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O poder dos alimentos — Hospital Português da Bahia

14 de dezembro de 2015

O poder dos alimentos

14 December 2015

Mais do que um recurso para saciedade da fome ou deleite da degustação, os alimentos são fonte vital de nutrientes e energia para o corpo humano. Ante os inúmeros apelos da indústria alimentícia, o grande desafio na atualidade tem sido reunir sabor e saúde na mesma refeição. Para os brasileiros, essa difícil tarefa começa a refletir em mudanças de padrão alimentar com consequências. Dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA mostram que o consumo de embutidos é crescente no país, assim como a tendência a incorporar hábitos norte-americanos como o fast-food. Hoje, o excesso de peso atinge 52,5% da população nacional, enquanto a taxa de obesidade já supera os 17%, segundo o Ministério da Saúde. A relação entre hábitos alimentares e o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, hipertensão e câncer, é cada vez mais evidenciada em pesquisas. Selecionar os alimentos certos representa uma atitude necessária para a conquista de uma vida longeva e saudável na avaliação de especialistas, como a chefe de Nutrição do Hospital Português, Gildete Fernandes, e a líder do Centro de Oncologia HP, Dra. Clarissa Mathias, que comentam os riscos e benefícios contidos na comida de cada dia.

O risco dos industrializados

A atual facilidade de acesso à informação permite que mais pessoas conheçam as vantagens de um estilo de vida saudável. Apesar disso, na hora de escolher o que comer o gosto pessoal prevalece. Nenhum problema até aí, já que especialistas no assunto estimulam tornar o momento da refeição prazeroso. A questão é se o alimento é nutritivo. No caso dos industrializados, a aparência atraente, o sabor e aroma agradáveis, somados à praticidade no preparo conquistam milhões de consumidores em todo o mundo. E poucos se interessam em saber a quantidade de gorduras saturadas ou de aditivos químicos, como corantes e umectantes, estão consumindo. “Hoje, a expectativa de vida é bem maior que no passado, temos evolução científica e industrial, porém com perda na qualidade da alimentação devido ao consumo de alimentos artificiais”, avalia Dra. Clarissa Mathias.

Em outubro deste ano, a Organização Mundial de Saúde – OMS fez um alerta sobre o perigo de ingerir carnes processadas como presunto, hambúrguer, salsicha, mortadela, bacon, dentre outras. Embasada em estudos, a OMS incluiu esses itens no rol de produtos com evidência suficiente de ligação com o câncer, como o cigarro e a fumaça de óleo diesel. Comer cerca de 50 gramas diárias desses embutidos aumenta em 18% o risco de uma pessoa desenvolver câncer colorretal – segundo tipo mais frequente em mulheres e terceiro entre os homens, no Brasil. A ameaça à saúde é causada pela alta concentração de aditivos químicos que prolongam a conservação do alimento e estimulam o paladar, através do aroma e sabor artificiais. De acordo com a Sociedade Brasileira de Química – SBQ, altas quantidades de nitratos e nitritos de sódio são utilizadas como conservantes nos embutidos para impedir o crescimento de espécies de bactérias e conferir cor e sabor. A SBQ informa que após a digestão no organismo esses componentes adquirem ação carcinogênica.

A nutricionista Gildete Fernandes observa que muitos produtos processados possuem aspecto de alimento, mas nenhum valor nutricional. Ainda assim são altamente consumidos no Brasil, onde culturalmente o prazer de comer sobrepõe o valor nutritivo das refeições. “Saciar a fome não significa suprir somente as necessidades energéticas essenciais ao funcionamento dos órgãos e tecidos. É preciso atentar para a qualidade do que se come, optando por alimentos integrais, com o mínimo de conservantes e variados o suficiente para cobrir necessidades de vitaminas, minerais e líquidos”, adverte. Esse cuidado frequente contribui para prevenir uma série de doenças, inclusive o câncer. A especialista orienta consultar as características básicas dos produtos no rótulo da embalagem, que deve conter prazo de validade, composição, valor nutricional, origem, forma de conservação, dentre outras informações determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. “Conferir essas informações antes da compra é essencial para conhecer as propriedades nutricionais do produto e outras características indicativas de que a escolha é saudável ou não”, ressalta.

