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O Câncer Colo-retal (CCR) é a 3ª neoplasia maligna mais
letal no Brasil e no mundo. Infelizmente, apenas 40% dessas
lesões é diagnosticada e tratada em estágio localizado.
Essas neoplasias planas e, às vezes deprimidas, são
detectadas, em estágio precoce pelos colonoscopistas
japoneses, com muita freqüência. A grande habilidade dos
especialistas nipônicos no uso da cromoendoscopia e dos
colonoscópios de magnificação de imagens (CM), associada com
uma experiência de mais de 20 anos, faz do Japão a pátria
dessas lesões colônicas planas e deprimidas.
No entanto, essas patologias estão sendo reconhecidas, com
cada vez mais freqüência, em outros países ocidentais,
principalmente por especialistas que freqüentaram os serviços
japoneses.
Assim, a possibilidade de que tais lesões não sejam
facilmente detectadas na CC e, portanto, não ressecadas
endoscopicamente durante exames de rastreamento, vem merecendo
crescente atenção dos endoscopistas no Ocidente.
O motivo para essa preocupação resulta da prevalência de
displasia de grau elevado nessas lesões, significativamente
maior àquela observada em lesões protrusas do mesmo
tamanho.
Desse modo, quero chamar a atenção dos nossos
colonoscopistas que durante muitos anos preocuparam-se
"apenas" em diagnosticar e ressecar pólipos protrusos. Na
realidade, eles devem ter deixado de diagnosticar e prevenir
cerca de 30% dos carcinomas que se originam em lesões planas,
principalmente as deprimidas.
Os endoscópios com magnificação de imagem permitem, com o
auxílio de um sistema óptico (lentes), ampliar a imagem obtida
pelo videoendoscópio em 35 a 170 vezes.
Assim sendo, a CM associada a cromoendoscopia vem sendo
empregadas para incrementar o diagnóstico de lesões planas,
diminuir a ocorrência da não detecção de lesões diminutas e
prever com acurácia a histologia neoplásica e não neoplásica
das lesões. A CM permite, ainda, a avaliação do grau de
invasão da parede intestinal dos adenocarcinomas.
Estou convencido da necessidade de os colonoscopistas
brasileiros aperfeiçoarem-se com esta "nova" abordagem
endoscópica.
Além disso, estudos prospectivos em grandes centros podem e
devem ser realizados para que possamos conhecer qual é a
realidade brasileira relacionada às neoplasias planas e
deprimidas.
*João Elias Calache, Professor do Departamento
de Gastroenterologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo da
Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo
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