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População da terceira idade adota hábitos saudáveis, se sociabiliza mais e eleva qualidade de vida — Hospital Português da Bahia

14 de fevereiro de 2009

População da terceira idade adota hábitos saudáveis, se sociabiliza mais e eleva qualidade de vida

14 February 2009

Já se foi o tempo em que a palavra “idoso” era associada a ociosidade, desânimo ou acomodação. Os avanços da medicina e da indústria farmacêutica, o aumento da expectativa de vida, o acesso maior à informação e a prática de hábitos saudáveis vêm estabelecendo um novo perfil de comportamento das pessoas da terceira idade. Hoje, elas são consideradas experientes e produtivas. Querem se sociabilizar, ampliar o círculo de amizades, fazer turismo, se exercitar, aprender novos idiomas, conversar pela internet, frequentar universidades e festas, trabalhar em novas profissões. Ainda que persistam situações de desrespeito, preconceito, exploração e violência contra os mais velhos, na data de 27 de fevereiro, Dia do idoso, há motivos para festejar.

“A qualidade de vida dos idosos é bem maior nos dias atuais. Eles estão se cuidando mais, fazem atividades físicas, adotam uma alimentação saudável e são adeptos da medicina preventiva. Estão mais ousados e com vontade de viver. Os idosos de hoje não se acomodam”, observa a geriatra do Hospital Português, dra. Corina Leal Costa. Ela diz que os idosos de outras gerações se conformavam mais facilmente com as limitações provenientes do avanço da idade. Os de hoje incrementam os exercícios físicos, a fim de superar essas limitações e dispor de melhor
qualidade de vida.

Especialistas salientam que, além da prática de atividades físicas e da alimentação saudável, fatores como aceitar mudanças, estabelecer relações sociais e familiares positivas e consistentes, manter o senso de humor elevado, ter autonomia e um efetivo suporte social contribuem para a promoção do bem-estar do idoso e, consequentemente, influenciam diretamente numa melhor qualidade de vida.

Segundo recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil aumentou de 51 anos, em 1990, para quase 73, atualmente. Nesse ritmo de avanço, em 2050, ao nascer, os brasileiros terão uma esperança de vida de 81 anos – mesma taxa hoje verificada entre os japoneses, povo com a maior longevidade do mundo. De acordo com o IBGE, os idosos representam atualmente 10,5% da população do país, cerca de 18 milhões de pessoas.

Alimentação

A alimentação correta é um dos fatores que tem maior influência na saúde e no bem-estar dos idosos. Existe o consenso de que o idoso deve receber uma dieta variada, saudável e balanceada. No entanto, as necessidades protéicas, calóricas e de lipídeos diárias não são muito diferentes das de pessoas mais jovens. Para ser adepto de bons hábitos alimentares, nutricionistas fazem recomendações simples, como ingerir de seis a oito copos de água por dia, mesmo que, habitualmente, esteja acostumado a consumir chás e sucos (a partir dos 60 anos, aumenta a propensão da pessoa ficar desidratada); Beber muitos líquidos, especialmente quando o tempo estiver quente (a sede não é um sinal que traduza as necessidades orgânicas e, por isso, é importante beber mesmo quando não se tem sede. O ideal é que seja água ou bebidas não açucaradas, como sucos ou chá); Alimentar-se a cada três horas, alternando, entre uma refeição e outra, frutas e chás; Fazer, por dia, 3 a 5 refeições em horas certas (não comer demasiado, nem alimentos que não são necessários); Não tentar fazer as dietas da moda – elas não se ajustam às necessidades do idoso; Não comer açúcar em excesso e reduzir as gorduras e os alimentos gordos.

Entre outras orientações, os idosos devem verificar quais são os remédios que causam náuseas e azia, e pedir para o médico programá-los para horários distantes das refeições; Usar ervas, alecrim,
salsinha, coentro, orégano e gengibre, para acentuar o sabor dos alimentos, sem abusar do sal, mesmo quem não sofre de hipertensão; Não beber mais do que um copo de vinho ou de cerveja por
dia, de preferência ao almoço.

