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Doença Renal Crônica: prevenção é decisiva — Hospital Português da Bahia

3 de março de 2016

Doença Renal Crônica: prevenção é decisiva

03 March 2016

Doença Renal CrônicaDiretamente ligada a maior sobrevida da população, bem como, ao consequente aumento dos casos de diabetes e hipertensão arterial, a Doença Renal Crônica (DRC) é responsável pelo ingresso de novos pacientes a cada ano nos programas de diálise no Brasil (cerca de 8%), e já está sendo considerada “a epidemia do século”. Os gastos anuais do Ministério da Saúde com a doença superam 2,2 bilhões de reais. No censo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em 2014, mais de 110 mil pessoas integravam os programas nacionais de diálise, e a expectativa é de que esse número dobre na próxima década. Estima-se que o país concentre 10 milhões de portadores de DRC em diversos estágios, embora cerca de 60% sequer saibam que portam a doença. Dra. Margarida Dutra, médica líder do Serviço Nefrologia do Hospital Português e membro da SBN, explica que a enfermidade pode cursar totalmente assintomática. “A DRC pode não ter sintomas nas fases iniciais e só se manifestar tardiamente, revelando a necessidade de terapia renal substitutiva”.

A atenção maior é para os principais grupos de risco para desenvolver DRC: hipertensos, diabéticos e seus familiares, obesos, fumantes e pessoas com mais de 60 anos; pois, são mais suscetíveis a apresentar problemas nos rins. Além de consulta médica anual, a prevenção deve incluir aferição da pressão arterial, dosagem de glicemia e da creatinina (para estimar a função renal), sumário de urina e ultrassonografia de aparelho urinário, nos casos indicados. Atualmente, o alerta vem se expandindo também aos usuários de suplementos alimentares proteicos e anabolizantes de forma exagerada. A prática difundida em academias de ginástica tem desencadeado casos de jovens necessitando de hemodiálise e/ou transplante renal precocemente. O mesmo vale para o uso constante de medicações, como analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais, que podem lesionar permanentemente os rins.

Segundo a nefrologista, medidas simples de modificação do estilo de vida (evitar o fumo, ter uma dieta saudável, manter exercícios físicos regulares, o controle rigoroso da diabetes e da pressão arterial) podem prevenir ou retardar a evolução da DRC. “O aumento da demanda por Terapia Renal Substitutiva (TRS), no Brasil, não tem sido acompanhado da maior oferta de serviços especializados, ao contrário, alguns têm sido fechados devido, principalmente, ao sub financiamento pelo SUS, que responde por 85% da TRS nacional”, observa. Outro agravante para quem possui DRC é o número reduzido de especialistas em Nefrologia no país. A SBN contabiliza pouco mais de 3 mil nefrologistas, numa proporção de 1 especialista para 66 mil habitantes. No Nordeste a relação é de 1/99 mil habitantes. “A gravidade da epidemia de DRC no Brasil requer duas medidas fundamentais: prevenção, para reduzir o número de pacientes ingressando na diálise, e aumento da doação de órgãos para realização do transplante renal”.

Em março, o Dia Mundial do Rim, na segunda quinta-feira do mês, alerta a sociedade sobre a DRC e, neste ano, chama a atenção para a doença em crianças. Uma das estratégias da campanha será a distribuição de material educativo nas escolas visando alcançar também os familiares sobre a necessidade de prevenir e controlar o diabetes e a hipertensão para evitar a DRC. No Hospital Português, a data será lembrada pela palestra aberta ao público sobre Prevenção da DRC, no dia 10 de março, às 15 horas, no auditório do Centro Médico HP. Desde 2007, a Instituição participa ativamente de campanhas e atividades educativas em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Além disso, o seu Programa de Transplante Renal é referência, tendo centenas de pacientes beneficiados, desde 1980.

Revista Imagem Real Março – 2016

http://www.hportugues.com.br/imprensa/revista-imagem-real