Abandonar comportamentos de risco poderia evitar cerca de 30% dos casos diagnosticados de câncer, de acordo com Dra. Clarissa Mathias. A oncologista explica que embora alguns agentes não possam ser mudados, como a história familiar de câncer e a idade avançada, por exemplo, com determinação e apoio especializado é possível transformar outros fatores de risco relacionados ao estilo de vida e minimizar as chances de adoecer. Nesse sentido a medicina preventiva atua sobre comportamentos que ameaçam a saúde, propondo a modificação de hábitos como deixar de fumar, praticar exercícios físicos, consumir alimentos saudáveis, visitar o médico regularmente e evitar o estresse.  “Estamos diante de uma doença com origem multifatorial, em que diferentes aspectos oportunizam o seu surgimento, desde má alimentação até outras doenças associadas”.

Benefícios dos alimentos naturais

Se a carência de nutrientes é prejudicial ao organismo, os excessos também podem ser danosos e favorecer o surgimento de doenças. Equilíbrio é a palavra de ordem quando se trata de alimentação saudável. Na prática, essa equalização é obtida em refeições que contemplem todos os grupos alimentares essenciais ao organismo: energéticos (óleos, gorduras, doces, açúcares, massas, cereais, raízes e tubérculos), construtores (leites e derivados, leguminosas, carnes, feijão e ovos), reguladores (frutas, verduras e água). Dessa maneira, o organismo estará recebendo todos os nutrientes essenciais para o bom funcionamento celular, explica Gildete Fernandes. “Pessoas bem nutridas possuem maior resistência física e qualidade de vida. Para que a reeducação alimentar funcione é fundamental gostar do alimento. Um especialista pode ajudar nessa transição e descoberta de novos sabores saudáveis, ajustando as quantidades para um consumo diário”.

A opção de preparar a própria comida utilizando ingredientes como verduras, legumes e carnes magras; ou de trocar o lanche pronto por uma fruta fácil de ser transportada, como maçã ou banana, pode ser ainda mais vantajosa se o cardápio incluir um grupo de alimentos potencializadores do organismo: os antioxidantes. Nesse rol estão os grãos integrais, o azeite de oliva, as frutas cítricas e vermelhas, as sementes oleaginosas (amêndoas, castanha de caju, castanha-do-pará, nozes e amendoins), entre outros. Além de nutrientes, eles fornecem grandes concentrações de substâncias que retardam o processo de envelhecimento celular, combatem os radicais livres e aumentam a imunidade, protegendo o organismo de doenças crônicas como aterosclerose, obesidade, diabetes, hipertensão; e degenerativas, como câncer, Alzheimer e Parkinson.

Diferentemente dos alimentos industrializados – que reúnem altos níveis de toxinas e causam morte celular tanto quanto agentes estimulantes dos radicais livres, como cigarro e bebidas alcoólicas – os antioxidantes previnem a formação de radicais livres, são ricos em vitaminas, minerais e aminoácidos, que proporcionam pleno funcionamento das funções de respiração, renovação e multiplicação celular. Consumir esses alimentos regularmente motiva a produção de células saudáveis e a eliminação toxinas. “O que o corpo não elimina fica impregnado na corrente sanguínea, repercutindo em forma de doenças. Uma alimentação saudável deve promover a absorção de nutrientes e a eliminação de toxinas”, diz a nutricionista, lembrando que segundo o Ministério da Saúde, alimentação saudável é aquela que é acessível, não é cara, é saborosa, harmônica em quantidade e qualidade, naturalmente colorida e variada, preparada com alimentos tradicionais e segura do ponto de vista microbiológico.