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Obesidade e distúrbios do sono

14 de março de 2019

As mudanças no modo de vida da população, nas últimas décadas, agora, se refletem no aumento crescente do Índice de Massa Corporal (IMC): a cada cinco brasileiros, um convive com o excesso de peso. A obesidade (doença crônica, considerada principal epidemia moderna) já afeta mais de 20% da população adulta do País, ou seja, cerca de 27 milhões de brasileiros, conforme dados do Ministério da Saúde. Dentre os danos potenciais ao bem-estar, gerados pela obesidade, estão os distúrbios do sono. Apresentar uma qualidade de sono ruim, de modo recorrente, é um dos indícios de que o excesso de peso está afetando a saúde, de acordo com o coordenador do Laboratório do Sono do Hospital Português, Dr. Francisco Hora. “A obesidade e o sobrepeso são dois agravantes importantes dos distúrbios do sono, pois acarretam sintomas diversos, como insônia, ronco e até apneia obstrutiva do sono, que comprometem a saúde física e mental”, informa.

Estudos sobre as consequências da gordura corporal excessiva para o organismo, realizados com o público feminino, mostram, por exemplo, uma tendência maior para o desequilíbrio hormonal. Além de provocar queda nas taxas de hormônios femininos e aumento de hormônios masculinos (motivando surgimento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade), as alterações metabólicas, decorrentes da obesidade, afetam a qualidade do sono. Foi o que apontou uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada na Revista Menopause, em 2018, relacionando a obesidade como fator prejudicial ao sono de mulheres na pós-menopausa.

Os pesquisadores submeteram as participantes da pesquisa ao exame de Polissonografia, responsável por monitorar o padrão do sono e registrar os transtornos a ele associados. Ao todo, foram avaliadas 53 mulheres, com idades entre 50 e 70 anos, sem uso de terapia hormonal. A partir de dados como IMC, circunferências da cintura, do quadril e pescoço, o estudo considerou dois grupos de mulheres: portadoras de obesidade e não portadoras. Os principais resultados revelaram que o sobrepeso e a obesidade abdominal feminina influenciam nos distúrbios do sono, diminuindo o tempo de adormecimento profundo e a sua eficiência, bem como, elevando o risco de apneia obstrutiva do sono, em até 60%.

Dr. Francisco Hora observa que a maior prevalência de apneia obstrutiva do sono, entre homens e mulheres com obesidade, é confirmada por revisões das evidências científicas nessa área. “Os distúrbios respiratórios do sono, como o ronco e a obstrução das vias aéreas superiores, parcial (hipopneias) ou total (apneia), são transtornos frequentemente diagnosticados durante a Polissonografia, especialmente, entre pacientes com obesidade”, ressalta. Outros sintomas comumente associados ao sono ruim, de acordo com o especialista, e que prejudicam a saúde, desse público, de modo geral, são: fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, alterações sensoriais, redução da imunidade, comprometimento expressivo das funções metabólicas, intelectuais e cognitivas, sobretudo, da memória e do aprendizado.

A relação de problemas crônicos, como a obesidade, com a má qualidade do sono, também foi observada em mulheres na faixa etária dos 40 aos 59 anos, na pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Parte do público analisado (19%) relatou dificuldades para dormir, em quatro ou mais noites, por semana; outra parte (35%) disse dormir menos de sete horas, por noite. Dr. Francisco Hora informa que diversos achados científicos, nessa área, também confirmam a relação de mão dupla entre os distúrbios do sono e o sobrepeso. “Ao mesmo tempo em que a obesidade e o sobrepeso aumentam as chances de dificuldade para dormir, os distúrbios do sono são importantes indutores do ganho de peso”, afirma.

Essa inter-relação se deve a alterações no metabolismo, que são agravadas pelo tempo insuficiente de repouso. Quem dorme mal tem indisposição, cansaço, dificuldade para se concentrar e se dedicar a um programa regular de atividade física, além de prejuízo nos níveis hormonais responsáveis pelas sensações de fome e saciedade. Outra característica presente nos insones, de acordo com o especialista, é a ansiedade, que contribui para o “ataque” noturno à geladeira e o consequente ganho de peso. “Identificar os fatores que prejudicam e interferem no padrão do sono é essencial para restabelecer o bem-estar e viabilizar, inclusive, o controle do peso para uma vida saudável”, finaliza.

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