Notícias Fique por dentro das novidades

Asma, doenças pulmonares e Covid-19

12 de junho de 2020

*Dr. Octávio Messeder, coordenador da UTI Geral do HP

Dentre os desafios enfrentados pelos profissionais da saúde, diante da infecção viral provocada pelo novo coronavírus está o cuidado de pacientes com maiores chances de desenvolver sintomas mais graves da doença. A insuficiência respiratória aguda é um dos cenários de maior atenção nesses grupos de risco. Logo, quem já possui problemas respiratórios crônicos diagnosticados, como asma ou outra doença pulmonar, deve seguir cuidados preventivos especiais, no atual contexto de pandemia de Covid-19. Médico pneumologista e coordenador da UTI Geral do Hospital Português (HP), Dr. Octávio Messeder orienta medidas preventivas e os tratamentos para esses casos. Confira a entrevista!

Quais cuidados devem ser tomados por portadores de asma, no atual contexto?

Os pacientes que têm doença respiratória crônica (asma, doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC ou sequelas de doenças respiratórias) são pacientes que já não têm a plena capacidade pulmonar. No caso da asma, os cuidados dependem do nível de gravidade. A asma leve, bem controlada, não representa um risco de adquirir o novo coronavírus, mas pode levar ao desenvolvimento de uma resposta brônquica que seja agravante da Covid-19. Já aqueles portadores de asma grave, em uso crônico de corticoides (que geram uma redução da imunidade) podem ter mais facilidade de contrair infecções.

Como deve ser o tratamento preventivo da asma e dos demais problemas respiratórios?

Envolve o controle da asma com o uso de medicações. Para aqueles com doença avançada, enfisema ou bronquite crônica, é também importante seguir à risca as orientações de afastamento social, as precauções de contato, principalmente respiratório, com uso de máscara e lavagem das mãos, a fim de minimizar o risco de contrair a Covid-19.

Buscar o acompanhamento médico ajuda a evitar o risco de complicações?

Sem dúvida alguma. Buscar atendimento médico especializado, de modo preventivo, significa poder ter a asma ou doença pulmonar crônica bem controlada e receber as orientações de cuidados efetivos, que no momento de pandemia não podem deixar de serem seguidas, como volto a dizer usar máscara, manter o distanciamento social e a lavagem das mãos.

Essa orientação se estende aos fumantes e portadores de demais doenças pulmonares?

Sim. Os fumantes e portadores de problemas respiratórios se enquadram no grupo de pessoas com processo pulmonar prévio. O paciente com DPOC e o fumante que apresenta quadros de bronquite ou enfisema são pacientes com risco potencial de desenvolvimento de complicação, por já terem certo grau de deficiência respiratória prévia, que pode ser leve como também pode ser muito grave. Nesses casos, a Covid-19 traz um alto risco de complicações e, por isso, a adoção de todas as medidas preventivas é fundamental.

É possível distinguir sintomas da asma dos sinais de infecção por coronavírus?

Geralmente, o coronavírus se apresenta como uma doença viral (com presença de febre e tosse). Já a asma se caracteriza mais pela falta de ar com brocoespasmos, os famosos chiados. Quando o paciente com Covid-19 apresenta falta de ar e é asmático, cabe ao médico realizar o exame clínico do sintoma para diagnosticar se a manifestação de insuficiência respiratória tem relação com um quadro de pneumonia viral ou com uma crise de asma.

Como o senhor avalia o suporte multidisciplinar e de tecnologias de ponta no cuidado desses pacientes?

A Covid-19 é uma doença que requer tratamento multidisciplinar. O paciente hospitalizado, pela sua gravidade, pode precisar de tecnologias de assistência que envolvam o uso de bons respiradores (por ser uma doença respiratória com potencial gravidade), tecnologias de monitorização, bom suporte ventilatório, disponibilidade de diálise (tecnologia para substituição de órgãos) caso o paciente apresente esse grau de falência. Contudo, por trás da tecnologia existe o trabalho integrado de toda uma equipe preparada para o tratamento efetivo desses pacientes. Desse modo, vejo o suporte multidisciplinar em relação à Covid-19 como essencial, incluindo a atuação conjunta de infectologistas, pneumologistas, enfermeiras especializadas em cuidado crítico, fisioterapeutas, entre outros profissionais do time assistencial.