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Hiperidrose tem cura — Hospital Português da Bahia

5 de novembro de 2013

Hiperidrose tem cura

05 November 2013

Digitar um texto, segurar um objeto, cumprimentar outras pessoas com um abraço ou aperto de mão, são algumas situações que costumam gerar constrangimento nos portadores de hiperidrose. O suor excessivo causado por uma disfunção nas glândulas sudoríparas afeta aproximadamente 3% da população mundial. Axilas, pés, palmas das mãos e, mais raramente, as regiões da face e cabeça são as mais atingidas. A intensidade do suor varia, mas os impactos psicológicos costumam comprometer o estilo de vida e a autoestima de quem enfrenta o problema. Isto porque boa parte das pessoas desconhece que a hiperidrose tem tratamento e pode ser curada. “Muitos pacientes sentem vergonha de sua condição e não conseguem se relacionar com outras pessoas, alguns desistem de seguir uma faculdade ou carreira profissional e até mesmo as crianças se sentem discriminadas por coleguinhas na escola que não querem brincar com elas porque as mãos estão o tempo inteiro molhadas de suor”, exemplifica o cirurgião torácico do Núcleo de Doenças do Tórax do Hospital Português e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Dr. José Dias.

O especialista lembra que o suor tem importância fisiológica no controle da temperatura do corpo e da quantidade de líquido e sais minerais no organismo. Uma possível falha na regulação do sistema nervoso autônomo dos portadores da patologia faz com que as terminações nervosas simpáticas recebam quantidades excessivas de substâncias que normalmente são liberadas no organismo em situações de estresse, provocando o aumento da produção de suor pelas glândulas sudoríparas. Pessoas com hiperidrose chegam a perder cerca de 2 litros de líquido por dia, enquanto uma pessoa sem o problema elimina em média 1 litro diário. Segundo o especialista, a origem da disfunção ainda não está bem determinada sendo apontadas influências diversas – fatores hormonais, emocionais ou psicológicos. Há situações em que a hiperidrose se manifesta desde a infância. Em 40% dos casos o portador possui história familiar da doença. “O ideal é buscar avaliação multidisciplinar, incluindo dermatologista, psicólogo, endocrinologista em casos de suspeita de alteração hormonal, e cirurgião torácico em casos de maior intensidade ou falha terapêutica do tratamento clínico”, orienta.

 

Embora as causas da disfunção ainda sejam desconhecidas, a medicina tem avançado com relação às formas de tratamento. Cremes dermatológicos, medicações orais e aplicação de toxina botulínica – que bloqueia temporariamente a ação da glândula do suor, geralmente por um período de seis meses a um ano – são algumas opções empregadas na terapia clínica dermatológica. Nas formas mais intensas da patologia é indicado o tratamento cirúrgico, chamado de Simpatectomia Torácica, realizado pela equipe do Núcleo de Doenças do Tórax do Hospital Português. “Este procedimento é recomendado para tratar de forma definitiva os sintomas mais severos da hiperidrose. Por ser um método minimamente invasivo, com baixo índice de complicações, a taxa de cura gira em torno de 95%”, informa o especialista. Para a realização do procedimento são realizadas pequenas incisões axilares com o auxílio do aparelho de vídeo-cirurgia, assegurando maior conforto pós-operatório e rápida recuperação ao paciente, que pode retornar mais rapidamente ao trabalho e as suas atividades diárias.