Dicionários da língua portuguesa revelam que o significado da palavra pesquisa quer dizer: investigação e estudo, minuciosos e sistemáticos, que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, etc. Pesquisa terminada é aquela que descobriu alguma coisa nova, podendo confirmar ou negar algum conhecimento antigo, mas sempre através da experimentação.
Os ensaios clínicos, parte deste processo, consistem na investigação sobre a administração de um ou mais produtos medicinais, com o acompanhamento de um médico especializado. O objetivo é comprovar a eficácia do produto no benefício de um grande número de pacientes. A partir dos ensaios clínicos, definem-se também as dosagens indicadas e os riscos de efeitos colaterais.
Em termos reais, nunca houve pesquisa humana no Brasil até a década de 80. Fora raras exceções, nunca ocorreram publicações brasileiras em revistas respeitadas, nem existiam leis, instrumentos, incentivos, financiamentos, regras ou metodologia sobre pesquisa clínica. Em 1996, o Conselho Nacional de Saúde retomou a questão da pesquisa no Brasil com a criação de um grupo de estudo que acabou resultando na resolução 196/96, responsável pelo estabelecimento de regras para realização de projetos de pesquisa em seres humanos em território nacional. Outras resoluções, como a criação dos Conselhos de Ética em Pesquisas (CEP), se seguiram e a pesquisa humana hoje no Brasil está muito bem estabelecida.
Ao mesmo tempo, houve uma explosão de projetos, principalmente na área farmacêutica, devido ao fato de que em países de primeiro mundo já não existem mais pacientes suficientes para testar todos os novos produtos em desenvolvimento. Segundo especialistas, o Brasil tem sido considerado um país emergente para a condução de estudos clínicos por comandar 40% do mercado farmacêutico da América Latina, ser o país mais extenso, populoso e industrializado, representar 67% do mercado do Mercosul e possuir legislação específica para condução de estudos clínicos.
O resultado do trabalho das indústrias tem contribuído significativamente, ao longo dos anos, para o aumento da expectativa de vida e redução dos índices de mortalidade de diversas doenças. Tome-se como exemplo a expectativa de vida no Brasil, que em 1950 era de 43 anos e em 2000 passou a 69 anos.
Em 2000, havia nos Estados Unidos 46 mil médicos envolvidos em pesquisa clínica. Na mesma época, três mil participavam de protocolos na América Latina. Essa diferença vem caindo progressivamente e estima-se que para 2010 essa desproporção se altere para 80 mil nos EUA e 30 mil na América Latina.
O Brasil vem avançando na participação de pesquisas clínicas voltadas para o desenvolvimento de novos fármacos. Universidades e hospitais com equipamentos de última geração, corpo clínico altamente especializado, farta população e leis bem definidas têm atraído cada vez mais os investimentos de laboratórios multinacionais e colocado o Brasil na rota do desenvolvimento e estudos de novas drogas. A qualidade na condução dos estudos clínicos dá ao nosso país credibilidade e o impulsiona a investir na abertura de novas empresas e centros de pesquisa.
A descoberta de um novo medicamento, afirmam os especialistas, consome cerca de US$ 800 milhões em recursos e bastante paciência no quesito tempo, já que para chegar ao mercado consumidor uma droga precisa em média de 14 anos de pesquisas, entre a invenção da substância que originará o medicamento até a conclusão de todos os testes subseqüentes. Assim mesmo, de cada dez mil moléculas estudadas na fase de pesquisa básica, apenas de 10 a 20 passam à etapa seguinte de estudos pré-clínicos.
Independentemente do tipo de medicamento estudado ou do país em que as pesquisas são realizadas, os estudos clínicos são conduzidos estritamente de acordo com as leis e regulamentos aplicáveis, bem como as o Manual de Boas Práticas Clínicas (GCP- Good Clinical Pratice) reconhecidas em cada localidade. Resumidamente, a GCP assegura aos sujeitos do estudo que estejam devidamente protegidos e que os estudos estejam baseados em normas de boas condutas clínicas. Atualmente, o Brasil faz parte de um seleto grupo de países, na maioria membros do chamado primeiro mundo, que tem este tipo de regulamentação.
A conduta apropriada e a segurança dos estudos e dos pacientes são de responsabilidade não somente da empresa farmacêutica que os patrocina, como também dos profissionais que servem como investigadores, dos centros que participam da pesquisa e seus respectivos comitês de ética, e das agências regulatórias locais. Cada uma dessas instâncias tem o compromisso de revisar o estudo em questão e a possibilidade de desaprová-lo ou requerer modificações antes que o mesmo se inicie.
Até hoje, não se conhece outra forma de avaliar as propriedades de um medicamento e seus efeitos em nosso organismo, sem que este seja testado em seres humanos. Assim, a condução de pesquisas clínicas é essencial no processo de estudo e desenvolvimento de novos medicamentos. Todos os esforços são feitos no sentido de garantir que essa pesquisa seja conduzida dentro dos mais elevados padrões de ética e qualidade. É a única maneira de garantir a evolução da ciência e a descoberta de medicamentos capazes de salvar vidas ou de melhorar a qualidade de vida de pessoas em todo o mundo.
Referências Bibliográficas:
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