Dr. Luiz Magalhães*
O primeiro grupo corresponde à taquiarritmia (taquicardia supraventricular e ventricular) e o segundo à bradiarritmia (disfunção do nó sinusal, bloqueio átrio-ventriculares). O aumento da freqüência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto é chamado de taquicardia. Todavia, nem toda taquicardia é sinônimo de arritmia, pois pode ser um fenômeno absolutamente normal como, por exemplo, quando se faz exercício.
A eletrofisiologia - especialidade da cardiologia que trata dos distúrbios do ritmo do coração - e a estimulação cardíaca artificial apresentaram enorme progresso nos últimos anos sendo hoje importante foco de atenção e interesse pelo leque de opções terapêuticas que disponibilizam, proporcionando correção de bradiarritmias através do implante de marcapassos definitivos e tratamento das taquicardias com ablação por cateter.
A maioria das taquicardias supraventriculares são passíveis de cura, entre as quais taquicardia atrial, taquicardia nodal, síndrome de pré-excitação ventricular (Síndrome de Wolff-Parkinson-White). Algumas taquicardias ventriculares também podem ser tratadas através da ablação, como é o caso da taquicardia ventricular idiopática, sem doença cardíaca. Através de cateteres, introduzidos em veias ou artérias das pernas, posicionados em diferentes pontos do coração e ligados a computadores especiais, pode-se estudar todo seu sistema elétrico. Este mapeamento, conhecido como estudo eletrofisiológico, permite diagnosticar os distúrbios que provocam tanto a diminuição (bradicardia) quanto o aumento (taquicardia) anormal dos batimentos cardíacos.
Também através de cateteres especiais, é possível tratar vários problemas elétricos do coração, sem maiores traumas para os pacientes. Esta técnica é denominada de ablação por cateter, um procedimento inovador para tratamento definitivo de alguns tipos de arritmias cardíacas sem necessidade de cirurgia convencional, reduzindo a zero os procedimentos cirúrgicos anteriormente empregados e com retorno do paciente às atividades habituais em até 48 horas. Em todo o mundo, milhares de pessoas que apresentavam taquicardias e eram freqüentemente atendidas e internadas em hospitais, ou até mesmo determinando morte súbita, puderam ser curadas definitivamente, voltando a ter uma vida social e produtiva normais.
A maioria das taquicardias ventriculares estão associadas à cardiopatia, principalmente após infarto do miocárdio, quando a ablação tem espaço como tratamento adjuvante. Estas arritmias impossíveis de serem tratadas e com risco de morte súbita, passaram a ser abordadas através de aparelhos miniaturizados, implantáveis sob a pele, que reconhecem a aceleração potencialmente fatal do coração e disparam, internamente no órgão, choque na baixa intensidade que a interrompe, evitando a síncope ou a morte do paciente (cardioversores-desfibriladores implantáveis - CDI)
Portanto, os distúrbios de ritmo cardíaco podem ser atualmente avaliados e tratados através de diversos procedimentos não invasivos e invasivos, empregados após criteriosa análise clínica do paciente:
- Holter 24h, Teste de Inclinação (Tilt-test)
- Eletrofisiologia e Ablação por Cateter
- Marcapassos e Desfibriladores Cardíacos Implantáveis
* Dr. Luiz Magalhães é Cardiologista e Coordenador do Serviço de Arritmia e Eletrofisiologia do Hospital Português.
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