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Novos medicamentos trazem melhorias e são esperança no tratamento do câncer — Hospital Português da Bahia

25 de abril de 2009

Novos medicamentos trazem melhorias e são esperança no tratamento do câncer

25 April 2009

Novos medicamentos trazem melhorias e são esperança no tratamento do câncerNos últimos anos, a oncologia passou por relevantes melhorias no que se refere a tratamentos, novos medicamentos e resultados para os pacientes. Entre as novidades estão as terapias alvo moleculares, que vão direto no mecanismo de crescimento do tumor ou na vasculatura que irriga o tumor, representando um grande salto na sobrevida e na diminuição dos efeitos colaterais dos pacientes. Sempre acompanhando os avanços na área e empenhado em oferecer um tratamento otimizado e personalizado, o Hospital Português conta com uma estrutura de última geração para o atendimento ao paciente oncológico, que reúne Radiologia, Medicina Nuclear, Radioterapia, Cirurgia Oncológica e o Centro de Oncologia, Unidade Multidisciplinar Ambulatorial, voltada para a assistência do paciente, educação e pesquisa clínica, com oncologistas clínicos, hematologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais.

A coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Português, dra. Clarissa Mathias, destaca que o Serviço obedece a uma filosofia de capacitação profissional, envolvimento com a comunidade, compaixão e excelência dos serviços prestados. “Estas são qualidades fundamentais para pacientes e familiares envolvidos na luta contra o câncer”, frisa a especialista, acrescentando que o Centro de Oncologia é membro do Instituto Brasileiro de Pesquisa Clínica – organização nacional dedicada ao desenvolvimento de pesquisa clínica no Brasil.

Para Clarissa Mathias, o grande diferencial do Centro de Oncologia do Hospital Português em relação a unidades similares existentes em Salvador é a proximidade dos serviços de referência do HP, tais como Radiologia, Radioterapia, Laboratórios de Análises Clinicas e Patológicas e o internamento com enfermagem especializada. “Desta forma, podemos discutir os exames radiológicos e de medicina nuclear com os radiologistas de altíssimo nível e debater o tratamento multidisciplinar com a Radioterapia e a Cirurgia Oncológica”, explica.

A médica diz ainda que todos os pacientes portadores de neoplasia podem ser tratados no Centro, tanto os que necessitam de tratamento oncológico, como aqueles que necessitam de suporte. “Mesmo os pacientes em fase avançada da doença precisam de cuidados de uma equipe multidisciplinar e necessitam de controle da dor e suporte”, afirma. O Centro de Oncologia do Hospital Português oferece os serviços de Oncologia Clínica, Hematologia, Pesquisa Clínica, Enfermagem Especializada, Nutrição Especializada e Atenção Farmacêutica.

Avanços

Nas últimas décadas surgiram novos quimioterápicos, menos tóxicos, mas o grande destaque são as terapias alvo. A principal diferença entre esses medicamentos e a quimioterapia convencional é a capacidade das drogas de alvo molecular de inibir processos que ocorrem na célula tumoral de forma distinta de uma célula normal. De forma geral, essas drogas são divididas em dois grupos: as que atuam ligando-se a receptores na superfície das células e as que se ligam a receptores no interior da célula. As primeiras geralmente são aplicadas de forma endovenosa; já as demais costumam ser de administração oral.

Entre outras novidades no tratamento do câncer estão os medicamentos alvo-dirigidos, mais específicos para cada tipo de câncer. “O tratamento é mais individualizado, fazendo com que o paciente tenha mais tolerância”, explica a oncologista do Hospital Português, dra. Renata Cangussu.

Cada vez mais os médicos defendem que cada paciente deve ser tratado de forma individualizada. Isso porque um esquema de tratamento pode ser bastante eficaz em um caso e não ter a mesma resposta em outro paciente. O tipo de câncer, a localização do tumor, o grau de evolução da doença e o estado de saúde do paciente são fatores que influenciam na tomada de decisão sobre a melhor forma de tratamento. Tudo depende da assinatura genética e molecular do tumor.

