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Importância da imunização no recém-nascido

8 de outubro de 2019

Carla Verena Silva Oliveira é enfermeira Chefe da UTI Neonatal do HP

O reaparecimento de doenças erradicadas, como o sarampo, é resultado da aderência abaixo da meta de vacinação, neste caso, a tríplice viral, que previne o sarampo, rubéola e caxumba. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os casos da doença no mundo tiveram alta de 300%, comparando um mesmo período em 2018 e 2019. As crianças, especialmente os bebês, são as principais vítimas, uma vez que, suas defesas imunológicas estão em formação. Nesta entrevista, a enfermeira Chefe da UTI Neonatal do Hospital Português, alerta sobre a importância da vacinação e quais são as doenças que ocorrem por consequência da falta dela em recém- nascidos.

1- Quais são as vacinas para recém-nascidos e o porquê devem ser tomadas?

Com mais de 40 anos existência, o Brasil possui um dos maiores programas de imunização do mundo, o Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, em que são ofertados 45 diferentes imunobiológicos, utilizados para prevenção ou tratamento de doenças. O calendário infantil dos recém-nascidos até crianças de dois anos é composto por 12 vacinas, entre elas: BCG, Hepatite B, penta/DPT, VIP/VOP, Pneumococcica 10V, Rotavirus, Meningococcica C, Febre Amarela, Hepatite A, Tríplice viral, Tetra viral e Influenza. Todas estão disponíveis na rede pública. Existem outras vacinas complementares na rede privada. As crianças estão mais suscetíveis às doenças, por isso o quanto mais cedo for iniciada a vacinação, mais cedo elas estarão protegidas. As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger de doenças transmissíveis.

2- Como elas agem no organismo?

As vacinas são obtidas a partir de partículas do próprio agente agressor, sempre na forma atenuada ou inativada. Quando aplicada em uma pessoa, têm a função de estimular anticorpos, e estes, por sua vez são responsáveis pela defesa do nosso organismo. Então, fica claro que a vacina ensina o nosso organismo a se defender, quando somos expostos a agentes virulentos ou bacterianos. Isso ocorre por meio da memória do sistema imunológico que é reativada quando expostos a esses agentes, limitando ou eliminando totalmente as suas ações.

3- A vacina é a melhor forma de prevenir doenças? Quais?

Sim. As vacinas são seguras e previnem cerca de 19 enfermidades, como a paralisia infantil, tuberculose, hepatites, sarampo, coqueluche, difteria, tétano, gripe, pneumonia, doença meningocócica, varicela, rubéola, febre amarela, caxumba, entre outras. A vacinação é de extrema importância para a criança e a comunidade.

4- – Quais as consequências da não imunização?

Os resultados são o reaparecimento de doenças erradicadas e o aparecimento de surtos, o que desencadeia o aumento da morbimortalidade infantil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que anualmente duas a três milhões de vidas são salvas por conta da vacinação.

5- No Brasil, o que estaria provocando a queda na vacinação? Muitas doenças já foram erradicadas devido aos pais acharem que não existe mais a necessidade de imunizar os filhos. Seria essa justificativa?

Existem algumas justificativas para a queda da imunização no Brasil. Correntes religiosas, correntes naturalistas, e o receio das reações adversas que as vacinas podem provocar. No entanto, o procedimento é muito mais brando do que enfrentar a própria doença. Em 1998, surgiu o mito que vinculou a vacina tríplice viral, que previne o sarampo, caxumba e a rubéola ao autismo. Esse estudo foi publicado em uma revista médica, em Londres, pelo médico Andrew Wakefield, descrevendo 12 crianças que desenvolveram comportamentos autistas e inflamação intestinal grave.
Em comum, dizia o estudo, que as crianças tinham vestígios do vírus do sarampo no corpo. Isso contribuiu para baixa adesão à vacina e reaparecimento da doença.
Na última década, foi observado no Brasil, um movimento nas classes mais elevadas que têm acesso a informação, de pais que evitam vacinar seus filhos, levantando associação entre vacinas e algumas patologias, apesar de muitos estudos comprovarem que essa relação não existe.