Notícias Fique por dentro das novidades e eventos

Microcefalia — Hospital Português da Bahia

14 de dezembro de 2015

Microcefalia

14 December 2015

Os mais de mil casos de microcefalia identificados em 311 municípios de 14 estados brasileiros (nove na região Nordeste) chamam a atenção da sociedade e dos órgãos de saúde para as formas de prevenção da doença que, em 2014, teve 147 casos registrados em todo o país. Considerada uma condição neurológica rara, em que o crânio apresenta circunferência inferior a 33 centímetros, a malformação congênita está sendo investigada em 1.248 recém-nascidos nos últimos três meses, segundo o Ministério da Saúde (MS). Pernambuco tem o maior número de casos suspeitos (646) e recebe acompanhamento de equipes do MS desde 22 de outubro. Em seguida, estão Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Rio de Janeiro (13), Tocantins (12) Maranhão (12), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (1) e Distrito Federal (1). Entre as notificações há sete óbitos, conforme boletim epidemiológico do MS, de 28 de novembro, que confirma a relação entre o Zika vírus e o surto de microcefalia na região Nordeste. A entidade informa que busca esclarecer a transmissão do vírus, sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e o período de maior vulnerabilidade para a gestante (inicialmente associado aos primeiros três meses de gravidez), visto que esta relação é inédita na pesquisa científica mundial. Agora, o MS intensifica a campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do Zika vírus, Dengue e Chikungunya, e reforça a importância do pré-natal no diagnóstico precoce da doença. “O acompanhamento médico durante todos os meses da gestação é fundamental para que sejam instituídos meios para promoção da segurança e saúde da gestante e do bebê”, ressalta o coordenador médico da Maternidade Santamaria do Hospital Português, Dr. Leomar Lyrio.

O médico explica que o diagnóstico da microcefalia pode ser feito ainda no início da gravidez, através de exames de imagem como a ultrassonografia, que podem indicar presença de anomalias associadas a outras características biométricas (como comprimento dos ossos e circunferência abdominal) relacionadas à idade gestacional. “As dificuldades no diagnóstico são a imprecisão nas medições de perímetro cefálico e as inconsistências nas curvas pré-natal e pós-natal de crescimento do perímetro cefálico”, destaca o obstetra. Após o nascimento do bebê uma avaliação clínica da região cefálica pode confirmar a malformação congênita, considerando valores de referência para a circunferência da cabeça fetal (50 centímetros). Crianças com microcefalia possuem problemas no desenvolvimento e costumam apresentar deficiências cognitiva, visual, auditiva, locomotora, entre outras. Fatores genéticos, exposição a substâncias tóxicas, desnutrição, infecção por toxoplasmose, citomegalovírus e sífilis no início da gravidez, também são reconhecidos como desencadeadores da doença. “O prognóstico para crianças com microcefalia depende da causa subjacente. A gravidade da disfunção cognitiva está relacionada geralmente com a gravidade da microcefalia. Há casos em que a manutenção do crescimento pós-natal (peso e altura) permite um desenvolvimento mais favorável da criança, independente da etiologia subjacente”, informa.

A microcefalia não tem cura e requer acompanhamento médico especializado em diferentes áreas da medicina para promover o melhor desenvolvimento possível dos seus portadores. Em casos específicos, nos primeiros meses de vida, a cirurgia é uma alternativa para amenizar os impactos do problema, conforme explica Dr. Leomar Lyrio. “A microcefalia é caracterizada pelo fechamento craniano precoce, seja durante a gestação ou logo após o nascimento da criança. Esse aspecto compromete o desenvolvimento cerebral. Assim, o tratamento cirúrgico visa separar ligeiramente os ossos do crânio para refrear a compressão do cérebro que impede o seu crescimento”. De acordo com o obstetra, quando indicado, o tratamento cirúrgico pode contribuir para evitar consequências mais graves em crianças com diagnóstico da doença, melhorando o seu desenvolvimento intelectual e a qualidade de vida.