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Saúde do Aparelho Digestivo — Hospital Português da Bahia

1 de outubro de 2004

Saúde do Aparelho Digestivo

01 October 2004

Saúde do Aparelho DigestivoNesse contexto, a manutenção de hábitos saudáveis de vida – como alimentação saudável, atividade física e controle do estresse, um problema típico da vida moderna, – e a informação são fatores que podem fazer a diferença quando se trata de prevenção.

Para começar, vale ressaltar que o aparelho digestivo tem como função transformar alimentos em nutrientes necessários para a vida. Constituído pelo tubo digestivo, formado em disposição contínua pela boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso, reto e ânus,  tem como principais glândulas  as salivares, o fígado e o pâncreas.

Não são poucas as doenças relacionadas a esse aparelho. Vamos aqui listar algumas das mais freqüentes:

Doença do Refluxo Gastroesofágico

A Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE) é uma condição clínica que se caracteriza pelo refluxo anormal do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. O esôfago é um órgão tubular do aparelho digestivo, responsável pelo transporte do alimento ingerido da boca até o estômago, onde se inicia a digestão. Nos pacientes portadores da DRGE parte desta secreção volta ao esôfago, podendo causar inflamação e dano ao órgão, além de, eventualmente, alterações respiratórias e otorrinolaringológicas.

Problema clínico muito comum, afeta todos os segmentos da população e tem caráter recorrente. Seu sintoma característico é a azia, que se caracteriza por sensação de queimação, geralmente desencadeada após a ingestão de alimentos. O paciente pode apresentar ainda regurgitação, arrotos, dor no peito, dificuldade para deglutição, além de sintomas extra-esofágicos, como rouquidão, tosse crônica, asma e até alterações do esmalte dentário.

É necessário evitar fatores que possam precipitar o refluxo, como a ingestão de alimentos gordurosos ou condimentados, café, álcool, carminativos, tabagismo e grandes refeições, além do hábito de deitar-se logo após a alimentação. O controle da obesidade e a elevação da cabeceira da cama também podem contribuir para melhora.

Úlcera Péptica

Úlceras são lesões de mucosa semelhantes a feridas que podem ocorrer em toda mucosa do trato digestivo, sendo mais comuns no estômago (úlceras gástricas) e duodeno – primeira porção do intestino delgado (úlceras duodenais). Podem ocorrer em indivíduos de qualquer idade, sendo mais comuns em pessoas entre 40 e 50 anos. Acometem mais o sexo masculino e as pessoas com história familiar positiva para úlcera péptica.

A principal causa das úlceras pépticas não associadas ao uso de anti-inflamatórios é uma bactéria que infecta o estômago conhecida por Helicobacter pylori. O mecanismo pelo qual o Helicobacter pylori causa úlcera ainda não é bem conhecido, porém a eliminação da bactéria com o uso de antibióticos leva a maior cicatrização da úlcera e evita sua recorrência.

Os principais sintomas são: dor em região superior do abdome tipo queimação relacionada ao ritmo alimentar. Geralmente ocorre duas a três horas antes ou após a alimentação ou à noite e cede com o uso de anti-ácidos ou alimentos alcalinos. Podem ocorrer também náuseas, vômitos e sensação de “estômago cheio”.

Hepatites

As hepatites agudas são decorrentes da inflamação e destruição das células do fígado decorrentes de infecções virais, ingestão abusiva de bebida alcoólica, drogas (medicamentos ou agentes químicos) e mais raramente de doenças auto-imunes e metabólicas.

A maioria dos casos ocorre sem sintomas ou com sintomas leves (febre baixa, indisposição, cansaço físico, perda de apetite, dor abdominal leve, vômitos esporádicos), podendo ser confundida com quadros gripais ou gastroenterites.

Os principais responsáveis pelas hepatites agudas são os vírus, que apresentam forma de contágio diferente de acordo com o agente causal:

1) Hepatite A e E – Adquire-se em contato com água e alimentos contaminados. É mais comum em locais onde as condições de saneamento são precárias, geralmente de forma epidêmica.

2) Hepatite B -Transmitida por contato sexual sem proteção; contato com sangue contaminado ou com os seus derivados, através de transfusão, uso de drogas intravenosas com compartilhamento de seringas, tatuagens, acupuntura, acidentes de punção entre profissionais de saúde ou através da transmissão materno-fetal.

3) Hepatite C – Transmitida por contato com sangue contaminado, da mesma forma que a hepatite B e muito mais raramente por contato sexual.

4) Hepatite D – Ocorre em indivíduos infectados pelo vírus B, sendo transmitido pelas mesmas vias.

Câncer (Fonte: Instituto Nacional de Câncer)

O câncer de esôfago apresenta uma alta taxa de incidência em países como a China, Japão, Cingapura e Porto Rico. No Brasil, consta entre os dez mais incidentes, segundo dados obtidos dos Registros de Base Populacional existentes, e em 2000 foi o sexto tipo mais letal. É mais freqüente a partir dos 40 anos e está associado ao alto consumo de bebidas alcóolicas e de produtos derivados do tabaco (tabagismo). A detecção precoce do câncer de esôfago torna-se muito difícil, pois essa doença não apresenta sintomas específicos. Indivíduos que sofrem de acalasia, tílose, refluxo, síndrome de Plummer-Vinson e esôfago de Barrett possuem mais chances de desenvolver o tumor e, por isso, devem procurar o médico regularmente para a realização de exames.

