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Livro resgatará história dos 150 anos — Hospital Português da Bahia

24 de janeiro de 2007

Livro resgatará história dos 150 anos

24 January 2007

Livro resgatará história dos 150 anosArquivos, bibliotecas, documentos, entrevistas e reuniões são fontes de informações que ajudam a escrever o livro, mas é importante que todas as pessoas que tenham fotografias antigas e atuais, documentos e estatutos entrem em contato para auxiliar no resgate da história, com a maior fidelidade possível. Contatos podem ser feitos pelo e-mailhospital@hportugues.com.br (em atenção à Socorro) ou pelo telefone (71) 3203-5125.

Em entrevista, a mestre em Ciências Sociais demonstra entusiasmo ao falar do trabalho, que contará a história da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, e revela que a obra vai inserir a trajetória da Instituição no contexto da história do Brasil, de Portugal e das beneficências, além de mostrar a evolução tecnológica e da medicina.

Qual a data prevista para o lançamento do livro ‘Hospital Português: 150 anos de Percurso’?

A previsão é até 7 de junho de 2007, dia e mês da inauguração da sede atual do Hospital Português, em 1931. Gostaria de ter mais tempo, mas o compromisso foi assumido e será honrado. A pesquisa começou efetivamente em agosto, mas apenas o material encontrado sobre a história do hospital no Bonfim, hoje Sagrada Família, daria um livro.

A pesquisa é muito maior, muito mais rica do que a senhora imaginava?

Em um trabalho de pesquisa, quando o pesquisador encontra muito material, precisa de mais tempo para elaborar, quando não encontra, necessita de mais tempo para procurar esse material. No livro há os dois casos: um grande acervo sobre o antigo Hospital, no Bonfim, e sobre a sede atual, da Barra, com algumas lacunas. Isso dificulta o processo de contextualização. Contextualizar a história da Instituição é importante, para que o livro não reflita uma história factual e para que o trabalho se torne mais rico e inserido no contexto da globalização e da história das mentalidades.

A contextualização histórica enriqueceu muito a pesquisa?

A história atual é global. É a história das mentalidades. O Hospital Português, ou a Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, em seu nome já conta uma história. Tanto a Sociedade quanto o Hospital, analisados apenas monograficamente, não dariam ao trabalho o resultado que se pretende. Ou seja, mostrar a contínua emigração portuguesa no século XIX e as principais mudanças na tecnologia, refletindo na medicina, daquela época aos dias atuais. O primeiro capitulo do livro: ‘De Portugal para o Brasil’ revela quem eram os portugueses que chegavam ao Brasil e de onde vinham. Em seguida, a obra mostra o perfil de ‘Salvador Oitocentista’; as ‘Associações Beneficentes’; ‘O Hospital da Colina do Bonfim’; ‘A Barra e a Nova Casa’. ‘Na Espiral do Progresso’; ‘A Saúde em Campo’; ‘Ultrapassando Limites’; ‘A Quinta Portuguesa’; ‘Histórias da História’; ‘Registros de uma Imagem Real’; ‘Na Linha do Tempo’; ‘Continuidade… Sempre’ esse é o roteiro preliminar do livro, que procura inserir o hospital no contexto das mudanças que atravessa nos seus 150 anos.

Qual o momento atual do projeto? A senhora já começou a escrever o livro?

Atualmente, desenvolvo o trabalho em duas frentes: comecei a escrever os primeiros capítulos do livro, mas continuo o processo de pesquisas. Só finalizarei o mesmo quando todos os prazos estiverem esgotados. Há no pesquisador, sempre, um anseio por responder questões novas. A insatisfação e a história têm de caminhar juntas.

Na sua avaliação, quais os fatos mais marcantes da história do Hospital Português?

Gostaria de grifar o nome da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro. O primeiro fato marcante foi, sem dúvida, a criação da entidade, em 1º de janeiro de 1857. Outras datas são memoráveis: a decisão da construção do Hospital do Bonfim, inaugurado em 16 de setembro de 1866; as festas anuais da padroeira, com pompa e circunstância, sempre em 15 de agosto; a mudança do Hospital para a Barra, ocorrida em 1931; a inauguração da Quinta Portuguesa, em 6 de novembro de 1982, e, mais importante, a responsabilidade social do Hospital, que desde a sua fundação atende a pessoas de todas as classes. Há também acontecimentos marcantes ligados à história da medicina, como o fato de o Hospital Ter realizado o 1º transplante cardíaco do Norte e Nordeste, os 25 anos de transplantes renais e muitos outros. Atualmente, destaco o Programa de Unidades Móveis de Saúde, que realiza um trabalho excepcional nas áreas de pediatria e ginecologia.

Em que contexto foram criadas as primeiras beneficências no Brasil?

No século XIX, surgem as beneficências, que não foram criadas apenas na Bahia, mas no Brasil inteiro, de Manaus ao Rio Grande do Sul. Elas eram fundadas por imigrantes de todas as nacionalidades. A beneficência foi, possivelmente, a instituição importante do novo regime, depois da Revolução Francesa, quando o Estado começou a se separar da Igreja e passou a se responsabilizar por uma série de problemas sociais. As beneficências supriam lacunas, a mais importante, era possibilitar emprego ao emigrante em dificuldade, através do sistema de relações na colônia portuguesa. As instituições surgem não somente com o propósito de construir hospitais, mas como uma espécie de aposentadoria – semelhante ao INSS de hoje – e também para custar despesas, como luto e  funeral. Na mentalidade do século XIX, quando alguém morria, a família tinha de colocar luto, custear um enterro em lugar privilegiado, encomendar uma missa de trigésimo dia. Tudo isso era caro e nem todos os imigrantes que vinham tentar a sorte no Brasil conseguiam arcar com essas despesas.

Como surgiu a idéia da criação do Hospital?

O primeiro estatuto da Beneficência Portuguesa, de 6 de dezembro de 1857, menciona o propósito de criação de um Hospital. No dia 15 de agosto de 1864, a alta sociedade, cerca de 500 pessoas, reuniu-se para a festa de entronização do retrato de D. Luiz I (que se declarou protetor da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, dando a ela o título de Real, em 1863). Nessa festa, a Diretoria revelou a disposição de criar uma casa de saúde ou um  hospital, realizando o tradicional recolhimento de donativos. Foram reunidos  12.222$000 (doze contos de réis), dinheiro suficiente para a compra da casa no Alto do Bonfim.