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Diabetes Mellitus — Hospital Português da Bahia

15 de setembro de 2015

Diabetes Mellitus

15 September 2015

O diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo desequilíbrio do controle glicêmico do organismo, ou seja, pela elevação dos níveis de açúcar no sangue. Sua causa é a perda de função das chamadas células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de um hormônio essencial para o funcionamento do organismo humano, a insulina. Atualmente, 13 milhões de brasileiros são diabéticos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes; destes, 40% desconhecem que tem a doença. Para entender melhor este assunto que afeta direta ou indiretamente tantas pessoas, Dr. Joaquim Custódio, presidente da Sociedade Bahiana de Endocrinologia (SBEM Bahia), mestre em Ciências pela Universidade Federal da Bahia e médico do Serviço de Endocrinologia do Hospital Português, lança luz sobre a questão. Confira a entrevista!

1.    Quais são os principais fatores de risco, prevenção e sintomas do diabetes?

O diabetes tipo 1 (comum na infância e adolescência) é causado por um quadro de autoimunidade, e ainda não pode ser prevenido. Já o diabetes tipo 2, responsável pela maioria dos casos e normalmente iniciado na idade adulta, tem relação íntima com o aumento dos índices de sobrepeso e obesidade da população. A influência genética (histórico familiar de diabetes) também é um fator de risco importante. A melhor forma de prevenir a doença, segundo inúmeros estudos científicos, é praticar atividade física regularmente (caminhada, corrida, natação, etc.) combinada com uma rotina de alimentação saudável – restringindo carboidratos de rápida absorção (como açúcares) e gorduras saturadas (como frituras), e privilegiando verduras e alimentos com fibras.


2.   
Diabetes tem cura?

Infelizmente, ainda não há cura para o diabetes, mas o seu tratamento evoluiu bastante e há diversas opções terapêuticas disponíveis. Para quem possui índice de massa corpórea acima de 35 kg/m2 e desenvolveu diabetes devido à obesidade, a cirurgia bariátrica, além de induzir a perda de peso através de alterações no trato intestinal, pode favorecer o controle da glicemia. Contudo, após a cirurgia é preciso cuidar rigorosamente dos hábitos de vida e manter suplementação vitamínica, para evitar que os níveis de açúcar se elevem novamente.


3.   
Quais as principais complicações para o organismo?

O diabetes é uma doença silenciosa, que causa danos graves ao organismo se não for bem controlada. Olhos, rins, circulação sanguínea, nervos dos membros inferiores (pernas) são algumas áreas afetadas pela doença, que também aumenta muito o risco de complicações cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame).


4.   
Como tratar o diabetes?

No tipo 1, o tratamento consiste no uso da insulina. No tipo 2,  existem diversos medicamentos orais (comprimidos) que agem de diferentes formas no organismo, estimulando a maior produção de insulina ou facilitando a ação desse hormônio. Medicações recentemente lançadas trazem novos mecanismos de ação, como o controle de um hormônio que aumenta a glicose (chamado glucagon) e a maior eliminação da glicose pela urina. Entretanto, em uma parte dos pacientes com diabetes tipo 2 os comprimidos não funcionam bem (especialmente depois de muito tempo de doença) e o uso da insulina passa a ser necessário para controlar a glicemia. Independente do tratamento medicamentoso utilizado, a aderência às medidas comportamentais (exercício físico regular e controle dietético) é crucial para o sucesso terapêutico.


5.   
Como descobrir se é portador da doença?

O diagnóstico é simples e baseia-se na medida da glicemia após jejum de pelo menos 8 horas. Duas medidas acima de 125 mg/dl definem o diagnóstico. Outras formas são a dosagem da glicemia após sobrecarga de glicose e o teste da hemoglobina glicada, que mede o comportamento da glicemia nos 3 meses anteriores. Após o exame o médico clínico ou endocrinologista será capaz de confirmar ou não o diagnóstico de diabetes e instituir o tratamento adequado.