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O paciente em primeiro lugar — Hospital Português da Bahia

14 de setembro de 2007

O paciente em primeiro lugar

14 September 2007

O paciente em primeiro lugarAlguns materiais, quando reutilizados, oferecem graves riscos aos pacientes, provocando infecções ou até mesmo a morte. Comprometido com a segurança e a saúde dos clientes, o Hospital Português não reutiliza material considerado de uso único pelo fabricante.

“Um material liberado para uso único pode ser danificado após a primeira utilização”, adverte a infectologista e coordenadora do Núcleo de Qualidade do Hospital Português, Dra. Ledívia Espinheira. Além disso, a qualidade desse material não é a mesma, ainda que depois de limpo e esterilizado. “Um outro detalhe é que há riscos de a limpeza não ser feita corretamente. O perigo de contaminação e não funcionalidade do ítem é muito grande”, avalia.

O prazo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a regularização do reprocessamento foi estendido por mais 180 dias, a partir de agosto de 2007. Os hospitais que não se adequarem às novas normas poderão ser advertidos e penalizados com multas e cancelamento da lilicença de funcionamento. A medida da Agência Sanitária visa à segurança do paciente. Materiais indevidamente reprocessados podem conter agentes patogênicos ou perder as características ideais de uso.

O principal motivo para a reutilização é financeiro. Muitos materiais de uso único têm alto custo. Como a negociação com os convênios é morosa e complicada, os artigos são reprocessados. “O hospital que opta por essa prática expõe o paciente a um grande risco”, pondera a coordenadora da Central de Material Esterilizado (CME) do Hospital Português, Ivana Ramos Meira de Souza. “Aqui, preferimos trabalhar com segurança. Nada que o fabricante considere descartável é reutilizado”, ressalta Ivana.

É impossível limpar e esterilizar alguns materiais de uso único, de maneira adequada. Artigos porosos, longos e estreitos, por exemplo, que não são desmontáveis, favorecem o depósito de placas de sujeira, chamadas biofilmes, formadas pelos fluidos corporais do primeiro paciente no qual foi utilizado. Além disso, devido ao diâmetro de suas cavidades, muitos ítens não permitem secagem total. Dessa forma, o paciente fica exposto a infecções pelos microorganismos contidos nos biofilmes e a choques pirogênicos, devido a interações entre medicamentos e material de limpeza.

Central de Material Esterilizado

A missão da CME do Hospital Português é fornecer material estéril, de maneira segura e em tempo hábil. É uma Unidade de apoio, que esteriliza e desinfeta todos os materiais hospitalares permanentes, passíveis de esterilização. O setor serve ao Hospital, ao Centro Médico e às Unidades Móveis. Seu maior cliente é o Centro Cirúrgico. “A CME é muito importante, porque garante a segurança e a qualidade do instrumental cirúrgico que utilizamos nos procedimentos cirúrgicos”, afirma a coordenadora de enfermagem do Centro Cirúrgico, Cyra Magalhães.

A CME promove os meios de limpeza, desinfecção e esterilização dos produtos hospitalares, tornando-os aptos para uso. Os materiais são divididos em críticos -que entram em contato direto com fluidos corporais -, como as pinças cirúrgicas desmontáveis e os trocáteres; os semicríticos, como as lâminas laringoscópicas e as sondas enterais – que entram em contato com as mucosas corporais – e os não-críticos – que entram em contato com pele íntegra, como as máscaras de oxigênio e micronebulizadores. Na Instituição, os críticos e semicríticos, passam pelo processo de esterilização completa. Os não críticos, pela desinfecção de alto nível.

Inicialmente, todos os materiais permanentes passam pelo processo de lavagem, que pode ser manual ou mecânico, em máquina sanitizadora. Na primeira fase, utiliza-se detergente enzimático, que remove as partículas orgânicas. Após a lavagem, o material passa para a secagem.

Depois de secos, os materiais críticos e semicríticos poderão ir para o Sterrad, aparelho que esteriliza os objetos, com peróxido de hidrogênio, ou para a autoclave, que esteriliza com vapor úmido. Os não-críticos não são submetidos a processo de esterilização, mas passam por desinfecção de alto nível. Depois da lavagem e secagem, ficam 30 minutos em solução de hipoclorito. Após esse tempo, o material é lavado com água destilada e colocado em embalagem limpa.