O câncer de estômago acomete, em sua maioria, homens, por volta dos 70 anos de idade. Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos. Vários estudos têm demonstrado que a dieta é um fator preponderante no aparecimento do câncer de estômago. Uma alimentação pobre em vitamina A e C, carnes e peixes, ou ainda com uma alto consumo de nitrato, alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados no sal são fatores de risco para o aparecimento deste tipo de câncer.

Outros fatores ambientais como a má conservação dos alimentos e a ingestão de água proveniente de poços que contém uma alta concentração de nitrato também estão relacionados com a incidência do câncer de estômago. A medida mais eficaz para diminuir os riscos é iniciar uma dieta balanceada precocemente, ainda na infância. Pessoas fumantes, que ingerem bebidas alcoólicas ou que já tenham sido submetidas a operações no estômago também têm maior probabilidade de desenvolver este tipo de câncer.

O câncer colo-retal é a terceira causa mais comum de morte por câncer, no Brasil. Possui maior incidência na faixa etária entre 50 e 70 anos, mas as possibilidades de desenvolvimento já aumentam a partir dos 40 anos. Os principais fatores de risco são: dieta com alto conteúdo de gordura, carne e baixo teor de cálcio; obesidade e sedentarismo. Também são fatores de risco o consumo em exagerado de bebidas alcóolicas, as doenças associadas como retocolite ulcerativa, doença de Cronh e a predisposição genética (polipose intestinal familiar, síndrome de Linch).

Dicas da Federação Brasileira de Gastroenterologia para uma boa digestão

  • Nunca tome medicamento sem orientação médica Os remédios que combatem os sintomas da má digestão podem retardar o dignóstico de doenças graves. Também é preciso muita cautela na utilização de remédios à base de ácido acestilsalicílico e antinflamatórios;
  • Tenha bom senso na hora de comer evitando os alimentos que lhe façam mal e comendo certo, em quantidade razoável;
    · Faça as refeições nos horários e em ambiente corretos, calmos, mastigando bem os alimentos;
  • Não fique muito tempo em jejum;
  • Não se deve conchilar após o almoço, assim como dormir logo após do jantar. O ideal é esperar um intervalo de, no mínimo, 90 minutos entre a última refeição e o sono; 
  • Dar preferência ao consumo de frutas, verduras e legumes que sempre fazem bem;
  • É recomendado apenas o consumo de um copo de leite, uma a duas vezes ao dia, de preferência à noite, evitando-se ingerir antes de dormir. Como contém muito cálcio e proteínas, o leite estimula a secreção ácida do estômago;
  • Não fume;
  • Ingerir  bebidas alcoólicas com moderação e nunca em jejum;
  • O cafezinho pode ser tomado após o almoço e o jantar.

Entendendo a Digestão

O processo da digestão, que consiste em ingestão, transporte, digestão e absorção dos alimentos, se inicia na boca e termina no reto.
Na boca  ocorre a mastigação, responsável pela trituração e umidificação do alimento com o auxílio da saliva. Nesta etapa, a saliva transforma o amido em dextrina e açúcar e transforma os alimentos mastigados em bolo alimentar.

Esse bolo é lançado através da faringe (deglutição) até o esôfago onde sofre a ação da pepsina e do coágulo, fermentos que transformam o bolo em substância absorvível e fermentam o leite, respectivamente. Localizado no final do esôfago, o estômago inicia a quebra das proteínas e gorduras.

Em seguida, passa para o intestino delgado onde sofre a ação do suco pancreático, secretado pelo pâncreas, da bílis, secretada pelo fígado, e do suco entérico – substâncias que atuam sobre as gorduras, proteínas, leite e amido. É nesta fase que é iniciada a absorção dos alimentos digeridos pelo organismo.

Nesse processo, as substâncias não utilizáveis são expulsas através da desembocadura do tubo digestivo para o intestino grosso, onde são formadas as fezes e feita grande parte da absorção de água e sais, de hidratos de carbono em forma de glucose (açúcar simples); das proteínas em forma de aminoácidos e das gorduras como ácidos graxos.
Depois do intestino grosso, as fezes passam pelo reto para serem eliminadas.

Pirâmide Alimentar

A alimentação balanceada é um dos pilares da saúde do aparelho digestivo. Acompanhe na pirâmide os alimentos que devem fazer parte da nossa dieta:

  • Energéticos extras: Como açúcares e doces, devem ser consumidos com moderação. As gorduras, por sua vez, são necessárias em uma quantidade mínima no organismo.
  • Construtores: Ricos em proteínas – leite e derivados, carnes, ovos e leguminosas – são responsáveis pela construção dos novos tecidos, pelo crescimento e pela reparção do desgaste natural dos tecidos.
  • Reguladores: Legumes, frutas, verduras e água – fornecem vitaminas, minerais e fibras.
  • Energéticos: Responsáveis por gerar energia para que nosso organismo possa realizar suas funções normais. Ele são os carboidratos complexos, como farinhas, pães, tubérculos, massas, cereais, trigo.