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A plenos pulmões: atividades saudáveis que ajudam a melhorar a capacidade respiratória — Hospital Português da Bahia

5 de janeiro de 2015

A plenos pulmões: atividades saudáveis que ajudam a melhorar a capacidade respiratória

05 January 2015

Tudo começa com uma simples falta de ar. E de repente a dificuldade para respirar surge sorrateira. Passado o desconforto, a vida segue e acreditamos que aquele momento não passou de um simples mal estar. Mas não se engane: esse pode ser o primeiro sinal do corpo de que há algo muito grave acontecendo. Apesar disso, é possível evitar a ocorrência desse tipo de problema com a melhoria da capacidade respiratória, adotando medidas saudáveis, como a prática frequente de atividades físicas e alimentação balanceada.

O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em maio de 2014, aponta que as infecções respiratórias e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ocupam, respectivamente, o terceiro e o quarto lugar no ranking das 10 principais causas de morte no planeta, totalizando mais de seis milhões de óbitos por ano. Entre as causas principais dessas patologias estão o fumo, a poluição e os agentes patológicos espalhados pelo ar.

Pessoas com doenças pulmonares e fumantes tendem a ter uma menor capacidade respiratória e perdem o fôlego rapidamente. Sentem-se mais cansadas, irritadiças, com dores de cabeça. “Estima-se que a maior parte da população mundial utiliza apenas 10% da capacidade pulmonar. Vários hábitos inadequados podem interferir na qualidade da respiração, comprometendo profundamente a saúde do corpo. O principal deles é o tabagismo, que, ao agredir os pulmões, reduz a absorção do oxigênio e compromete as nossas defesas. O sedentarismo, assim como a obesidade, também interfere na qualidade da respiração porque modifica e altera a mecânica ventilatória”, analisa a Pneumologista e Líder do Núcleo de Doenças do Tórax do HP, Dra. Marta Leite.

Porém a boa noticia é que o abandono desses hábitos nada saudáveis e a prática regular de exercícios físicos podem contribuir para a melhoria da capacidade pulmonar, o que, por sua vez, acaba beneficiando todo o aparelho respiratório. É uma reação em cadeia: os pulmões ganham fôlego extra e o corpo pode funcionar melhor com mais oxigênio circulando pelo sangue.

“Existem várias técnicas disponíveis que ajudam a melhorar a respiração, incluindo a Yoga e o Pilates. Mudar hábitos como o tabagismo, controlar o peso e praticar atividade física regularmente são ótimas maneiras para respirar de forma adequada, recuperando e mantendo a saúde”, explica a especialista, que também aponta a natação, corrida, caminhada e bike como as atividades que mais ajudam na melhora da capacidade respiratória.

Existem casos em que as atividades de resistência (em especial a musculação) também ajudam no fortalecimento da musculatura corporal e melhoria da restrição pulmonar, proporcionando a requalificação dos pulmões na captação do oxigênio. Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química (LSSCA), da USP, revelou que a prática de exercícios físicos aumenta a superfície de troca gasosa do pulmão e a quantidade de alvéolos, microestruturas responsáveis pelas trocas gasosas entre o sangue e o pulmão. Como resultado, os níveis de CO2 no sangue caem e a oxigenação corporal aumenta, garantindo uma melhoria significativa no desempenho físico.

Mas vale o alerta: antes de sair por aí fazendo exercícios com a intenção de respirar melhor, é necessário avaliar se os pulmões estão funcionando a pleno vapor. A Dra. Marta Leite dá a dica. “Faça um teste simples: coloque a mão sobre o abdômen e observe sua movimentação. Uma respiração completa exige bastante movimentação da região abdominal. O contrário é sinal de que a sua respiração está alta, superficial e curta, o que favorece o desencadeamento do stress e da ansiedade”.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

 

Apontada como a causa de mais de 40 mil óbitos por ano no Brasil, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se caracteriza pela dificuldade de respiração, falta de ar e cansaço, podendo evoluir para quadros mais graves, englobando bronquite e enfisema pulmonar. Muito comum em fumantes, com idade acima dos 40 anos, a DPOC também pode atingir um pequeno grupo de pessoas que possuem deficiência da proteína alfa-1 antitripsina. “No caso especifico do Brasil, também é importante pesquisar a doença em quem teve exposição a fogão à lenha (mesmo que tenha sido apenas durante a infância) e fumaças ou gases tóxicos, a exemplo dos trabalhadores de cana de açúcar ou carvão que trabalham com a queima destes produtos”, revela o pneumologista do Hospital Português, Aquiles Camelier.

De acordo com o Dr. Aquiles, os pacientes portadores de DPOC podem experimentar a desconfortável sensação de falta de ar e cansaço generalizado para esforços cotidianos ou mesmo em repouso, devido a alguns aspectos relacionados à doença, como a dificuldade de passagem do ar pelos brônquios, a baixa oxigenação do sangue e a perda da elasticidade pulmonar decorrente de cicatrizes extensas nos pulmões.

Para melhorar a qualidade de vida desses pacientes, os especialistas indicam a inclusão de atividades físicas na rotina. E a terapia tem demonstrado resultados muito satisfatórios. Uma pesquisa realizada pelo hospital Kaiser Permanente, da Califórnia (EUA), e publicada na revista Annals of American Thoracic Society, comprovou que a realização de exercícios físicos frequentes pode reduzir o risco de internação hospitalar em até 34%, em comparação com pacientes sedentários.

“Além do tratamento com medicamentos broncodilatadores, importantes benefícios são atingidos com a prática regular da atividade física por meio de exercícios aeróbicos combinados com exercícios de força. Como resultado, percebe-se o aumento da capacidade de utilização do oxigênio pelos músculos de braços e pernas, em conjunto com uma melhor distribuição da circulação do sangue oxigenado por estes músculos, o que faz com que esses pacientes consigam respirar melhor, conferindo o aumento da disposição no dia a dia e redução da sensação de falta de ar”, finaliza o Dr. Aquiles Camelier.