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Tendências na Atenção à Saúde — Hospital Português da Bahia

4 de junho de 2004

Tendências na Atenção à Saúde

04 June 2004

Tendências na Atenção à SaúdeO desenvolvimento de novos projetos de atenção à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ou mesmo novos serviços de instituições já estabelecidas, exige dos profissionais envolvidos não apenas considerar as experiências do passado, ponderando sobre os erros e acertos, mas, também, procurar prever as condições que prevalecerão no futuro, diminuindo as margens de erro possíveis em quaisquer novas iniciativas.

A palestra, apresentada no dia 6 de maio, teve como objetivo difundir o trabalho que tem sido desenvolvido no sentido de planejar o crescimento da Instituição, com base nas tendências no mercado, para o curto, médio e longo prazos.

Bross, como costuma ser chamado, além de arquiteto, é professor universitário em cursos de Gestão Hospitalar em diversas instituições educacionais, tendo sido responsável pelos projetos de instalação e remodelagem de alguns dos principais hospitais do país. Seu extenso currículo reúne trabalhos prestados para alguns dos mais importantes hospitais do país.

Destacamos a seguir algumas das mais importantes questões apresentadas pelo arquiteto:

1. Visão de Futuro: A capacidade de desenvolver sonhos e utopias apresenta-se como uma necessidade para profissionais e instituições envolvidas no mercado de saúde, exigindo que estes se instruam e assumam atitudes decisórias com coragem e desprendimento. Para tanto, Bross afirma que “estes projetos deverão ser progressivamente ajustados às conjunturas perceptíveis e consequentemente viabilizados nos momentos atuais, sem prejuízo de cenários futuros onde terão, através desta visão uma mais adequada inserção: pé no chão com olho no futuro”.

2. Qualidade em Saúde: Neste quesito, Bross convida as diversas partes envolvidas no mercado de saúde a estabelecerem novas relações comerciais pautadas nesta diretriz, apontando para o intenso conflito que tem acontecido hoje entre os partícipes na produção de atenção médica e hospitalar. Ele defende que um novo perfil de usuários, de profissionais e de instituições deverá emergir neste cenário.

Os usuários estarão mais bem informados sobre as formas de prevenção e tratamento disponíveis, mais voltados para a saúde, e estarão ainda mais exigentes, amparados pelas legislações que defendem os consumidores. Os profissionais, ao seu tempo, precisarão estar preparados para atuar com foco na solução ampla das necessidades dos seus clientes, reunindo uma gama de competências inerentes a estas demandas, o que exige uma atuação conjunta e colaborativa entre diversas especialidades e perfis profissionais, pautadas na busca pela máxima qualidade a um custo viável.

Os sistemas pagadores, em contrapartida, desenvolverão as suas capacidades criativas na busca por soluções que aliem as novas exigências dos usuários, com as condições econômicas do mercado. É prevista uma maior competitividade entre as operadoras de saúde, cada vez mais abrangentes geograficamente, mais exigentes e restritivas em relação à rede de prestadores de serviços, assim como, com maior rigor em relação aos custos envolvidos nos atendimentos.

3. Da Doença para a Saúde: Nos cenários futuros, o destaque fica por conta da valorização da qualidade de vida, voltando-se o foco da cura de doenças para a sua prevenção e conquista de hábitos cotidianos mais adequados às necessidades do Ser Humano. Neste sentido as empresas de saúde, especialmente os seguros, irão se voltar, cada vez mais, para a medicina preventiva, cientes dos custos mais elevados dos tratamentos em casos de complicação.

4. Nova Configuração da Atenção: Com relação às formas de cuidado, foi apontada a tendência da criação de novos centros descentralizados, de menor complexidade, que cuidarão dos casos de baixo risco e de curta permanência, fazendo surgir um novo perfil de hospital, de menor porte e de alta tecnologia, focado em casos de alta complexidade que demandem os recursos mais avançados de diagnóstico e tratamento.

Seguindo essa tendência, o arquiteto prevê o surgimento de “redes” e, talvez em um futuro mais remoto, “constelações” de estabelecimentos assistenciais de saúde, interligados operacionalmente por Tecnologia da Informação e atendendo segundo a complexidade do estado do paciente.

Outra tendência apontada foi o retorno dos médicos para dentro dos hospitais com a criação dos centros médicos, devido a questões econômicas e ao fato de que nestes locais estão agrupados profissionais de diversas especialidades, o que se traduz em solução de atendimento mais completa para o paciente.

Nas formas de produção destaca-se a importância cada vez maior da informática num rigoroso gerenciamento e em uma logística mais elaborada que permitem maior eficiência e eficácia nos processos, tal como o que está sendo alcançado pela instalação do sistema MedTrak, da TrakHealth.

Bross alerta que todas essas afirmações convergem para a necessidade de permanente verificação da “posição” de um estabelecimento hospitalar em relação ao ambiente que o circunda, bem como ter sempre presente as adequações à sua estratégia empresarial que deverá ter foco na utopia e no futurismo.

Para se atingir as visões de futuro apresentadas, o arquiteto afirmou que se torna necessário o estabelecimento de planos, programas e projetos. E é dentro dessa concepção que se encontra o plano diretor físico, caracterizado como estudos permanentes de uma edificação com vistas a definir reformulações internas ou progressivas expansões, em função de definições estratégicas, estabelecendo etapas, tempos, momentos e custos.