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Presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e
Entidades Filantrópicas do Estado da Bahia, Presidente do Conselho Municipal
de Assistência Social de Salvador e Superintendente da Fundação José
Silveira, ele fala ao Imagem Real sobre a sua proposta à frente da CMB
e o Setor Filantrópico no Brasil.
Na sua opinião, qual a importância dos hospitais filantrópicos
para a saúde pública brasileira?
Os Hospitais Filantrópicos são fundamentais para a saúde pública
brasileira. Eles garantem cerca de 38% de todas as internações no SUS no
país, estão presentes em cerca de 56% dos municípios do Brasil como único
serviço de saúde e geram no país cerca de 450 mil empregos diretos. Na
Bahia, nós chegamos próximo de 14 mil empregos diretos, com uma estrutura de
quase 6 mil leitos à disposição da população.
Qual a sua proposta de trabalho à frente da
Confederação?
Nós teremos, basicamente, três linhas de atuação. Buscar a sobrevivência
das Santas Casas e dos Hospitais Filantrópicos, por meio de linhas de
financiamento em bancos, a exemplo do BNDES, reajuste da tabela do SUS e
articulação com a Agência Nacional de Saúde (ANS) e Planos de Saúde. A
segunda linha será a montagem de um projeto de filantropia claro, no qual as
regras da atual legislação complexa para emissão do Certificado de Entidade
Beneficente de Assistência Social, da isenção previdenciária concedida pelo
INSS e todas as questões que envolvem a filantropia estejam bem definidas e
transparentes. O terceiro item é fortalecer os associados e o sistema
confederativo das atuais 15 Federações e criar federações nos outros Estados
brasileiros que não possuem ainda.
Quais serão as primeiras medidas a serem tomadas?
As primeiras medidas já estão sendo tomadas no sentido de manter a
participação das nossas entidades no SUS. Estivemos no dia 12 de abril no
Paraná reunindo cerca de 70 hospitais de Santa Catarina, do Paraná e do Rio
Grande do Sul e discutindo estratégias e alternativas para a atuação da
Confederação Nacional. Já tivemos audiência com o diretor da ANS para
discutir a Resolução Nº 85 da ANS que regulamenta a Lei N.º 9.656/98, que
trata sobre planos de saúde. Também realizamos audiência, no dia 28 de
abril, com o Ministro da Saúde para discutir as estratégias do reajuste da
tabela do Sistema Único de Saúde - SUS.
Qual o objetivo da Confederação?
A Confederação é a cabeça do Sistema Confederativo Filantrópico de Saúde
do Brasil. Ela representa cerca de 2.100 Santas Casas e hospitais
filantrópicos do país. Seu objetivo é zelar pela política traçada no Setor
Filantrópico de Saúde Nacional e também pelos interesses dos associados e
das federações estaduais. É uma entidade que busca o diálogo e a interação
com o governo para encontrar alternativas e soluções para melhorar sempre o
atendimento no Sistema Único de Saúde e na Saúde Suplementar.
Quais são os principais desafios enfrentados atualmente pelo
setor?
Eu acho que o grande desafio enfrentado pelo setor é a busca de sua
sobrevivência nesse contexto do mercado de saúde adverso, onde os insumos,
os custos de materiais, de luz, de água, de telefone, dissídios coletivos
com os funcionários, dentre outros, crescem e as receitas oriundas do SUS e
dos Planos de Saúde não aumentam na mesma proporção. Então, manter-se vivo
financeiramente e manter a condição de entidade filantrópica são os maiores
desafios. Tenho certeza de que a Federação da Bahia e a Confederação
Nacional desse setor estarão junto aos associados para que consigamos vencer
esses desafios.
Quais são as perspectivas para os hospitais
filantrópicos?
Na Bahia, os hospitais filantrópicos demonstram uma união muito grande.
Eu acho que mantendo esta união, mantendo esta interação, mantendo
esta vontade de continuar a servir à população, com certeza as
perspectivas serão otimistas. Todos os Hospitais Filantrópicos da Bahia
terão grande apoio da CMB, inclusive o Hospital Português que é um exemplo
no Estado de eficiente gestão e de boa prestação de serviços de saúde à
população, com programas sociais importantes para Salvador e uma estrutura
de atendimentos de alta complexidade reconhecida nacionalmente.
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