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Infecções durante o Carnaval — Hospital Português da Bahia

1 de fevereiro de 2016

Infecções durante o Carnaval

01 February 2016

Dizem as más línguas que, na Bahia, é Carnaval o ano todo. Mas é no período que antecede a quaresma que, oficialmente, acontece a maior festa popular do planeta. Esse ano, a folia começa mais cedo do que o habitual, entre os dias 4 e 10 de fevereiro e o movimento turístico segue crescendo na capital baiana desde os primeiros dias do verão. Dados da Secult (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia) apontam que a cidade deve receber, ao todo, cerca de 1 milhão e 800 mil visitantes durante todo o período. Com o crescimento do contingente de pessoas, atrelado a uma série de fatores, aumenta também a preocupação com as viroses e outras infecções, costumeiras nessa época. Há de se levar em conta também a atual situação referente às chamadas arboviroses, em especial as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti: dengue, chikungunya e zika.

Um olho no mosquito e outro nos visitantes

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a Suvisa (Superintendência de Vigilância e Proteção a Saúde) – órgão ligado a SESAB (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia) – declarou que o combate ao Aedes Aegypti continua sendo prioridade entre os focos de atenção durante o Carnaval. Para o Infectologista e Presidente da Comissão do Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Português, Dr. Alessandro Farias, é importante alertar-se a fatores bem específicos durante o período da festa, como por exemplo, a quantidade de lixo que acumula nas ruas, que podem oferecer uma gama de objetos propícios para formação de criadouros do mosquito.

Dr. Alessandro ressalta que Salvador convive com grandes epidemias referentes às arboviroses há um bom tempo. Isso implica, epidemiologicamente falando, que a probabilidade de novos surtos nesse período não deve ser alta, considerando o recente histórico, somado ao fato de que a maioria da população pode ter criado imunidade aos vírus em questão. A atual alerta em relação ao tema se deve às consequências posteriores que essas epidemias acarretam, caso da associação do zika vírus com o aumento nos casos de microcefalia em recém-nascidos e, principalmente, ao fluxo de turistas, comum nessa época do ano. “Nesse sentido, temos dois cenários: esses visitantes podem trazer diferentes sorotipos do vírus da Dengue ou, justamente por serem novos no local, podem estar suscetíveis aos sorotipos descobertos por aqui. Nos dois casos, existe a probabilidade de gerar novos surtos, pois o mosquito continua aí”, esclarece o Infectologista, que acrescenta aconselhando. “É importante tentar eliminar ao máximo os possíveis focos do Aedes Aegypti. Em caso de suspeita de infecção, é fundamental que o indivíduo se preocupe em identificar os chamados sintomas de risco, que são: dores abdominais, vômitos incessantes, sangramentos, tontura e redução do volume de urina; e procurar assistência médica com urgência”.

Sorotipos são os grupos de microrganismos inter-relacionados. A dengue tem 4 sorotipos conhecidos. Já a Chikungunya e a Zika, apenas um. Isso significa que uma pessoa pode contrair o vírus da dengue em quatro oportunidades distintas e apenas um contágio por Zika e Chikungunya. Depois disso, o organismo cria imunidade a esses sorotipos.

Além dos sintomas listados, o Infectologista sugere algumas especificidades para diferenciar os três tipos de Arboviroses.

Zika: Dura cerca de três dias. Geralmente tem um pico de febre baixa. O que chama atenção são as lesões de pele, a vermelhidão nos olhos e dor nas articulações.

Chikungunya: Apresenta um quadro clínico com mais febre que a zika e menor, se comparada a dengue. Essa febre pode durar até dez dias. O grande problema são as dores nas articulações, que podem permanecer por até 1 ano, em alguns casos.

Dengue: Popularmente conhecida como a ‘febre que quebra ossos’, a dengue apresenta um quadro muito específico. A hipertermia dura, no máximo sete dias e vem acompanhada, normalmente, com mais dois sintomas.

Não é só o Aedes Aegypti que preocupa

Em 2009, uma epidemia do Vírus Dalila lotou os postos de saúde durante e após o Carnaval de Salvador. O nome era uma referência à música “Cadê Dalila”, cantada por Ivete Sangalo naquele ano. Desde então, virou praxe; a virose que enche os postos de saúde com pacientes infectados pós-folia ganha o nome da música do Carnaval. De acordo com o Dr. Alessandro, as viroses, incluindo as respiratórias, têm muito mais facilidade de se propagar do que as infecções bacterianas, o que justifica essas epidemias durante o Carnaval.

Por outro lado, as infeções bacterianas e as DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) são verdadeiros motivos de cautela. “As pessoas parecem ter relaxado em relação ao uso do preservativo. A prevalência do HIV no Brasil tem se mantido, diferente do resto do mundo, que apresenta uma queda. Além disso, estamos tendo um aumento considerável nos casos de Sífilis que, inclusive, é uma doença muito subnotificada e o país está tendo dificuldades para conseguir a Benzetacil, droga de escolha para o tratamento dessa doença”, alerta o Infectologista.

Além do uso irrestrito do preservativo, o Infectologista também alerta para as consultas preventivas, que podem identificar outros tipos de doenças sexualmente transmissíveis, como gonorreia, clamídia, herpes, entre outras. Identificá-las com antecedência é a maneira mais adequada para evitar quadros mais graves. Em relação às infecções virais e bacterianas, Dr. Alessandro resume. “É importante sempre manter a higiene das mãos, tentar evitar aglomerações, hidratar-se bastante e certificar-se sobre a limpeza e procedência dos alimentos que ingere”.

Revista Imagem Real Fevereiro – 2016

http://www.hportugues.com.br/imprensa/revista-imagem-real