Espaço Saúde  
Imunização em Idosos.*
         
 
   
Imunização em Idosos.*
 
 
Dra. Ana Verena Almeida Mendes Dr. Rodolfo Teixeira*
 
 

Nas últimas décadas, deparamo-nos com o crescente aumento da expectativa de vida do ser humano. Este aumento aparece de forma mais marcante nos países desenvolvidos, mas está presente também em nosso meio. Fatores sócio-econômicos, tecnológicos e culturais estão envolvidos nesta conquista e dentre eles é inquestionável o papel do controle das doenças imunopreveníveis.

Inicialmente, as práticas de vacinação eram direcionadas quase exclusivamente às crianças. Progressivamente foram contemplando também os adolescentes e, por fim, os idosos. Atualmente já existem claras recomendações nacionais e internacionais dirigidas ao controle de doenças imunopreveníveis em pessoas com 65 anos ou mais especialmente voltadas para a prevenção de infecções do trato respiratório, as quais são importantes causas de morbi-mortalidade nesta população. Embora os indivíduos idosos devam ser avaliados individualmente para a necessidade de uso das vacinas disponíveis de acordo com a sua condição clínica e epidemiológica, as vacinas hoje indiscutivelmente indicadas para esta população são quatro:

· Anti-Pneumocócica-
· Anti- Haemophilus influenzae
· Anti-Influenza-
· dT ou Dupla tipo adulto

As vacinas Anti-Pneumocócica e Anti-Haemophilus influenzae estão indicadas a partir dos 65 anos com o intuito de reduzir a morbidade e a mortalidade por infecções bacterianas pulmonares, fomentando a imunidade para os dois principais agentes etiológicos de pneumonia nesta faixa etária. A vacina contra Influenza A e B por sua vez, reduz indiretamente o risco de pneumonia uma vez que a infecção viral por este vírus é um importante fator predisponente para infecção pulmonar subseqüente causada por agentes bacterianos. Estes agentes parecem ter a sua invasão facilitada pelas alterações imunológicas e locais causadas pelos vírus da influenza. Por fim, a vacina contra o tétano e a difteria, as mais esquecidas nesta faixa etária, têm também importância inquestionável, especialmente porque muitos destes indivíduos nunca receberam a imunização correta para estas doenças potencialmente fatais.

A vacina contra Influenza deve ser feita anualmente, no começo do outono. A necessidade de precocidade em sua aplicação em relação ao outono-inverno deve-se à demora de 15 dias aproximadamente para que haja suficientes níveis de anticorpos circulantes no organismo para prevenir o adoecimento. As vacinas contra Pneumococo e Haemophilus, quando aplicadas aos 65 anos ou mais não carecem mais de reforços. Quando administrada antes dos 65 anos a vacina anti-pneumocócica exige um reforço a cada 5 anos até que se completem os 65 anos e a vacina contra Haemophilus não necessita de reforços na idade adulta. A administração da Td, por sua vez, deve ser individualizada de acordo com a história vacinal do paciente com o objetivo de completar o esquema primário de três doses (0-2 e 6 meses) ou fazer os reforços recomendados a cada 5-10 anos. Neste contexto, é importante lembrar da afirmativa irrevogável em condições normais "vacina dada nunca é perdida".

Com tudo isto, observa-se que a imunização dos idosos é uma prática exeqüível e segura em nosso meio. Os efeitos adversos decorrentes das mesmas são controláveis com medidas simples como o uso de analgésicos e anti-térmicos comuns e compressas locais com água fria e álcool. Vale ressaltar que destas quatro vacinas recomendadas, três estão disponíveis em rede pública, o que facilita sobremaneira a sua recomendação. Cabe a nós portanto, enquanto profissionais da área de saúde, incorporar profundamente a idéia de que "prevenir é melhor que remediar".

*Dra. Ana Verena Almeida Mendes e Dr. Rodolfo Teixeira são infectologistas.

 
         
 
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