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AVC: Rapidez no atendimento é fundamental — Hospital Português da Bahia

15 de fevereiro de 2006

AVC: Rapidez no atendimento é fundamental

15 February 2006

AVC: Rapidez no atendimento é fundamentalIsso significa dizer que morrem por ano no país cerca de 90 mil pessoas vítimas da doença. No ano de 2005, somente através do SUS, foram internados 200 mil pacientes com o problema. Muito freqüente na população geral, o Acidente Vascular Cerebral, também conhecido como derrame, pode ser definido como uma dificuldade no fornecimento de sangue a uma determinada área do cérebro que provoca a falência súbita das células dessa região, levando à perda ou diminuição das respectivas funções. A doença está ligada a fatores de risco como hipertensão arterial, colesterol alto, tabagismo, diabetes, histórico familiar, ingestão de álcool, vida sedentária, obesidade e estresse.

Na luta contra a doença, é de fundamental importância reconhecer os sintomas e recorrer a atendimento especializado nas três primeiras horas. A precocidade no início do tratamento é muito importante para que o paciente tenha uma melhor evolução, diminuindo o risco de seqüelas.

Dada a importância da questão, o Hospital Português da Bahia criou, em outubro de 2005, o Grupo do AVC. Visando prestar um atendimento diferenciado a esses pacientes, o Grupo é formado por uma equipe multidisciplinar que conta com profissionais das especialidades de neurologia, cardiologia, fisioterapia, fonoaudiologia, endoscopia da deglutição (otorrinolaringologia), nutrição, enfermagem, psicologia, assistência social, além de representantes do Grupo de Pele.

Além disso, a Unidade de Emergência do Hospital Português desenvolveu protocolos para sistematizar o atendimento ao paciente com AVC, minimizando o atraso do diagnóstico e da conduta. Isso implica numa melhor qualidade da assistência prestada, desde a chegada do paciente na emergência até sua permanência e alta.


Existem dois tipos de acidente vascular cerebral:

a) Isquêmico – o tipo mais freqüente, ocorrendo em 85% dos casos, ocorre devido a falta de circulação numa área do cérebro provocada por obstrução de uma ou mais artérias por placas de colesterol (aterosclerose), trombose ou embolia. Ocorre, em geral, em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial, problemas vasculares e fumantes.

b) Hemorrágico – sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sangüíneo, levando à formação de um hematoma que acaba lesando as áreas vizinhas. Podendo ocorrer em pessoas mais jovens, esse tipo de AVC está ligado a hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue e traumatismos.

Sintomas:

Embora seja mais comum a partir dos 40 anos, o AVC pode ocorrer em qualquer idade. Por isso, é necessário estar atento aos sintomas que variam de acordo com a área do cérebro atingida, o tamanho da mesma, o tipo de AVC e o estado geral do paciente. Os mais comuns são:

  • Fraqueza ou dormência de um membro ou de um lado do corpo, com dificuldade para se movimentar;
  • Alteração da linguagem, passando a falar “enrolado”, sem conseguir se expressar, ou ainda sem conseguir entender o que é dito;
  • Perda de visão súbita;
  • Perda repentina de sensibilidade ou força em parte da face, o que pode causar desvio da boca, assimetria nos movimentos da testa, entre outros sinais;
  • Dor de cabeça súbita, sem causa aparente, seguida de vômitos, sonolência ou coma;
  • Dificuldade repentina para se equilibrar;
  • Perda de memória, confusão mental e dificuldades para executar tarefas habituais.

Diagnóstico

Se três dos sinais anteriores estiverem presentes, a chance do paciente ter um AVC é de 75%. No entanto, só o médico pode diagnosticar com toda certeza se uma pessoa está tendo ou teve um acidente vascular cerebral. Em 95% dos casos, uma simples consulta detecta o problema, que pode ser confirmado através de exames como a tomografia computadorizada ou a ressonância de crânio. Com esses exames é possível descobrir o tipo de AVC e assim definir o tipo de tratamento específico.

Tratamento

Devemos lembrar que o AVC é uma urgência, portanto, diante de qualquer suspeita, deve-se levar o paciente imediatamente ao hospital. Como já foi dito, a precocidade no início do tratamento é muito importante para que o paciente tenha um menor risco de seqüelas. Neste sentido, o rápido reconhecimento dos sintomas e a procura de uma unidade de emergência com profissionais treinados farão a diferença.

Hoje em dia, os grandes centros de saúde do país já contam com métodos modernos e efetivos para tratar o AVC isquêmico, desde que iniciados em menos de 3 horas após o início dos sintomas. A Unidade de Emergência do Hospital Português da Bahia conta com uma estrutura física composta por dois consultórios, sete leitos de observação e 13 leitos aptos para atender pacientes de maior complexidade, num total de 20 leitos.

O tratamento continua com a reabilitação, um conjunto de procedimentos que visam restabelecer, quando possível, uma função perdida pelo paciente de forma temporária ou permanente. Podendo ser iniciada no primeiro ou segundo dia do AVC, a reabilitação previne complicações como problemas nas articulações, dificuldade para realizar determinados movimentos, dores difusas pelo corpo, doenças pulmonares e trombose venosa profunda.

Como prevenir:

  • Controle a pressão arterial, o nível de açúcar no sangue e o colesterol
  • Adote uma dieta equilibrada, reduzindo a quantidade de açúcar, gordura e sal
  • Fique atento a casos de doenças cardíacas e neurológicas na família
  • Evite cigarro e bebidas alcóolicas
  • Controle o excesso de peso
  • Faça exercícios físicos diariamente
  • Procure reduzir o nível de estresse realizando atividades prazerosas como sair, encontrar os amigos, ir a praia e participar de atividades culturais.

Curiosidades:

  • A cada 90 segundos, uma pessoa morre de AVC no mundo
  • O AVC é responsável por cerca de 5% dos gastos em saúde pública em todo o planeta
  • Devido às dificuldades de identificação dos sintomas iniciais, apenas 20% das vítimas de AVC procuram os hospitais
  • Entre as neuropatologias diagnosticadas, cerca de 25% são AVC
  • O AVC é a maior causa de deficiência motora adquirida em adultos

Fonte: Ministério da Saúde
Colaboraram: Dra. Elza Magalhães – Neurologista CRM 11224 / Dr. Júlio Braga – Cardiologista CRM 9902 / Dra. Tatiana Paraíso – Coordenadora da Unidade de Emergência do Hospital Português CRM 10933