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Este programa tem como objetivo detectar interações e reações
adversas a medicamentos, identificando seus riscos e tomando medidas
reguladoras, além de informar aos profissionais de saúde e ao público em
geral. A farmacovigilância é, assim, um sistema através do qual são
identificadas e respondidas questões relativas à segurança dos medicamentos
comercializados.
Projeto-piloto
A iniciativa partiu da Comissão de Farmácia e Terapêutica, criada em
novembro do ano passado, e tem como passo inicial a implantação de um
projeto-piloto em uma unidade de internação e em uma unidade fechada.
Através desse projeto-piloto, serão avaliados a metodologia de notificação
espontânea, as fichas de notificação e o esquema de coleta e tratamento dos
dados. Todos os dias, um dos membros da equipe de farmacovigilância passará
nas unidades e recolherá as fichas preenchidas por médicos, enfermeiros e
farmacêuticos com informações sobre as reações indesejadas manifestadas após
o uso de medicamentos.
Validada a queixa, os resultados serão inseridos em um banco de dados e
posteriormente analisados estatisticamente. A partir da análise dessas
informações, será encaminhado um relatório para a Comissão de Farmácia e
Terapêutica contendo o perfil epidemiológico dos medicamentos citados. A
Comissão será responsável por avaliar a relação risco/benefício e a
permanência ou não do medicamento na lista daqueles utilizados pela
Instituição.
Também estará atenta aos efeitos produzidos por medicamentos e pelas
interações medicamentosas, já que quando as drogas interagem, surgem novos
efeitos colaterais. "É importante monitorar os efeitos, relacioná-los com os
parâmetros da normalidade e observar se estão compatíveis com a literatura
existente", afirma Dr. Augusto Farias, Presidente da Comissão de Farmácia e
Terapêutica do Hospital Português.
A intenção é que, posteriormente, o programa atenda a todas as unidades
do Hospital Português, atuando de forma integrada ao sistema de gestão
TrakCare (sistema que está sendo implantado para integrar todos os setores
do Hospital empregando tecnologia de ponta para assegurar a excelência no
atendimento ao cliente). Essa interação torna possível o lançamento das
informações diretamente no sistema, possibilitando um acesso rápido dos
profissionais de saúde ao conteúdo armazenado. É uma notificação direta e
informatizada que substituirá os formulários utilizados no plano-piloto,
facilitando a prescrição e garantindo maior rapidez e segurança.
Futuro
Uma outra perspectiva para o futuro é a implantação de uma espécie de
mecanismo de alerta emitido pelo sistema quando o medicamento prescrito pelo
médico oferecer risco ao paciente. Assim, torna-se possível a consulta do
histórico do medicamento e dos efeitos adversos já causados por ele, o que
contribui para uma troca constante de informações e para a garantia da
eficiência.
Com a estruturação da farmacovigilância, o Hospital reafirma o seu
compromisso com a qualidade do atendimento e ganha inclusive a possibilidade
de se tornar Hospital Sentinela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), funcionando como fonte de informação e monitorando os medicamentos
utilizados pela população .
Pesquisa
No mês de fevereiro um estudo realizado pela Wellpoint Inc, seguradora de
saúde privada dos Estados Unidos, causou grande polêmica entre a classe
médica e a população em geral. A pesquisa mostrou o aumento das
possibilidades de risco de acidentes cardiovasculares com o uso de alguns
antiinflamatórios. Os resultados indicaram que o Bextra aumenta os riscos
cardíacos em 53%, o Vioxx em 23% e o Celebra em 19%. Esse caso coloca em
evidência a importância da vigilância constante da qualidade e segurança dos
medicamentos colocados no mercado e utilizados pela população.
Para se manter sempre atualizado e de acordo com os parâmetros nacionais,
o Hospital Português mantém contato permanente com a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), que emite periodicamente listas das drogas
liberadas ou não recomendadas. Esse procedimento é fundamental para evitar a
comercialização e o consumo de medicamentos cassados ou suspeitos, como o
caso acima citado.
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