A prática de exercícios físicos – sem exageros e com orientação de um profissional de educação física – traz benefícios para a saúde das pessoas e melhora a qualidade de vida em qualquer idade. No caso dos idosos, é especialmente importante, visto que um estilo de vida sedentário pode fazer com que os mais velhos tenham perdas em quatro áreas importantes para sua saúde e independência: força, equilíbrio, flexibilidade e resistência. Pesquisas mostram que a prática de atividades físicas ajuda a manter ou restaurar parcialmente essas quatro áreas.

Além disso, ficar fisicamente ativo pode ajudar a prevenir ou postergar muitas doenças e problemas de saúde. Até mesmo atividades físicas bem moderadas podem melhorar a saúde de pessoas que são frágeis ou que têm doenças que acompanham o envelhecimento.

“Envelhecer não significa que a pessoa deva perder a habilidade de fazer tarefas diárias. Exercícios físicos ajudam idosos a ter mais disposição e aproveitar mais a vida”, afirma dra. Corina Leal Costa. Melhorar a força e resistência torna mais fácil até mesmo a execução de atividades do cotidiano, como subir escadas e carregar objetos. Também ajuda a prevenir quedas e acelera a recuperação de lesões. Vale lembrar que é fundamental que o idoso procure orientação de um profissional de educação física qualificado, para obter a combinação de exercícios físicos adequada às suas necessidades e características, a exemplo de caminhada, corrida, hidroginástica, natação e pilates.

Dez passos para uma alimentação saudável dos idosos

1 – Aumente e varie o consumo de frutas, legumes e verduras. Coma-os 5 vezes por dia.
2 – Coma feijão pelo menos 1 vez por dia, no mínimo 4 vezes por semana.
3 – Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carne com gordura aparente, salsicha, mortadela, frituras e salgadinhos, para no máximo 1 vez por semana.
4 – Reduza o consumo de sal. Tire o saleiro da mesa.
5 – Faça pelo menos 3 refeições e 1 lanche por dia. Não pule as refeições.
6 – Reduza o consumo de doces, bolos, biscoitos e outros alimentos ricos em açúcar para no máximo 2 vezes por semana.
7 – Reduza o consumo de álcool e refrigerantes. Evite o consumo diário. A melhor bebida é a água.
8 – Aprecie a sua refeição. Coma devagar.
9 – Mantenha o seu peso dentro dos limites saudáveis.
10 – Seja ativo. Acumule 30 minutos de atividade física todos os dias. Caminhe no seu bairro. Não passe muitas horas assistindo TV.

Dicas para viver melhor

• Muitas doenças são crônicas, e não é possível ter a cura delas, mas podem e devem estar controladas. Isso, na maioria das vezes, depende muito de você.
• Faça o tratamento de reabilitação de sequelas ocasionadas por alguma doença crônica.
• Mantenha hábitos saudáveis: não fume, não beba em excesso, evite ambientes com ruídos intensos e exposição solar sem proteção.
•Tenha uma alimentação rica em fibras (frutas e verduras) e pobre em gorduras saturadas.
• Pratique uma atividade física. Isso ajuda a melhorar a sua condição física, dá mais disposição, ajuda a controlar doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, diminuindo o estresse, a depressão e o isolamento.
• Tenha um sono adequado: dormir bem ajuda a manter o corpo em bom funcionamento.
• Pratique atividades de lazer, como passear, ir ao cinema, ao teatro, viajar, fazer amigos e dançar. Enfim, tenha como lazer aquilo que lhe dá prazer.
• Mantenha a sexualidade: não valorize apenas o ato sexual. Lembre-se de que o contato e o afeto são muito importantes.
• Tenha metas e objetivos. Planeje o seu futuro. Participe de decisões pessoais, familiares e sociais.
• Não deixe de ter atividades intelectuais. Leia muito, faça cursos, esteja por dentro dos assuntos que acontecem no mundo. Isso contribui para preservar a sua memória.
• Tenha fé, acredite em algo, cultive a espiritualidade. Estudos mostram que são úteis para manter o equilíbrio mental.
• Até o momento, a ciência não descobriu nenhum antídoto para combater o envelhecimento. Suplementação vitamínica, drogas antioxidantes e anestésicos, nenhuma dessas terapias tem base científica que comprove o retardamento dessa fase. No entanto, um estilo de vida saudável, com medidas simples, como as apontadas acima, podem fazer a diferença e proporcionar melhor saúde
e bem-estar.