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A saúde na infância — Hospital Português da Bahia

3 de agosto de 2010

A saúde na infância

03 August 2010

É ainda no ventre materno que começam os cuidados com a saúde do bebê. E ao longo de toda a infância, os pequenos vão exigir atenção e zelo com a saúde. São vacinas, consultas e exames de rotina, riscos de acidentes, busca por uma alimentação saudável – tentando deixá-los longe de guloseimas e produtos industrializados para ingerir alimentos ricos em nutrientes – entre outras questões que os pais precisam administrar para um bom crescimento e desenvolvimento dos filhos. Especialistas afirmam que muitos problemas de saúde dos adultos têm relação direta com maus hábitos durante a infância. Nesta edição, a Revista Imagem Real traz orientações para que crianças cresçam saudáveis e prolonguem os resultados positivos por toda a vida adulta.   

Alimentação 

Frutas, verduras, e outras refeições saudáveis devem fazer parte do cotidiano de toda criança, pois os bons hábitos alimentares são fundamentais para que ela cresça sadia e vão se refletir na sua vida adulta. A criança que consome muito sal ou que bebe leite de vaca (que tem mais sódio do que o materno) tem o paladar estimulado para gostar de alimentos salgados durante sua vida toda e levar a uma sobrecarga renal durante a infância mesmo ou à hipertensão. O leite de vaca não modificado pode causar também alterações metabólicas e obesidade em crianças menores de seis meses. Não é raro que os pais dêem até salgadinhos e frituras para seus filhos de menos de um ano de idade: quase 10% dos bebês já têm acesso a esse tipo de alimento. Açúcar, café, corantes e produtos industrializados também devem ser evitados ao máximo.

Atividade

A combinação esporte/atividade física e alimentação saudável é a principal receita para manter o peso ideal. A vida urbana e sedentária, facilitada pelos avanços tecnológicos, faz com que as crianças não sejam fisicamente ativas, levando a desenvolverem doenças de “gente grande” e podendo até mesmo agravar tendências genéticas.

Hoje em dia, ao contrário de alguns anos atrás, as crianças ficam dentro de casa até nos momentos de lazer – muitas vezes até por opção dos pais, devido à violência urbana – substituindo atividades como correr e jogar bola pelo computador, televisão ou videogame. E não é incomum, junto a isso, estarem com um pacote de biscoito ou salgadinho e refrigerante, agravando ainda mais a situação. Dentro desse contexto, é cada vez mais comum crianças terem dislipidemia (colesterol e triglicérides altos), hipertensão, diabetes, ansiedade e até mesmo depressão.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade São Marcos, com apoio do International Life Sciences Institute (ILSI) revelou que 16% dos estudantes de 10 a 15 anos estão na faixa de sobrepeso e 10% estão obesos. Paralelamente, 81% dos alunos de escolas particulares e 65% dos alunos de escolas públicas realizam menos de dez minutos de atividade física por dia e se encaixam em um quadro de sedentarismo. E mesmo que não esteja acima do peso, a probabilidade de apresentar disfunções como a dislipidemia é grande, exceto por uma genética muito favorável.

A criança que está em formação osteo-musculoesquelética tem que manter atividades físicas associadas à alimentação saudável, para no futuro tornarem-se adultos saudáveis.

Aleitamento materno

Durante os seis primeiros meses, a criança deve se alimentar exclusivamente de leite materno. “O leite materno contém tudo que o bebê precisa até os seis meses de vida, inclusive água”, afirma a enfermeira-chefe da Maternidade Santamaría, Loise Chamusca. Ela destaca que o ato de amamentar exige muita paciência, disposição, dedicação e vontade. Isso porque, nos primeiros dias logo após o parto, é comum as mães sentirem uma dificuldade inicial, é a fase de adaptação, em que elas costumam ficar inseguras, ansiosas e muito cansadas, pois é a fase do “colostro”, que, embora seja um leite super importante, possuidor de mais de 180 anticorpos identificados, é um leite que hidrata, porém não sacia.

Nessa fase inicial, normalmente o bebê tem necessidade de sugar por quase todo tempo, dando a impressão de que está sempre com muita fome. Por volta de 48 a 72 horas após o parto é que se inicia o processo da descida do leite, a apojadura, e é nesse momento que a mãe passa a produzir uma quantidade maior de leite, o recém-nascido fica mais tranquilo e passa a definir intervalos entre as mamadas, dando dessa forma mais confiança a sua mamãe em relação à eficácia do aleitamento.

“Por falta de orientação e de um bom acompanhamento durante a amamentação, muitas mães desistem de amamentar. A mãe precisa antes de tudo acreditar no aleitamento materno e sentir o desejo de amamentar para superar todos os obstáculos que porventura surgirem no decorrer do processo. É muito importante que essas mães aceitem a amamentação com naturalidade, na certeza de que a maioria das dificuldades podem ser corrigidas e que com o tempo e a prática é que conquistam a segurança e a habilidade para finalmente se alcançar o prazer da maravilhosa troca entre mãe-filho no ato de amamentar”, diz Loise.

Depois dos seis primeiros meses é que se deve introduzir outros alimentos – como legumes, tubérculos, cereais, frutas e carnes – podendo continuar com o aleitamento paralelamente até pelo menos os dois anos de idade.

