiro RN & Bittencourt PL
Unidade de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Português de
Salvador, Bahia.
Fundamento: Esplenomegalia é observada em cerca de 4% a
13% dos pacientes com amiloidose AL, associada ao mieloma múltiplo, sendo a
rotura esplênica espontânea considerada uma complicação rara das amiloidoses
sistêmicas, tendo sido descrita até o momento apenas na amiloidose AL e na
amiloidose associada à b2-microglobulina.
Objetivo: Descrever o primeiro caso da literatura de
rotura esplênica espontânea associada a amiloidose AA.
Relato de Caso: Paciente feminina de 63 anos, com
antecedentes de asma brônquica e hipotiroidismo, foi admitida na Unidade de
Nefrologia do Hospital Português em outubro de 2001 devido a anasarca
secundária à síndrome nefrótica. Foi submetida à biópsia renal e à biópsia
de um nódulo pulmonar, descoberto ao Rx de tórax, que revelaram,
respectivamente, amiloidose renal e pulmonar. A ultrasonografia abdominal e
ecocardiografia demonstraram, por outro lado, hepatoesplenomegalia e sinais
de amiloidose cardíaca. A paciente foi tratada com ciclofosfamida, mas
apresentou perda progressiva da função renal, necessitando de hemodiálise em
novembro de 2002. Três meses após, foi hospitalizada por quadro de abdômen
agudo e choque hipovolêmico. A tomografia abdominal revelou presença de
hematoma esplênico e hemoperitoneo. Ela foi submetida a laparotomia e
esplenectomia por rotura esplênica espontânea. O exame da peça cirúrgica
revelou presença maçica de depósitos amilóides, sendo confirmada amiloidose
AA por imunohistoquímica.
Conclusões: Rotura esplênica espontânea pode ocorrer
como uma complicação rara da amiloidose AA e deve ser considerada no
diagnóstico diferencial de abdômen agudo em portadores desta forma
secundária de amiloidose sistêmica.
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