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Vencendo a obesidade — Hospital Português da Bahia

3 de outubro de 2013

Vencendo a obesidade

03 October 2013

“Renasci depois da cirurgia. Sou uma nova mulher, tenho vontade de viver”. Para a técnica de laboratório, estudante da faculdade de Farmácia, Sueli da Trindade, 47 anos, a cirurgia redutora de estômago, também chamada de bariátrica, representou uma transformação radical no estilo de vida. Três meses antes do procedimento, ela deu início a um processo de reeducação alimentar e de hábitos. Desde então, tem sido acompanhada por uma equipe multidisciplinar, formada por nutricionista, endocrinologista, fisioterapeuta, fonoaudióloga, cirurgião, psicóloga, educador físico, anestesista, cardiologista, pneumologista, sempre com apoio das duas filhas e do marido. Hoje, um ano e meio depois da operação, ela comemora a conquista do manequim 42 – fruto da perda de 38 Kg, eliminados com ajuda da prática regular de caminhadas e hidroginástica – que a deixa mais próxima da meta de atingir os 64 kg. Ainda assim, Sueli revela que com a forma atual pôs fim a uma história de 28 anos de oscilações de peso, hipertensão arterial, dores articulares, apneia do sono, ansiedade, baixa autoestima e tentativas intermináveis de dieta com uso de fórmulas e chás. “Vivia um verdadeiro efeito sanfona. Saltei dos 59 kg, aos 19 anos, para 119 kg, aos 22 anos, e não conseguia emagrecer. Sentia necessidade de comer para compensar a ansiedade. Hoje, meu pensamento mudou. Os especialistas me ajudaram a perceber que comer bem, não é comer tudo”.  
O médico gastroenterologista e cirurgião bariátrico do Núcleo de Tratamento e Cirurgia da Obesidade do Hospital Português – NTCO, Dr. Erivaldo Alves, observa que essa conscientização é decisiva para o sucesso pós-cirúrgico – indicado como último recurso terapêutico. “A obesidade é uma doença grave devido a grande quantidade de patologias que estão associadas ao seu surgimento: hipertensão, diabetes, insuficiência vascular, apneia do sono, incontinência urinária, infertilidade feminina, litíase biliar, entre outras. Por isso, a avaliação multidisciplinar é necessária. Caso o paciente apresente doenças associadas é preciso tratá-las antes de submetê-lo a cirurgia”, explica, informando que o NTCO do HP oferece o suporte necessário à definição do tipo de tratamento mais adequado ao paciente: clínico ou cirúrgico. O serviço promove encontros mensais com profissionais de diferentes áreas da saúde, oportunizando ao portador de obesidade o esclarecimento de dúvidas para a tomada de decisão por um novo estilo de vida. “Participei de reuniões com pacientes operados e outros que ainda iam operar. Pude dividir um pouco das minhas expectativas, tirar dúvidas e me senti mais segura quando percebi que não estava sozinha, que outras pessoas enfrentam as mesmas dificuldades e buscam superá-las”, conta Sueli. 
Para quem abandona o acompanhamento clínico após a cirurgia, as chances de reganho de peso são grandes. Segundo o especialista, isso acontece porque os fatores de risco que contribuem para o paciente ser obeso permanecem mesmo após a redução de estômago. Sedentarismo, má alimentação, estilo de vida moderno, fatores genéticos, metabolismo lento, aspectos psicológicos, são algumas causas da doença que afeta 400 mil soteropolitanos – destes, 15% são adultos e 20% crianças – e que projeta o Brasil como 5º país em número de obesos. “Cirurgia bariátrica não é cura para obesidade, é apoio para que o paciente possa conduzir a vida de uma nova forma; porém, ciente de que se não seguir as orientações há grande chance de retrocesso”, adverte, destacando que para quem segue as recomendações médicas as chances de sucesso são de 90%. Dada à complexidade da doença, o acompanhamento multidisciplinar deve ser mantido ao longo da vida, para avaliação da resposta ao tratamento e possíveis deficiências vitamínicas. “É quase um casamento sem volta”, brinca.