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Este mapeamento permite diagnosticar as arritmias, seus mecanismos e
locais. A ablação por cateter é o procedimento indicado para o tratamento
definitivo de alguns tipos de arritmias cardíacas sem necessidade de
cirurgia convencional, com retorno do paciente às atividades habituais em
até 48 horas. A maioria das taquicardias supraventriculares são passíveis de
cura. As taquicardias ventriculares estão geralmente associadas a
cardiopatia, principalmente após enfarto do miocárdio, quando a ablação tem
espaço apenas como tratamento adjuvante. As taquicardias ventriculares
idiopáticas (sem doença cardíaca estrutural) podem ser curadas através da
ablação.
Por outro lado, a arritmia cardíaca mais freqüente em consultórios e
emergências médicas é a Fibrilação Atrial (FA). A prevalência da FA aumenta
com a idade e com presença de doenças como hipertensão arterial, diabetes,
tireoidopatia, insuficiência cardíaca e doenças nas válvulas cardíacas. A FA
não é considerada uma arritmia benigna, visto que pode estar relacionada a
eventos de embolia arterial e piora da função cardíaca.
O tratamento mais preconizado ainda é o uso de medicações
anti-arrítmicas, no intuito de evitar ou reduzir a recorrência da arritmia.
A cirurgia cardíaca associada ao tratamento da FA (isolamento das veias
pulmonares) pode ser realizada em portadores de doenças das válvulas
cardíacas.
Nos últimos anos, a partir de novos conceitos da origem da FA, que é
relacionada às veias pulmonares em aproximadamente 90% dos casos, pode-se
avançar no tratamento através da ablação por cateter. É possível, em casos
selecionados de pacientes portadores de FA refratários ao uso de
anti-arrítmicos (entre os quais a amiodarona), realizar o isolamento
elétrico destas estruturas vasculares (veias pulmonares) na cavidade atrial
esquerda.
Trata-se de procedimento de ablação mais complexo, de maior duração (em
média 4 horas), e cuidados mais específicos, mas que pode trazer controle
definitivo ou parcial da Fibrilação Atrial. A ablação por cateter
circunferencial (também com desconexão das veias pulmonares) já foi
realizada em dezembro de 2004 no Hospital Português. Com o aperfeiçoamento
constante da técnica de ablação, espera-se que o tratamento híbrido da FA,
incluindo também a medicação anti-arrítmica e até o marcapasso, possa trazer
resultados semelhantes aos do tratamento de outras taquicardias
supraventriculares, nas quais o índice de cura alcançado é de 95 a 100%.
Dr. Luiz Pereira de Magalhães, Coordenador do Serviço de
Arritmia e Eletrofisiologia do Hospital Português.
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