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Diabetes: o risco por trás do sabor — Hospital Português da Bahia

9 de junho de 2016

Diabetes: o risco por trás do sabor

09 June 2016

O número crescente de diabéticos em todo o mundo tem motivado pesquisas para maior entendimento das diferentes causas da doença. À medida que a ciência evolui nessa investigação, novos elementos surgem para confirmar o que pouca gente gosta de saber: o comportamento de risco (leia-se sedentarismo, sobrepeso e má alimentação) tem forte relação com a diabetes tipo 2, doença adquirida e agravada ao longo dos anos. No Brasil, enquanto o problema atinge nove milhões de pessoas, estudos revelam um estilo de vida comprometedor: sedentarismo entre 48,7% da população adulta do país, sobrepeso entre 52,5% e alto consumo de doces (cinco vezes ou mais na semana) por 25% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. Considerando os hábitos modernos, a especialista do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Português, Dra. Maria Creusa Rolim, destaca a relevância cada vez maior da alimentação no surgimento de doenças crônicas como a diabetes. “A comida sempre foi fonte de prazer humano, pois libera substâncias de bem-estar no cérebro. Isso acontece quando comemos doces, por exemplo. O problema está no excesso de calorias do alimento, na grande liberação de insulina no organismo e no estímulo à formação de uma flora intestinal particular, composta por bactérias que aumentam a necessidade de comer doces. Embora pareça natural comer guloseimas, em algum momento, pode virar um vício”, alerta.

Fora de controle

A afirmação da especialista tem base em estudos que relacionam a diabetes com o eixo microbioma-intestino-cérebro. Um deles foi publicado em 2015, pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, sobre a interação multifatorial da dieta, do microbioma e do controle do apetite – The multifactorial interplay of diet, the microbiome and appetite control: current knowledge and future challenges. Ao avaliar o complexo ecossistema microbiano do trato gastrointestinal humano, com mais de 100 trilhões de microrganismos (10 vezes maior que o número total de células humanas), o estudo encontrou indícios de que o desequilíbrio da microbiota intestinal tem relação com diversas doenças e síndromes, entre as quais a obesidade e diabetes do tipo 2. A explicação para esse resultado está nas bactérias que habitam o intestino e podem influenciar a escolha alimentar a ponto de causar compulsão. Assim, comer determinado grupo alimentar habitualmente gera uma proliferação de microorganismos intestinais característicos do alimento em questão. Além disso, durante o processo digestivo o microbioma libera substâncias que atuam na produção de hormônios do bem-estar, sendo associados à comida ingerida. “Somos estimulados a comer errado, frequentemente, pela indústria alimentícia; e comendo em excesso, ganhamos peso. Este sim é um grande vilão que faz o organismo não dar conta dos processos metabólicos necessários à manutenção de níveis glicêmicos em valores normais. Havendo predisposição genética, as chances de ter diabetes tipo 2 aumentam”.

Alimentos que “viram açúcar”

Nem sempre uma alimentação que oferece riscos para o desenvolvimento de diabetes vai possuir sabor adocicado. É o caso dos lanches típicos de fast-foods, que são ricos em carboidratos e pobres em fibras e vitaminas. Apesar disso, quase ninguém se lembra de que eles vão se transformar em açúcar no organismo. “Tenham gosto adocicado ou salgado, os carboidratos vão virar ‘açúcar’ durante a digestão. Macarrão, farinha de mandioca, arroz branco, frutas, brigadeiro, bolo, bolachas salgadas, são exemplos de carboidratos simples que rapidamente se transformam em glicose e posteriormente em gordura (célula responsável por acumular energia em nosso organismo)”, adverte a especialista, orientando cautela na escolha do que comer. Ela indica prestigiar alimentos variados e pratos coloridos com verduras cruas e cozidas, que auxiliam no controle do nível de glicose, possuem muitas fibras e vitaminas, e ainda favorecem uma flora intestinal equilibrada e com bactérias benéficas. “Opte por refeições coloridas, com folhas verdes, verduras cozidas, frutas frescas (porque as desidratadas perdem vitaminas). Coma proteínas (animais ou vegetais) e carboidratos de forma controlada; pois eles precisam se misturar com outros alimentos para promoverem uma microbiota saudável. Mescle carboidratos simples e mais complexos (feijão, macarrão e arroz integrais) aos alimentos naturais”, orienta. A endocrinologista observa ainda que é possível obter prazer similar ao proporcionado pelos doces com a prática de atividade física. “Para viver mais e melhor é preciso conhecer os verdadeiros vilões e mudar velhos hábitos”.

O papel da Insulina

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM, a Diabetes Mellitus é uma doença crônica, caracterizada pelo desequilíbrio entre insulina e glicose no organismo. O problema envolve o metabolismo da glicose (açúcar) no sangue, podendo ser apresentado de várias maneiras. O tipo 1, mais presente em crianças e jovens, é ocasionado pela falência das células do pâncreas, que deixam de produzir insulina. Já o tipo 2 afeta mais os adultos e costuma ter relação com fatores ambientais, comportamentais e genéticos. Nesse segundo tipo, o organismo produz insulina, mas resiste à ação do hormônio, elevando os níveis de glicose no sangue. Dois dos principais fatores para a diabetes tipo 2 são obesidade e o sedentarismo. Por ser uma doença silenciosa, a diabetes requer atenção e cuidado, pois pode gerar complicações como insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, AVC e infarto.

Revista Imagem Real – Junho 2016

http://www.hportugues.com.br/imprensa/revista-imagem-real