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Aproximadamente 60 a 90% dos indivíduos adultos fazem uso de bebidas alcoólicas. O consumo leve a moderado de álcool é definido como uso de uma a duas unidades (drinks) de álcool por dia para homens e uma unidade por dia para mulheres. Um drink contém 12 g de álcool e equivale aproximadamente a quantidade de álcool contida em uma dose (50ml) de bebida destilada (uísque, conhaque e vodka), um cálice de vinho e um copo (200 ml) de ceveja. O consumo leve a moderado de álcool não oferece maiores riscos à saúde e pode ter efeitos benéficos reduzindo o risco de doença cardiovascular.
O termo alcoolismo é muito amplo e mesmo assim não abrange todo espectro dos problemas relacionados ao consumo de álcool. O National Council on Alcoholism and Drug Dependence and the American Society of Addiction Medicine numa reunião de consenso desenvolveu a seguinte definição: doença crônica modulada por fatores genéticos e ambientais geralmente progressiva e fatal caracterizada por diminuição no controle e preocupação pelo consumo de álcool e uso do álcool a despeito de futuras conseqüências adversas. Para caracterização de problemas clínicos relacionados ao álcool, utiliza-se preferencialmente os conceitos de consumo de risco, uso abusivo de álcool e dependência.
O consumo de álcool de risco é definido pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism como o uso de mais de 14 unidades de álcool por semana ou mais de quatro unidades por ocasião de consumo para homens e mais de 7 unidades de álcool por semana ou mais de três unidades por ocasião de consumo para o sexo feminino.
O abuso de álcool é caracterizado por consumo de álcool associado à manifestações clínicas e psicossociais deletérias caracterizadas pela ocorrência no período de 12 meses de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas:
1) incapacidade de cumprir obrigações e compromissos no trabalho, em casa e na escola; 2) uso recorrente do álcool em situações potencialmente perigosas; 3) problemas legais relacionados ao álcool; 4) uso persistente do álcool apesar da ocorrência de problemas de relacionamento relacionados ao seu consumo e ausência de critérios compatíveis com dependência.
Dependência, por outro lado, é caracterizada pelo desenvolvimento no período de 12 meses de três ou mais dos seguintes sinais e sintomas:
1) tolerância aos efeitos do álcool com necessidade do uso de doses crescentes; 2) presença de sintomas de abstinência ou uso de álcool para evitar-los; 3) uso do álcool em maior quantidade e em maior período em relação ao que fora inicialmente previsto; 4) desejo e/ou insucesso recorrente em reduzir e controlar o consumo de álcool; 5) emprego de muito tempo para obtenção, uso e recuperação do consumo de álcool; 6) redução do tempo dedicado ou abandono de atividades de lazer, ocupações e relacionamentos; 7) uso a despeito do conhecimento sobre os efeitos clínicos e psicológicos do consumo de álcool.
Aproximadamente 10%-20% dos homens e 3%-10% das mulheres americanas têm padrão de consumo abusivo ou dependência do álcool.
O consumo de risco pode predispor ao desenvolvimento de cardiomiopatia, hipertensão, arritmias cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. O consumo de mais de 14 unidades/semana de álcool para mulheres e 21 unidades de álcool/semana para homens se associa ao desenvolvimento de doença alcoólica do fígado e cirrose hepática. Outros problemas associados ao uso do álcool incluem pancreatite aguda e crônica, gastrites, lesão do sistema nervoso central e conseqüente demência, polineuropatia periférica e propensão para desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço e esôfago.
O álcool é consumido por causar desinibição, euforia e excitação. Esses efeitos são usualmente observados com consumo leve a moderado que induz alcoolemia de 50-75 mg/dl. Pelas leis de trânsito brasileiras considera-se estado de embriaguez alcoolemia superior a 80 mg/dl. Seu uso em doses maiores, particularmente em mulheres e em indivíduos que não fazem uso regular do álcool, pode desencadear efeitos deletérios sobre o sistema nervoso central e trato gastrointestinal (Tabela 1). Além desses efeitos, na intoxicação aguda pelo álcool podem ser observados aumento na diurese, náuseas e vômitos, taquicardia e hipertensão arterial.
Tabela 1: Sintomas Associados à Intoxicação Alcoólica
| Nível (mg/dl) |
Bebedores Ocasionais |
Bebedores Frequentes |
| 50 mg |
euforia |
sem efeito |
| 75 mg |
excitação, diminuição na atenção |
sem efeito |
| 100 mg |
incoordenação |
sinais mínimos |
| 125-150 mg |
desinibição, descontrole |
euforia, incoordenação |
| 200-250 mg |
letargia |
esforço para manutenção do controle emocional e motor |
| 300-350 mg |
estupor, coma |
letargia |
| 500 mg |
coma, óbito |
coma |
No período de carnaval aumenta muito o consumo de álcool e a freqüência de hospitalizações por intoxicação aguda pelo etanol. Os efeitos adversos do álcool, podem ser exacerbados pelo consumo de drogas ilícitas, incluindo o extasy, a cocaína, o lança perfume e o cheirinho da loló, podendo aumentar o risco de depressão do SNC (coma) e arritmias cardíacas.
Visando evitar os efeitos deletérios do álcool durante o carnaval, deve-se evitar consumo de álcool em doses associadas a maior risco (vide acima), ingestão de álcool com estômago vazio (aumenta absorção do etanol) e uso associado de drogas ilícitas.
Na presença de intoxicação alcoólica (fala arrastada, incoordenação motora, marcha trôpega) deve-se orientar interrupção imediata do consumo de bebida alcoólica e hidratação com sucos, isotônicos ou água. Na presença de torpor ou coma deve-se procurar atendimento médico de urgência.
Os sintomas de ressaca são freqüentes após o consumo abusivo de álcool, particularmente no bebedor ocasional. O uso de mais de 5 unidades de álcool para homens e mais de 3 unidades de álcool para mulheres é situação de risco para ocorrência de ressaca no dia seguinte. Os sintomas são secundários a toxidade do etanol sobre o sistema nervoso central e trato gastrointestinal e incluem sensação de mal estar, fraqueza, tonturas, dor de cabeça, tremores e náuseas. Azia pode ocorrer pelo efeito do álcool sobre o esfíncter inferior do esôfago, propiciando refluxo gastroesofágico. O tratamento da ressaca é sintomático. Recomenda-se abstinência alcoólica, hidratação e alimentação com refeição balanceada habitualmente pobre em gorduras e pouco condimentada. Na ocorrência de cefaléia ou náuseas, pode-se fazer uso de analgésicos e anti-eméticos.
Não existem evidências científicas que comprovem ação de certas medicações encontradas no mercado farmacêutico (Tabela 2) comumente usadas pela população para prevenção ou tratamento da ressaca.
Tabela 2: Medicações Empregadas pela População para Prevenção e Tratamento de Ressaca
| Nome comercial |
Mecanismo de ação de acordo com bula |
Composição |
| Engov |
- |
Hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, cafeína, maleato de mepiramina |
| Eparema |
desintoxicante |
cascara sagrada* e boldo |
| Epocler |
hepatoprotetor e antioxidante |
hepático metionina e associações
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*diurético
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