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Artigo Científico: Arritmia Cardíaca/ Fev 2005
         
 
   
Artigo Científico: Arritmia Cardíaca/ Fev 2005
01/02/2005
 
 
Arritmia cardíaca corresponde a qualquer alteração da cadência normal rítmica do coração. A Eletrofisiologia é a especialidade da Cardiologia que trata dos distúrbios do ritmo do coração, utilizando-se de cateteres que são introduzidos em veias ou artérias dos membros inferiores, posicionados em diferentes pontos do coração e ligados a computadores especiais para estudar o sistema elétrico.
 
 

Este mapeamento permite diagnosticar as arritmias, seus mecanismos e locais. A ablação por cateter é o procedimento indicado para o tratamento definitivo de alguns tipos de arritmias cardíacas sem necessidade de cirurgia convencional, com retorno do paciente às atividades habituais em até 48 horas. A maioria das taquicardias supraventriculares são passíveis de cura. As taquicardias ventriculares estão geralmente associadas a cardiopatia, principalmente após enfarto do miocárdio, quando a ablação tem espaço apenas como tratamento adjuvante. As taquicardias ventriculares idiopáticas (sem doença cardíaca estrutural) podem ser curadas através da ablação.

Por outro lado, a arritmia cardíaca mais freqüente em consultórios e emergências médicas é a Fibrilação Atrial (FA). A prevalência da FA aumenta com a idade e com presença de doenças como hipertensão arterial, diabetes, tireoidopatia, insuficiência cardíaca e doenças nas válvulas cardíacas. A FA não é considerada uma arritmia benigna, visto que pode estar relacionada a eventos de embolia arterial e piora da função cardíaca.

O tratamento mais preconizado ainda é o uso de medicações anti-arrítmicas, no intuito de evitar ou reduzir a recorrência da arritmia. A cirurgia cardíaca associada ao tratamento da FA (isolamento das veias pulmonares) pode ser realizada em portadores de doenças das válvulas cardíacas.

Nos últimos anos, a partir de novos conceitos da origem da FA, que é relacionada às veias pulmonares em aproximadamente 90% dos casos, pode-se avançar no tratamento através da ablação por cateter. É possível, em casos selecionados de pacientes portadores de FA refratários ao uso de anti-arrítmicos (entre os quais a amiodarona), realizar o isolamento elétrico destas estruturas vasculares (veias pulmonares) na cavidade atrial esquerda.

Trata-se de procedimento de ablação mais complexo, de maior duração (em média 4 horas), e cuidados mais específicos, mas que pode trazer controle definitivo ou parcial da Fibrilação Atrial. A ablação por cateter circunferencial (também com desconexão das veias pulmonares) já foi realizada em dezembro de 2004 no Hospital Português. Com o aperfeiçoamento constante da técnica de ablação, espera-se que o tratamento híbrido da FA, incluindo também a medicação anti-arrítmica e até o marcapasso, possa trazer resultados semelhantes aos do tratamento de outras taquicardias supraventriculares, nas quais o índice de cura alcançado é de 95 a 100%.

Dr. Luiz Pereira de Magalhães, Coordenador do Serviço de Arritmia e Eletrofisiologia do Hospital Português.


 

 
         
 
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