Apesar dos avanços nas terapias moleculares, a quimioterapia clássica não foi abandonada. A maioria dos pacientes ainda passa por ela, mas, nos casos em que há drogas disponíveis, as drogas alvo são usadas de forma associada. Apenas em alguns casos, como no tratamento do câncer de rim, que costuma responder muito mal à quimioterapia, o tratamento é feito somente com terapia molecular.

O surgimento de agentes quimioterápicos de administração oral e com menos toxicidade também é um avanço. Hoje se conhece melhor também os efeitos do tratamento e existem formas de intervir para minimizar os efeitos colaterais. Dependendo do caso, a quimioterapia é indicada em diferentes etapas do tratamento. Em casos de tumores muito grandes, ela é feita antes da cirurgia, para ajudar a diminuir o tamanho da área retirada. Se feita depois da cirurgia, a quimioterapia previne a ocorrência de metástase (quando o câncer se espalha, afetando outros órgãos).

Diagnóstico

Especialistas ressaltam a importância da realização freqüente de exames, para possibilitar o diagnóstico precoce. “A descoberta do câncer, o mais cedo possível, permite muito mais opções de tratamento e muito menos tóxicos e bem tolerados, e isso trouxe mudanças em termos da evolução da doença. Há muito mais chances de recuperação e de expectativa de vida”, informa Renata Cangussu.

Clarissa Mathias diz que a melhora nas técnicas de diagnóstico e o fato de as pessoas estarem mais atentas são fatores que contribuem para o sucesso do tratamento. “Percebemos nos últimos anos uma mudança no perfil dos pacientes. Antes, muitos chegavam em estado terminal, e hoje temos muitos com diagnóstico precoce. Isso se reflete na chance de cura, o paciente têm melhores condições de suportar o tratamento, que por sua vez não precisa ser tão agressivo”, comenta.

No dia-a-dia, alguns cuidados com a saúde são importantes para evitar a doença,
como não tomar sol em excesso, não abusar de bebidas alcoólicas, manter o peso equilibrado e fazer exercícios físicos.

Além dos avanços no tratamento dos pacientes oncológicos, outro grande motivo
para festejar, segundo especialistas, é o fato de o câncer estar sendo visto como uma doença crônica, com a qual se consegue conviver, deixando para trás o estigma de “doença devastadora”. “Esse mito está deixando de existir, e isso ajuda muito para o paciente lidar melhor com a doença”, observa Clarissa Mathias. Com tantas descobertas e melhorias, em 8 abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer, há muito o que comemorar.

Fique sabendo

Evolução no tratamento
A quimioterapia tradicional destrói as células cancerígenas, mas ataca tecidos de
crescimento rápido e afeta células sadias de crescimento acelerado, como as do couro cabeludo, mucosa da boca, intestino e medula óssea, principalmente os glóbulos brancos, responsáveis pelo combate à infecção. Já existem drogas de administração oral que melhoram a adesão ao tratamento e têm menos efeitos colaterais.

Drogas alvo-moleculares
O avanço da biologia molecular permitiu um melhor entendimento sobre como as células cancerosas se multiplicam rapidamente e formam novos vasos sanguíneos. A identificação de genes e produtos protéicos que controlam as funções de crescimento e multiplicação celular permite o desenvolvimento das
chamadas terapias alvo-moleculares, que agem diretamente nas células cancerígenas.

Antiangiogênese
Drogas que impedem a chegada de nutrientes e oxigênio até às células cancerígenas, inibindo a formação de vasos sanguíneos e limitando o crescimento e a propagação do tumor.

Inibidores da Tirosina Quinase
Bloqueiam o crescimento do tumor por meio da inibição da atividade de uma enzima responsável por ativar uma série de sinais que levam à multiplicação celular e ao crescimento do tumor.

Anticorpos monoclonais
Reconhecem e se ligam de forma seletiva a antígenos específicos presentes nas células tumorais. Dessa forma, ativam o sistema imunológico para destruir essas células.

Fonte: Dra. Clarissa Mathias e dra. Renata Cangussu, oncologistas do Hospital Português