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Dormir mal afeta o corpo todo — Hospital Português da Bahia

1 de julho de 2014

Dormir mal afeta o corpo todo

01 July 2014

Ter uma noite de sono reparador é fundamental para despertar com vitalidade e disposição. Mais que isso, dormir bem todos os dias é condição indispensável para manter a qualidade de vida em alta, com equilíbrio físico e mental. Pesquisas apontam que diante da privação de sono diversos órgãos do corpo humano são afetados negativamente – coração, pulmões, rins, cérebro – interferindo no humor, no desempenho mental, no apetite, metabolismo e controle do peso, imunidade e resistência a doenças, entre outras funções que, se desestabilizadas, abrem caminho para o surgimento de inúmeras doenças. Investigar os fatores que afetam a qualidade do repouso noturno é o ponto de partida para tratá-los adequadamente. De acordo com Dr. Francisco Hora, coordenador do Laboratório do Sono do Hospital Português – serviço moderno, além de um dos maiores e mais bem equipados do país – a Polissonografia é o exame mais completo para diagnosticar os distúrbios associados ao sono. “É uma avaliação simples, que permite identificar com precisão cada fator que afeta o sono e instituir um tratamento efetivo. Não adianta combater sintomas de forma permanente sem obter uma resposta conclusiva para as suas causas”, afirma.

Segundo pesquisas, nas diferentes fases da vida cada pessoa apresenta uma necessidade diária de sono. Recém-nascidos costumam dormir cerca de 80% do tempo. Mulheres lactantes requerem aproximadamente quinze horas de repouso. Já entre os adolescentes em geral, dez horas de sono por dia são suficientes, enquanto os adultos e idosos se satisfazem dormindo uma média de cinco a oito horas. Apesar dessas variações, uma pessoa costuma passar 1/3 da vida dormindo. O que demonstra a importância do sono (que é regulado pelo cérebro por substâncias químicas) para a regeneração fisiológica do organismo, manutenção da saúde e longevidade. No Brasil, aproximadamente 60% da população apresenta algum tipo de disfunção do sono. Na raiz do problema podem estar comportamentos inadequados na hora de dormir ou mesmo doenças respiratórias, endocrinológicas, cardíacas e até neurológicas – listadas como as principais condições clínicas associadas aos distúrbios do sono.

Doenças respiratórias – Os homens, em particular na faixa dos 30 anos, costumam ter o déficit de sono associado a disfunções respiratórias como a Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS). Causadora de ronco e sonolência diurna excessiva, a Apneia afeta a musculatura da laringe provocando episódios de sufocamento e engasgos durante o sono devido a interrupções breves e repetidas na respiração geradas pelo estreitamento das vias aéreas superiores. Quando não tratada, a doença pode levar ao infarto, AVC – Acidente Vascular Cerebral e à perda da memória.

Doenças neurológicas – A presença de distúrbios do comportamento na fase do sono REM (sigla em inglês, referente ao movimento rápido dos olhos) é apontada por uma pesquisa publicada na revista Neurology como um sinal precoce das doenças de Alzheimer ou Parkinson. Após ter avaliado, por 12 anos, 93 pessoas com esses distúrbios, o estudo sugere a análise desta fase do sono como forma de identificar pessoas, sobretudo homens entre 50 e 60 anos, com risco maior de desenvolvimento de demência. Sintomas como socos, pontapés ou gritos enquanto sonha merecem atenção, visto que no sono REM apenas os olhos e o sistema respiratório costumam se mover. Esta análise do sono pode favorecer o tratamento prévio para a demência, que, em geral, costuma ser identificada a partir de sinais como tremores e rigidez.

Problemas cardiovasculares – Outro agravante do sono ruim é o risco quatro vezes maior de sofrer um AVC. Uma pesquisa da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, afirma que dormir menos de seis horas por noite pode tornar pessoas de meia-idade e idosas mais propensas ao derrame cerebral, em relação a quem dorme sete ou oito horas por noite. Além disso, a privação de sono tem sido associada ao desenvolvimento de hipertensão, aterosclerose (entupimento das artérias por colesterol), falência cardíaca, ataque cardíaco e doenças cardiovasculares. O hábito de dormir tarde e acordar cedo é outra ameaça para a saúde do coração.

Disfunções endocrinológicas – Aumento do apetite e consumo de alimentos calóricos, obesidade e diabetes, são sintomas comumente associados à insônia. Consultar um especialista é essencial para comprovar se a origem dessas mudanças metabólicas é de fato a má qualidade do sono. “Diversos estudos apontam vínculos entre a privação crônica do sono e o aumento do risco de obesidade em longo prazo. É sabido também que o excesso ou a falta de sono aumentam o risco de doenças crônicas, como o diabetes tipo 2”, observa Dr. Francisco Hora. O especialista chama a atenção ainda para alterações hormonais relacionadas às horas sem dormir, como a da melatonina (responsável pela regulação do sono) ou ainda da grelina e leptina (que regulam o apetite). Quem apresenta distúrbios do sono também está sujeito ao estresse e maior ganho de peso, devido ao desequilíbrio nas taxas do hormônio cortisol (que estimula a fome e torna o metabolismo mais lento).

POLISSONOGRAFIA: DIAGNÓSTICO PRECISO DOS DISTÚRBIOS DO SONO

A Polissonografia – exame considerado padrão ouro no diagnóstico de doenças associadas ao sono e introduzido na Bahia pelo Laboratório do Sono do HP – possibilita a identificação precisa dos fatores que interferem na qualidade do repouso e o tratamento mais efetivo para cada paciente. Além da insônia, o exame se mostra eficaz na investigação de mais de 70 tipos de patologias relacionadas ao sono. Segundo especialistas, ao deixar de vivenciar as cinco fases do sono, responsáveis por assegurar um descanso reparador, abre-se uma porta de entrada para uma série de problemas físicos, psíquicos e emocionais. “A privação frequente de sono impede o exercício de funções sistêmicas e regenerativas comumente experimentadas por quem dorme. O sono atua na preservação do sistema nervoso, na regulação do peso, dos níveis glicêmicos, da pressão arterial, na produção de anticorpos”, observa Dr. Francisco Hora.

O exame é realizado a noite, por no mínimo 6 horas. Nesse período, o paciente é monitorado por sensores fixados sobre a pele, conectados a computadores. O acompanhamento proporciona registro simultâneo de múltiplas variáveis fisiológicas durante o sono: posição do corpo, movimento dos olhos (eletro-oculograma), atividade elétrica cerebral (eletro-encefalograma),atividade dos músculos (eletromiograma), oxigenação do sangue (oximetria), fluxo e esforço respiratório, frequência cardíaca e ronco. “A partir da avaliação desses fatores, o médico pode tecer um diagnóstico preciso dos aspectos que prejudicam o sono do paciente, potencializando as chances de sucesso do tratamento”.