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Hipotireoidismo e risco cardiovascular — Hospital Português da Bahia

6 de Maio de 2014

Hipotireoidismo e risco cardiovascular

06 May 2014

Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de disfunções da tireoide, de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Isso acontece quando a maior glândula do corpo humano, localizada no pescoço, produz hormônios reguladores do metabolismo em excesso (hipertireoidismo) ou de forma deficiente (hipotireoidismo), afetando todo o organismo. O coração é um dos órgãos que pode sofrer com o problema e apresentar risco de doenças cardiovasculares como infarto e aterosclerose, inclusive em pessoas jovens. O professor, pós-doutor em endocrinologia pela Universidade de Sorbonne e especialista do Núcleo de Tireoide do HP, Dr. Helton Estrela Ramos, explica que a relação entre hipotireoidismo e risco cardiovascular tem sido investigada em estudos recentes, que apontam preocupante correlação com mortalidade por doenças do coração em quem não trata o hipotireoidismo, mesmo quando a doença se apresenta de forma leve e sem sintomas. Confira a entrevista!

1. Como a tireoide interfere no desempenho do coração?

A tireoide é responsável por regular o número de batimentos e a força de contração do músculo cardíaco. Sua disfunção afeta o coração de diversas formas. No hipotireoidismo, que é o problema mais comum e de desenvolvimento mais lento, há principalmente o risco de infarto, de doenças coronarianas, colesterol elevado e de baixa resistência ao esforço físico. Já no hipertireoidismo, o organismo é afetado mais rapidamente, requerendo assistência imediata, pois há chances de causar insuficiência cardíaca, dilatação do coração, cansaço, arritmias e palpitação.

2. Hipotireoidismo tem relação com obesidade, ganho de peso e colesterol elevado?

Apesar do ganho de peso ser um dos sintomas do hipotireoidismo, é um equívoco imaginar que só porque ganhamos alguns quilos, estamos com problemas na tireoide. No entanto, o hipotireoidismo associa-se com ganho de peso, elevação dos níveis do LDL colesterol e pressão arterial. Um estudo recente, feito com pessoas de diversos países, aponta o hipotireoidismo como importante fator de risco de mortalidade por doença cardiovascular.

3. Quais os principais sintomas e sinais do hipotireoidismo?

Cansaço, sono e desânimo em excesso, lentidão, queda de cabelo, pele seca, unhas quebradiças, constipação intestinal, rouquidão, falta de memória, diminuição de libido e infertilidade são sintomas que alertam para algo que não está bem no organismo, indicando um possível hipotireoidismo. O problema interfere diretamente em processos como crescimento, desenvolvimento, raciocínio, força muscular, fertilidade, ciclo menstrual, temperatura corporal, batimentos do coração, ritmo intestinal e controle do peso corporal. Em quadros mais avançados ocorre irritabilidade, sensação de fadiga constante, depressão, inchaço ao redor dos olhos, intolerância ao frio, perda de reflexos e dificuldade para emagrecer ou ganho de peso repentino.

4. Quais fatores desencadeiam o problema?

A doença é muito estudada, porém não há um consenso sobre suas causas. A origem pode variar em cada indivíduo: malformações congênitas, características genéticas, envelhecimento, anticorpos que destroem a glândula, estresse emocional, remoção cirúrgica, baixa ingestão de iodo, uso de medicações para o tratamento do câncer ou hepatites virais, uso de anticonvulsivantes e até fatores externos, como poluição e produtos químicos encontrados em embalagens e plásticos podem ter ligação com o desenvolvimento do hipotireoidismo.

5. Que teste identifica o hipotireoidismo precocemente?

Na presença de sintomas de disfunção cardíaca, por exemplo, uma simples dosagem do TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide) pode avaliar a função da glândula, associado ou não aos níveis de hormônios T4 (tiroxina) e T3 (tri-iodotirosina) presentes no sangue. O hipotireoidismo atinge pessoa de ambos os sexos e de todas as idades, inclusive crianças, contudo, mulheres acima dos 40 anos e homens com mais de 60 anos são mais suscetíveis e devem ser avaliados pelo menos uma vez por ano.

6. Quais os riscos do diagnóstico tardio?

Apesar dos sinais serem facilmente reconhecidos, muitos casos não são diagnosticados, o que representa um perigo: sem tratamento adequado, as doenças da tireoide afetam não somente o coração, mas os ossos, alteram os níveis de colesterol no sangue e aumentam o risco de morte por arritmias e doenças como infarto do miocárdio e derrame.

7. Como é possível prevenir o hipotireoidismo?

Realizando atividade física regular, reduzindo o nível de estresse e adotando uma alimentação bem balanceada.