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Sucesso e segurança são marcas da cirurgia de tireóide — Hospital Português da Bahia

25 de abril de 2006

Sucesso e segurança são marcas da cirurgia de tireóide

25 April 2006

A incidência de nódulos da tireóide na população adulta é significativa, sendo mais freqüentes entre as mulheres.

No Brasil, estima-se em aproximadamente seis casos novos de câncer de tireóide para cada grupo de 100 mil habitantes, anualmente. O tratamento para a doença é um procedimento denominado tireoidectomia, cirurgia com alto índice de sucesso e cura.

Com o crescimento dos exames de ultra-sonografia, houve um aumento no número de nódulos diagnosticados em todo o mundo, devido ao fato de que esse é um exame de baixo custo, não invasivo e acessível à maioria das pessoas. Com isso, acredita-se que muito provavelmente o que aconteceu foi o aumento do número de casos diagnosticados, e não do aumento da doença na população em geral.

O prognóstico do câncer de tireóide é muito bom: em torno de 90% dos pacientes podem ser curados com o tratamento instituído e que tem como primeiro e mais importante passo a realização de uma tireoidectomia total (retirada completa da glândula tireóide). Esse procedimento é usado há mais de um século nos casos de câncer da glândula ou de suspeita da doença com muito sucesso e baixas taxas de complicações cirúrgicas.

Nos últimos anos, com o refinamento dos instrumentos cirúrgicos, têm sido incorporadas algumas novidades tecnológicas, que têm proporcionado muito sucesso e baixas taxas de complicações cirúrgicas: videocirurgias, bisturi harmônico, as mini incisões e o monitoramento eletrônico do nervo laringeo recorrente, conhecido como nervo da voz. O bisturi harmônico trata-se de um tipo especial de bisturi elétrico que, comparado ao bisturi elétrico convencional, é um instrumento de fácil manuseio que está associado à diminuição do tempo de cirurgia e da necessidade de utilização de fio cirúrgico.

As técnicas de vídeo-cirurgia também estão sendo utilizadas para as tireoidectomias, diminuindo o tamanho das incisões e, por conseguinte, proporcionando melhora no resultado estético da cicatriz. É importante chamar a atenção de que, por enquanto, as técnicas minimamente invasivas, como as vídeo-cirurgias, ainda não são aceitas como padrão para os casos suspeitos ou diagnosticados como câncer da tireóide.

Considerados procedimentos seguros, com taxa de complicações muito baixa – quando feitas por cirurgiões especialistas – as tireoidectomias têm duração entre uma e duas horas. Após a cirurgia, os pacientes são plenamente reabilitados à sua vida profissional e social em um intervalo de tempo reduzido. O hormônio produzido pela tireóide está disponível para administração por via oral e é muito bem tolerado pelos pacientes, suprindo as suas necessidades diárias.

As principais complicações da cirurgia dizem respeito a duas estruturas que guardam relação anatômica muito estreita com esta glândula: os nervos laringeos recorrentes e as glândulas paratireóides. Essas estruturas são cuidadosamente visualizadas durante o ato cirúrgico para que sejam preservadas intactas. A perda da qualidade da voz é ocasionada quando há lesão direta sobre o nervo laringeo recorrente. Essa disfunção pode ser temporária, pela simples manipulação do mesmo, ou definitiva, quando há lesão ou secção direta.

Já as paratireóides são pequenas glândulas de tamanho e forma de um grão de feijão que estão situadas, habitualmente, ao lado da tireóide. Na maioria das vezes são quatro, ao todo, podendo variar em número, tamanho e localização. Estas produzem um hormônio chamado paratormônio (PTH), responsável pela regulação do metabolismo do cálcio, elemento indispensável ao perfeito funcionamento de várias funções orgânicas.

Durante a cirurgia, mesmo quando identificadas adequadamente, as paratireóides podem sofrer isquemia (diminuição no aporte sangüíneo) e apresentar déficit na sua função de produzir o PTH. A disfunção costuma ser temporária e, nesse período, o paciente necessita de uma suplementação oral de cálcio até o pleno restabelecimento da produção normal de PTH. O sintoma mais comumente associado a tal disfunção é a parestesia (“formigamento”) das mãos, pés e lábios, que pode ser controlado após a reposição do cálcio.

Principais tipos de cirurgia de tireóide

  • Tireoidectomia parcial – quando uma parte da tireóide é removida
  • Tireoidectomia sub-total funcional – quando quase toda a tireóide é retirada, mantendo-se o suficiente de tecidos para a produção normal dos hormônios.
  • Tireoidectomia total – quando toda a glândula é retirada.
  • Tireoidectomia total ampliada com esvaziamento cervical – quando, além da remoção da tireóide, podem ser removidos tecidos gordurosos, gânglios linfáticos, músculos e vasos sangüíneos que estejam comprometidos pela doença.

Quando operar a tireóide:

  • Quando há suspeita de neoplasia maligna (câncer)
  • Quando existem sintomas de compressão de estruturas do pescoço, alterações da voz, da respiração e da deglutição
  • Nos casos de bócios mergulhantes – quando a tireóide cresce em direção à parte superior do tórax (mediastino)
  • Nos casos de hiperfunção patológica da tireóide. Ex: Doenças Auto-imunes, Doença de Basedow-Graves
  • Indicação estética – cuja realização é uma opção do paciente para remoção de bócios volumosos que deformam a simetria do pescoço.

 
Colaboraram: Dr. Ivan Agra (CRM 12387) e Dr. Paulo Mettig Rocha (CRM 9884), Cirurgiões de Cabeça e Pescoço do Centro Médico Hospital Português.