Acidentes

Todo acidente tem uma causa definida, por mais imprevisível que pareça ser. Em geral, são o resultado de uma combinação de fatores, entre eles, falhas humanas e falhas materiais. “Evitar é sempre o melhor remédio. Se podem ser previstos, podem ser evitados”, salienta o pediatra Dr. Fábio Caribé.

Os acidentes ou lesões não-intencionais – que englobam atropelamentos, ocupantes de veículos automotores, afogamentos, queimaduras, quedas, envenenamentos, obstruções de vias aéreas – são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. “Por si, configura como uma séria questão de saúde pública. O trauma é a principal causa de morte em crianças e adultos jovens, e um dos maiores problemas de saúde pública mundial quando considerada a sobrevida, as sequelas temporárias ou permanentes”, comenta o especialista. Estimativas mostram que a cada morte, outras quatro crianças ficam com seqüelas permanentes e que cerca de 90% das lesões poderiam ser evitadas com prevenção.

O conceito de acidentes, como eventos incontroláveis do destino, inesperados e casuais, é errôneo e impede o progresso do seu controle. Deve ser interpretado como um evento previsível e que pode ser prevenido, possibilitando identificar os grupos de risco e, a partir daí, as principais estratégias de prevenção.

Dr. Fábio Caribé observa que, conforme seu desenvolvimento, a criança apresenta novas habilidades e capacidades e diferentes interações com o meio ambiente. “É um ser imaturo, inquieto, curioso e repleto de energia, incapaz de avaliar ou prever as consequências de suas atitudes. Este fato envolve riscos variados, cuja prevenção deve ser conhecida pelos seus responsáveis e por todos aqueles que lidam com ela”, salienta.

Os menores de dois anos, por exemplo, estão mais sujeitos a riscos impostos por terceiros, como queimaduras, intoxicações, colisão de automóvel e quedas; na fase pré-escolar, sofrem mais atropelamentos, acidentes por submersão, quedas de lugares altos, ferimentos, lacerações e queimaduras; na idade escolar, podem ser vítimas de atropelamentos, quedas de bicicletas, quedas de lugares altos, traumatismos dentários, ferimentos com armas de fogo e lacerações; e adolescentes costumam sofrer acidentes de transporte (como motorista e passageiro), atropelamentos, acidentes como ciclistas e motociclistas, fraturas associadas a práticas esportivas, afogamento, homicídios e intoxicações por abuso de drogas.

EVITE OS ACIDENTES

Quedas

  • – Recolha brinquedos e outros objetos do piso.
  • – Os tapetes devem ser fixados com fita adesiva dupla-face ou forro de borracha antiderrapante.
  • – Se qualquer substância líquida for derramada no chão, deve-se secá-la imediatamente.
  • – Não deixar objetos na escada.
  • – Coloque portão de segurança no topo e embaixo da escada, se houver criança pequena em casa.
  • – Andador é contra-indicado para crianças.
  • – Evite brincadeiras de risco na cama.
  • – Crianças menores de 6 anos não devem dormir na parte de cima de beliche.
  • – Coloque dispositivos de segurança nas janelas.
  • – Não coloque berço ou outro móvel próximo à janela.
  • – Brincadeiras de crianças em telhados e varandas não devem ser permitidas.

Queimaduras

  • – As crianças não devem ter livre acesso a eletrodomésticos, fósforo e isqueiro.
  • – As crianças pequenas não devem transitar ou permanecer na cozinha; se houver necessidade, precisam ser continuamente supervisionadas.
  • – Não é seguro lidar com líquidos quentes e, ao mesmo tempo, cuidar de lactentes.
  • – Cozinhar e transportar líquidos quentes são atividades que devem ser executadas por adultos e nunca por crianças.
  • – No banheiro, a água quente, no balde ou na banheira, representa risco para a criança, a qual nunca pode ficar desacompanhada. Deve-se conferir a temperatura da água antes do banho.
  • – Na mesa de refeições, os alimentos devem ser colocados no centro e não se devem usar toalhas.
  • – As crianças não devem ter livre acesso a fios, linhas elétricas, tomadas e interruptores. Devem-se colocar protetores nas tomadas e embutir a fiação.

Intoxicações

  • – Os medicamentos que não estejam em uso e também os desnecessários devem ser descartados de modo seguro.
  • – Os frascos de medicamentos devem ser fechados com a tampa de segurança logo após o uso.
  • – Nunca se deve falar com a criança que o medicamento é doce.
  • – As substâncias tóxicas e medicamentos devem ser mantidos em suas embalagens originais e nunca passados para outras.
  • – Os produtos com possibilidade de causar intoxicações não devem ficar à vista e ao alcance das crianças.
  • – Não há recomendação de se usar, rotineiramente, os xaropes ou suplementos de qualquer natureza, que lhes incentive o uso de medicamentos.
  • – Diante da possibilidade de a criança ter ingerido substâncias tóxicas, a primeira atitude a ser tomada pelos responsáveis é entrar em contato, por telefone, com o centro de assistência toxicológica para receberem orientação. Dessa forma, o número do centro deve estar sempre disponível, perto do telefone.

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