Notícias Fique por dentro das novidades

Entenda o mieloma múltiplo

15 de abril de 2020

*Artigo produzido pela Dra. Adriana Barretto de Mello, especialista do Grupo CAM/Centro de Oncologia Hospital Português.

O mieloma múltiplo (MM) é um tipo de câncer das células sanguíneas, onde ocorre o aumento do número de plasmócitos anormais na medula óssea. Esse distúrbio representa 1% de todos os tipos de câncer e equivale a 10-15% das neoplasias hematológicas, no mundo. Segundo dados da Associação Brasileira de Leucemias e Linfomas (ABRALE) estima-se que sejam realizados, a cada ano, 7 mil novos diagnósticos de MM, no Brasil, principalmente, entre homens afrodescendentes e acima de 65 anos. Em pessoas com menos de 40 anos de idade, a incidência é de apenas 2%.

O plasmócito, célula que causa a doença, é importante para o nosso sistema imunológico porque é um dos responsáveis pela produção de imunoglobulinas, que nos ajudam na defesa de infecções, entretanto quando estas células sofrem mutações e começam a produzir proteínas alteradas (que chamamos de proteínas monoclonais), eles podem promover as complicações relacionadas à doença como lesões nos ossos, fraturas, aumento de cálcio, alteração da função renal, entre outras.

 

Os pacientes, habitualmente, apresentam quadros de anemia, dores ósseas, infecção, disfunção renal, perda de peso e alterações neurológicas que podem estar associadas à elevação do cálcio. Dentre as manifestações menos frequentes encontramos massas tumorais, hiperviscosidade do sangue e sangramentos. O diagnóstico é feito através de correlação clínica, laboratorial, exames de imagem e abordagem medular.

Dentre os exames laboratoriais, a eletroforese de proteínas, imunofixação sérica e urinária, dosagem de free light e a dosagem de imunoglobulinas são importantes para auxiliar no diagnóstico e definir o melhor momento de iniciar o tratamento. A avaliação de medula óssea também deve ser realizada para demonstrar e quantificar a presença de plasmócitos monoclonais, incluindo os exames de mielograma, biopsia de medula óssea e, se possível, a fenotipagem e cariótipo de medula. Já os exames de imagem podem demostrar a presença de lesões ósseas que variam de osteoporose e lesões líticas até compressões na coluna.

O tratamento para mieloma múltiplo pode incluir quimioterapia, radioterapia, e, nos pacientes mais jovens e com boa resposta clínica, a realização do autotransplante de medula óssea. Nos últimos anos, diversos avanços ocorreram tanto para o diagnóstico, quanto para o tratamento. Assim, hoje, temos diversas opções terapêuticas para oferecer aos pacientes. Essa perspectiva atual nos possibilita alcançar uma maior sobrevida dos pacientes, como também, elevar a qualidade de vida, durante e após a terapia.

É importante destacar que pacientes com MM apresentam manifestações clínicas semelhantes às de outras patologias, como anemia, dores ósseas e insuficiência renal. Esse quadro pode, muitas vezes, gerar perda de tempo com avaliações em diferentes especialidades até que se chegue à avaliação de um médico hematologista para obter o afastamento do diagnóstico de MM. Assim, converse sempre com o seu médico e tire as suas dúvidas sobre o assunto!