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Suporte psicoemocional ao paciente oncológico — Hospital Português da Bahia

5 de agosto de 2015

Suporte psicoemocional ao paciente oncológico

05 August 2015

É de conhecimento geral que os avanços da Medicina no cenário da Oncologia determinaram significativos resultados no controle e remissão da doença, embora predomine no imaginário, a associação entre câncer e terminalidade. O anúncio da doença confunde-se com a sentença de morte, não sendo raras expressões que designem um desfecho trágico (“doença do mal”, “bomba relógio”) para dar significação ao impacto emocional vivenciado pelos pacientes.

O diagnóstico se configura como fase de constituição inicial do vínculo entre o paciente e a equipe assistencial que participará dos seus cuidados. No Centro de Oncologia do HP, é neste momento que o paciente será avaliado por profissionais de cada área assistencial, cabendo à Psicologia a identificação das reações emocionais frente à notícia do câncer, percepção do adoecimento, recursos internos e de enfrentamento, bem como aspectos psicopatológicos prévios e rede de suporte sociofamiliar. Estabelece-se então, o Plano de Cuidados Psicológicos com a indicação de acompanhamento quando observadas demandas na elaboração das perdas reais e simbólicas que, por vezes, são manifestas através das alterações da imagem corporal, autoestima e identidade social.

O diagnóstico do câncer pode desencadear reações de medo e angústia atreladas às toxidades do tratamento, incertezas de controle da doença ou recidivas, associando-se em alguns casos, aos Transtornos de Ajustamento, Depressão e outras psicopatologias. O acompanhamento psicológico se propõe à detecção precoce de sinais e sintomas indicadores de sofrimento psíquico, facilitando que o sujeito ressignifique o processo de adoecer e amenize possíveis impactos na qualidade de vida no convívio com a cronicidade da doença. Estimula-se a autonomia e comprometimento nas ações terapêuticas.

A atenção e cuidado com a organização psíquica do paciente também perpassa pelas intervenções dirigidas aos cuidadores formais e informais que por sua vez, podem emitir sinais de desgaste emocional e dificuldades no gerenciamento das próprias demandas no que toca ao adoecimento e dinâmica de cuidados ao enfermo. A família é incluída portanto, na assistência psicológica e pode necessitar não somente de ações psicoeducativas na sua instrumentalização e manejo de sintomas físicos e psicológicos do paciente, mas apontar para a indicação de psicoterapia a partir do encaminhamento para as redes assistenciais externas.

Compreendendo a interface de variáveis psicológicas no processo de adoecimento e cura de doenças graves como o câncer, dentre outros aspectos que concorrem na complexidade da enfermidade, admite-se um modelo multiprofissional de assistência.  Na perspectiva desta atenção integrada, os profissionais dialogam na vigência de um plano de cuidados singularizado e realístico às necessidades do paciente identificadas. O Psicólogo a partir da avaliação técnico-científica, deve instrumentalizar os demais membros da equipe quanto a dinâmica psíquica do paciente e emergentes distorções perceptivas ou fantasias que porventura se manifestem. Esse modelo assistencial aos pacientes oncológicos do HP abrange ainda o setor de internação do 5º andar, no qual a Psicologia funciona em regime de interconsulta (avaliação psicológica ou acompanhamento conforme prescrição médica, a partir de solicitação formal em prontuário).