Notícias Fique por dentro das novidades e eventos

Hérnia no umbigo — Hospital Português da Bahia

8 de agosto de 2014

Hérnia no umbigo

08 August 2014

A hérnia umbilical (ou paraumbilical) é uma protusão no umbigo – espécie de bolsa formada pela membrana que reveste a cavidade abdominal (peritônio). Surge exatamente na região da cicatriz do umbigo, geralmente, quando uma alça intestinal atravessa o tecido muscular por um orifício ou área frágil na camada forte da parede abdominal que envolve o músculo. Por essa fissura pode ocorrer o escape parcial ou total de um ou mais órgãos, requerendo avaliação médica. Em bebês, o problema tende a desaparecer espontaneamente no primeiro ano de vida, apresentando sintomas semelhantes, embora a hérnia possa estufar quando a criança chora, sem causar dor ou perigo de vida. Dr. Cláudio Zollinger, especialista em cirurgia geral e vice-coordenador da Unidade Gastrohepatologica (UGH) do Hospital Português, esclarece nesta entrevista as causas, formas de diagnóstico, os sintomas, tratamentos e riscos associados ao problema. Confira! 

 

1. Quais fatores causam a hérnia umbilical em crianças e adultos?

Nos adultos, em 90% das vezes, é um defeito gerado pela fragilidade da parede abdominal (causada por má formação ou enfraquecimento nas camadas de tecido protetoras dos órgãos internos do abdômen, devido inatividade física, por exemplo). O problema é piorado por fatores que geram um aumento constante da pressão intra-abdominal – obesidade, esforços em demasia, gestação, obstipação intestinal, DPOC, obstrução de próstata. Em crianças, ocorre pelo não fechamento do anel umbilical após a ligadura do cordão umbilical.

2. Quais sintomas denunciam uma hérnia no umbigo? 

Quando pequenas, as hérnias podem não apresentar sinais externos além do inchaço na área por ela afetada. No entanto, se a abertura no tecido muscular e a protusão aumentarem, a dor pode ser contínua ou intermitente e sua tendência é agravar-se com atividades que pressionem a parte inferior do abdômen, como esforço para evacuar, tossir, levantar peso ou, ainda, se a pessoa permanecer em pé por período prolongado.

A hérnia pode manifestar-se num momento, desaparecer espontaneamente e voltar a manifestar-se de novo. Às vezes, porém, ficam encarceradas, isto é, as alças intestinais não retornam à posição normal. Quando isso acontece, há um bloqueio da circulação sanguínea na parte do tecido em que ocorreu a protusão. Nesse caso, além da dor, surgem náuseas e vômitos. Na presença desses sintomas, procure imediatamente assistência médica.

3. Como é feito o diagnóstico?

O exame da região abdominal é suficiente para estabelecer o diagnóstico de hérnia umbilical em quase todos pacientes. Quando identificada nesse exame, não há necessidade de fazer avaliações complementares. Em casos extremos, principalmente em obesos mórbidos, exames como ultrassonografia e tomografia podem ser úteis.

4. Toda hérnia umbilical deve ser tratada? 

Todos os pacientes com hérnia umbilical devem ser operados eletivamente, exceto aqueles que possuem alto risco cirúrgico e crianças até cinco anos de idade.

5. Quais os riscos para quem possui o problema?

A complicação mais temida da hérnia é o estrangulamento, que ocorre quando o intestino fica preso dentro da hérnia, não podendo mais retornar para o abdômen e, se não for tratado com urgência, sofre gangrena (necrose do intestino). Esta complicação pode ocorrer tanto em pessoas com hérnia pequena como nas com hérnia grande. O estrangulamento provoca uma dor contínua, mais intensa, de várias horas de duração, no local da hérnia. O intestino para de funcionar e o paciente pode apresentar distensão do abdômen (estufamento), perda do apetite, náuseas e vômitos. Esta complicação necessita de operação de emergência.

6. Como é feito o tratamento?

Em geral, somente o procedimento cirúrgico é eficaz para tratar a hérnia. Outros recursos podem apenas atenuar ou retardar os sintomas. Sem tratamento adequado, a doença tende a progredir e corre o risco de exigir cirurgia de urgência. Entretanto, as hérnias menores, que não apresentam sintomas, algumas vezes, podem ser observadas em comum acordo com o paciente. Para aqueles com sérios problemas médicos, a cirurgia pode apresentar maior risco.

O procedimento pode ser feito de duas maneiras: por incisão ou corte, conhecido como método aberto ou convencional, que pode utilizar telas sintéticas ou não. A segunda forma é menos invasiva, por videocirurgia ou laparoscopia. As vantagens e desvantagens de cada técnica devem ser discutidas entre médico e paciente.

Bebês podem ser tratados colocando-se um esparadrapo ou cinta para pressionar o umbigo para dentro da cavidade abdominal. Mas se a hérnia não desaparecer até os 5 anos deve-se recorrer à cirurgia. Na gestação, a hérnia umbilical é mais comum em mulheres que tiveram o problema na infância. Não oferece perigo para o bebê, nem para a mãe, nem dificulta o trabalho de parto. Dependendo do tamanho da hérnia o cirurgião geral ou cirurgião abdominal poderá indicar o uso de uma cinta durante a gravidez e avaliar a possibilidade de cirurgia para reparação na cesárea.