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As diferentes faces da depressão — Hospital Português da Bahia

12 de março de 2015

As diferentes faces da depressão

12 March 2015

Segunda maior causa de incapacidade funcional no mundo, a depressão já foi considerada o mal do século e hoje constitui um grave problema de saúde pública. Uma em cada quatro pessoas tem, teve ou terá algum episódio depressivo ao longo da vida, segundo estudos. Após o primeiro episódio, as chances de reincidência são de 50%. E a cada novo evento, aumenta a perspectiva de novas ocorrências. A médica psiquiatra do Centro Médico Hospital Português e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, Dra. Hercília Oliveira, observa que depressão e doença física estão comumente associadas e que esta relação é bidirecional. “Uma patologia física pode ser um fator de risco para a depressão, assim como este transtorno psiquiátrico pode contribuir para o desencadeamento e desenvolvimento de patologias clínicas. Além disso, o prognóstico de uma doença física provavelmente será pior se esta estiver associada à depressão”, ressalta.

Em alguns casos, como AVC, hipotireoidismo e doença de Parkinson, o processo fisiopatológico da doença física está diretamente ligado à depressão, de acordo a médica.  Em outros, o adoecimento psíquico decorre do enfrentamento dos sintomas crônicos da patologia clínica – como dor e comprometimento da funcionalidade anterior. O efeito de medicações usadas no tratamento destas patologias também pode estar associado ao surgimento do transtorno depressivo. Tamanhas repercussões da depressão têm motivado muitos estudos na área. Alguns mostram os transtornos psíquicos, especialmente as depressões, como uma das causas de mortalidade por suicídio – fato que levou o Ministério da Saúde brasileiro a instituir, em 2006, Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio. “A maioria dos suicídios acontece entre portadores de transtornos psiquiátricos como, por exemplo, a depressão, uma doença que é tratável. Portanto, é preciso falar sobre este assunto para que as pessoas se tornem melhor informadas e sempre que tenham suspeitas ou dúvidas, não deixem de procurar ajuda profissional”.

O tratamento do transtorno depressivo é farmacológico e psicoterápico. Apesar do impacto que a doença pode causar em seus portadores,  o subdiagnostico ainda é um problema comum. Mesmo entre os casos diagnosticados grande parte não recebe o tratamento adequado. Em média, de 10% a 20% dos pacientes com doenças físicas, por exemplo, apresentam sintomas depressivos significativos. Destes, apenas 1/3 são diagnosticados e somente 10% a 30% são tratados adequadamente, segundo a especialista. Na raiz dessa matemática quase sempre aparece o preconceito contra a doença psiquiátrica. “Às vezes, o preconceito existe não só por parte dos pacientes e seus familiares, mas também dos profissionais de saúde, o que dificulta desde o diagnóstico e aceitação do problema, até a procura pela ajuda profissional e a aceitação do tratamento. Há quem acredite que a depressão está associada à fraqueza e falta de força de vontade”.

A tristeza normal e reações adaptativas devem ser diferenciadas do transtorno depressivo. Em geral, quem tem depressão apresenta alguns dos seguintes sintomas: perda do interesse e da capacidade de sentir prazer, humor deprimido, irritabilidade, fadiga, falta de concentração, desesperança, sentimento de culpa, visão negativa do mundo e de si mesmo, ideação suicida, redução do apetite, alterações do sono. A duração dos sintomas, sua intensidade e o comprometimento funcional também são critérios diagnósticos importantes. “Fatores ambientais e genéticos tem uma importante contribuição na etiologia (causa) da depressão, e uma história familiar positiva para a doença deve servir de alerta. Atividade física e outros hábitos saudáveis podem ajudar na prevenção”, conclui a psiquiatra.