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Rouquidão — Hospital Português da Bahia

5 de abril de 2016

Rouquidão

05 April 2016

rouquidãoFacilmente reconhecida devido à modificação do timbre habitual de voz, a disfonia ou rouquidão acontece diante de disfunções que afetam a laringe – órgão do aparelho respiratório humano onde estão localizadas as cordas vocais. Os motivos do problema são diversos e abrangem infecções, inflamações, alergias respiratórias, malformações de nascimento, traumas na laringe e obstruções causadas por alimento ou corpo estranho. Na maioria dos casos, o sintoma desaparece em poucos dias com a eliminação do seu agente causador. Entretanto, a rouquidão prolongada ou recorrente deve ser investigada e tratada por um especialista, pois pode evidenciar a existência de um problema mais sério de saúde, conforme explica o Dr. Miguel Andrade, otorrinolaringologista do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Português. Confira a entrevista!

1. Muita gente cuida da rouquidão com receitas caseiras. Quais os riscos dessa conduta?

A rouquidão é um sintoma muito comum e certamente já foi ou será experimentada por todos nós em algum momento de nossas vidas, devido a gripes, resfriados ou processos alérgicos, por exemplo. Mas, não é por isso que deve ser negligenciada. Muito pelo contrário! A rouquidão pode ser um sinal de alerta para uma doença mais grave, como o câncer de laringe; para doenças crônicas, com grande impacto na nossa qualidade de vida, como o refluxo gastresofágico; e pode até incapacitar pessoas que dependam da voz para sobreviver, como cantores, atores e professores.

2. Em que momento deve-se buscar ajuda de um especialista?

É fundamental que toda rouquidão com duração superior a 7 dias seja investigada. E não menos importante é a prevenção, principalmente para os profissionais da voz, que devem procurar o otorrinolaringologista ao menos 2 vezes por ano, assim como os pacientes tabagistas, que carregam consigo um maior risco de desenvolver doenças laríngeas.

3. Quais causas da rouquidão merecem uma atenção especial?

As neoplasias malignas (câncer) são, sem sombra de dúvida, as patologias que mais merecem nossa atenção, no que se refere às doenças da laringe. Apesar da gravidade desses casos, temos grandes índices de cura, seja com cirurgia ou radioterapia, quando o diagnóstico é feito precocemente, ainda com a doença em estágio inicial.

4. Como o problema pode prejudicar as cordas vocais? Esses danos são reversíveis?

A rouquidão é um sinal de que algo não vai bem na complexa estrutura das cordas vocais. Ela pode ser reversível, quando é fruto de uma infecção de vias aéreas superiores (gripes e resfriados) ou quando se trata de um nódulo vocal (calo) ou pólipo, por exemplo, que respondem bem ao tratamento clínico e fonoterápico. Mas, pode também ser irreversível, como o que acontece com as pregas vocais dos fumantes, que sofrem um processo de degeneração mixomatosa, que confere a esses pacientes uma voz grave e bem característica, e cuja melhora depende de procedimentos cirúrgicos e da interrupção do tabagismo.

5. Que orientações devem ser seguidas para evitar o problema, especialmente no caso de quem utiliza a voz como instrumento de trabalho?

É importante que respeitemos os limites do nosso corpo. E isso vale também para a nossa laringe, que é formada por uma série de músculos com papeis bem definidos na nossa respiração, deglutição e fonação. Particularmente, com relação ao uso da voz, é imprescindível que o profissional tenha intervalos de repouso vocal, realize hidratação adequada e não se submeta a jornadas semanais extenuantes, sob pena de adquirir lesões orgânicas nas cordas vocais, com consequente perda da qualidade vocal, necessidade de tratamentos prolongados e, às vezes, até um afastamento precoce das suas atividades por incapacidade para o trabalho.

Revista Imagem Real Abril – 2016

http://www.hportugues.com.br/imprensa/revista-imagem-real