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HP retoma transplantes de fígado e rim — Hospital Português da Bahia

9 de setembro de 2014

HP retoma transplantes de fígado e rim

09 September 2014

Trezentos pacientes transplantados em 12 anos de atividade. Taxa de sobrevivência após 5 anos de cirurgia de 77%, equivalente à dos principais centros de saúde do Brasil e do mundo. Tempo cirúrgico médio de 4 horas – um dos menores do país. Metade dos procedimentos realizados sem a necessidade de transfusão de sangue. Os números do Programa de Transplantes de Fígado do Hospital Português evidenciam o alto nível de evolução conquistado em mais de uma década, que fizeram a operação de alta complexidade se tornar uma rotina na instituição. Tamanho desenvolvimento da terapêutica contrasta com o índice de doações de órgãos no Estado. De janeiro a junho deste ano, a Central de Notificações, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO-BA), registrou um total de 55 doações de múltiplos órgãos. No mesmo período, a instituição realizou através do Sistema Único de Saúde (SUS) 26 transplantes hepáticos e dois de rim (desde a retomada dos transplantes renais, em junho). A quantidade poderia ser maior se houvessem mais doações para atender a demanda crescente de pacientes crônicos terminais que esperam na fila por um órgão.

Dr. Jorge Bastos, cirurgião do Programa de Transplantes de Fígado do HP, professor associado à Faculdade de Medicina da UFBA e pós-doutor em cirurgia hepatobiliar pelo The Queen Elizabeth Hospital, Inglaterra, ressalta que a instituição é pioneira na Bahia nos transplantes de fígado, de rim e na substituição dupla desses órgãos, possuindo infraestrutura de ponta preparada para elevar o volume de cada um desses procedimentos. “Falta maior divulgação sobre a doação de órgãos e tecidos para aumentarmos o nível de conscientização da população. Assim, poderemos ampliar o número de doações e a frequência dessa cirurgia”, observa. Na avaliação do cirurgião do Programa de Transplantes Renais e médico do Centro de Urologia do HP, Dr. Maurício Fucs, é essencial elevar o número de doações renais para diminuir o tempo de espera na fila por um órgão. “O retorno dos transplantes de rim no Hospital tem contribuído para o crescimento do número de pacientes transplantados e, consequentemente, tem ajudado a melhorar o atendimento da demanda da sociedade por esse tipo de procedimento”.

Nesse sentido, os resultados do Hospital se assemelham aos de instituições transplantadoras reconhecidas pela excelência. Após 5 anos da cirurgia, a sobrevida dos rins transplantados é de 78%, já a dos pacientes chega a 85%, na série histórica de mais de 400 transplantes. Tendo uma equipe de cirurgiões qualificada e experiente na realização de transplantes de órgãos, a instituição vem aprimorando o seu desempenho, e a experiência acumulada se reflete na melhora da taxa de sobrevida a cada década. Dra. Margarida Dutra, médica nefrologista e professora associada à Faculdade de Medicina da UFBA observa que muitos pacientes já ultrapassam 20 anos de operados com o órgão transplantado funcionando, tendo acompanhamento contínuo da equipe médica especializada. “É um Programa de grande alcance social que através do SUS oferece aos pacientes a chance de recomeçarem a vida, antes presa à diálise, e retomarem uma rotina normal”, destaca.

É o caso do aposentado Valter Gueudevile, 58 anos, que comemora o resgate da qualidade de vida com o novo rim implantado em junho. Para ele, a cirurgia representa um renascimento completo após 12 anos de sessões de hemodiálise. “As pessoas precisam entender que cada órgão doado significa mais uma vida a ser continuada. A minha melhorou 100%. Antes fazia hemodiálise três dias por semana. Não podia viajar, era muito penoso porque começam a surgir outras complicações durante a terapia”, lembra o aposentado, que agora planeja levar motivação para os ex-companheiros da Nefrologia do HP.

O alto nível de qualificação dos profissionais envolvidos nos dois Programas tem proporcionado a padronização dos requisitos de segurança e qualidade em todos os procedimentos, refletindo em menor tempo cirúrgico, redução dos índices de complicações, aumento da sobrevida e da quantidade de intervenções realizadas por ano. Para Dr. Paulo Lisboa Bittencourt, médico clínico do Programa de Transplantes de Fígado e coordenador da Unidade de Gastro-hepatologia do HP (UGH), o desempenho da equipe multidisciplinar é um fator decisivo para a conquista e manutenção desses resultados de excelência. “Por mais tecnologia que se tenha à disposição, a qualificação e experiência de cirurgiões, clínicos, anestesistas, patologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros profissionais é fundamental”, conclui.