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Risco em cápsulas — Hospital Português da Bahia

6 de dezembro de 2013

Risco em cápsulas

06 December 2013

Intervenções cirúrgicas, malhação excessiva e até consumo indiscriminado de suplementos vitamínicos. Na busca incessante pela “fonte da juventude” e melhor desempenho físico, cresce o número de pessoas que fazem uso regular de vitaminas e sais minerais com propriedades antioxidantes. A variedade é grande: A, B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9, B12, C, D, E, K, ferro, cálcio, zinco, magnésio, potássio, sódio, fósforo, flúor. No vale-tudo contra os radicais livres a facilidade de aquisição desses compostos dá impulso a uma prática arriscada, sobretudo, para a saúde de quem não apresenta qualquer tipo de deficiência nutricional. Dra. Renata Amazonas, médica endocrinologista do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Português, defende o papel essencial das vitaminas e sais minerais para o bom funcionamento do organismo, mas, na dose certa! O alerta é para o consumo demasiado de alguns nutrientes, em formulações artificiais, que pode ser bastante prejudicial. “O excesso de suplementos de cálcio potencializa a deposição desse elemento nas artérias e o surgimento de pedras nos rins. Nos indivíduos mais susceptíveis, o consumo excessivo de proteínas também pode acarretar prejuízos à função renal. Já o uso abusivo de vitamina A pode causar pseudo-hipertensão intracraniana”, informa.

Antes de se render aos apelos da indústria farmacêutica e às promessas de rejuvenescimento e longevidade dos complexos polivitamínicos, é essencial consultar um especialista para saber como anda o equilíbrio de nutrientes do organismo. A resposta pode ser obtida por meio de exames clínicos solicitados por um médico ou nutricionista. Em geral, quem possui carência nutricional costuma apresentar sintomas como sonolência, unhas quebradiças, perda de cabelo, indisposição e alterações no ciclo menstrual. “Através de exames laboratoriais podemos identificar a deficiência de vitaminas ou de minerais e estabelecer critérios para a reposição desses elementos, com o acompanhamento de um profissional de saúde, proporcionando grandes benefícios aos pacientes”, observa a endocrinologista. Como exemplo ela cita situações de anemia por deficiência de ferro ou de vitaminas, deficiência de vitamina D, mulheres gestantes, idosos, atletas e pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

Quem não apresenta qualquer tipo de deficiência vitamínica, mas faz uso regular de suplementos com objetivos estéticos ou para prevenir doenças (ainda que sem orientação especializada), está sujeito ao comprometimento das funções orgânicas. Isto ocorre porque uma alimentação balanceada já proporciona as vitaminas e sais minerais necessários ao desempenho físico. Quando consumidos em demasia, determinados nutrientes podem ser eliminados na urina, enquanto outros permanecem retidos no corpo, gerando o acúmulo e a possibilidade de doenças. A orientação de Dra. Renata Amazonas é optar pela forma mais simples e natural de repor essas substâncias extrínsecas e essenciais ao corpo humano: a alimentação. Ela explica que na maior parte das vezes é possível repor as vitaminas e sais minerais, exclusivamente, por meio de frutas, legumes, verduras, cereais, entre outros, dispensando o uso de substâncias sintéticas. Mas, é preciso fazer a escolha dos alimentos certos e manter uma dieta diversificada. “Somente quando a dieta não é suficiente, lançamos mão de suplementos artificiais, muito úteis em alguns casos”, conclui.