4 de setembro de 2020
Devido à pandemia, muitos pacientes deixam de ir aos consultórios médicos e isso pode ser perigoso para a saúde desse importante órgão
As patologias cardiovasculares representam 30% das mortes registradas no Brasil. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mais de 257 mil pessoas vieram a óbito este ano, em todo o país. Na Bahia, foram 28. 062 mortes, sendo 180 a cada 100 mil habitantes, em 2020. E a pandemia pode ser um agravante nesse quadro, já que muitos pacientes estão deixando de ir aos consultórios médicos para diagnosticar ou tratar doenças que acometem o coração. Como consequência disso, os casos podem ser agravados e até mesmo tornarem-se irreversíveis.
O cardiologista e coordenador do Serviço de Cardiologia do Hospital Português, Dr. Maurício Nunes, diz que um dos principais focos de discussão e preocupação dos profissionais de saúde são os grupos de risco por se tratarem de pessoas com mais chances de desenvolver um quadro grave da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Integram este grupo, portadores de diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol alto, além dos fumantes, sedentários, os que fazem uso exagerado do álcool, dentre outros. O cardiologista alerta para que esses pacientes, em especial, não deixem de usar a medicação habitual prescrita pelo médico e nem evitem ir a uma unidade de saúde, caso apresentem algum mal estar. O atendimento imediato pode determinar a sobrevivência do paciente. “Não acredite naquele remédio que você leu que faz bem, acredite naquele que te dá segurança.”, orienta o médico.
Nova realidade
Para Dr. Maurício Nunes, as pessoas precisam se adaptar diante da nova realidade, que é a pandemia, especialmente quem apresenta algum tipo de doença arterial coronariana. “É necessário se adaptar a um exercício físico compatível com sua patologia”, alertou o especialista.
O isolamento social, que leva as pessoas a ficarem mais tempo em casa, pode interferir na saúde física. A mudança de hábitos, devido à pandemia, fez com que muita gente buscasse derivativos na rotina. Para o cardiologista, buscar aplicativos de ginástica, assistir a um filme, ler, conversar com o parceiro ou ligar para amigos e parentes são atitudes benéficas para o coração. “Esses hábitos diminuem descarga de adrenalina e cortisol que podem ser danosos para o órgão”, destacou o médico.
De acordo com o cardiologista, o paciente não deve postergar a ida a um consultório médico ou a uma unidade de saúde caso apresente algum mal estar. “Se você tem alguma doença, não se preocupe. Os hospitais estão setorizados e podem tratar qualquer patologia sem o risco de contaminação por coronavírus”, assegura Dr. Maurício Nunes.
Estilo de vida saudável
Mesmo em época de pandemia, é importante, ainda que de forma adaptada para cada caso, seguir um o estilo de vida mais saudável, por meio de uma alimentação balanceada aliada a prática regular de exercícios físicos. As boas práticas evitam doenças e são boas para a saúde do coração. “Para os grupos saudáveis, o recomendado é fazer atividades físicas de três a quatro vezes por semana, andar de 40 a 60 minutos. Se possível, correr ou andar de bicicleta. Para quem não tem tempo disponível, então mexa-se! Suba lances de escadas ao invés de pegar o elevador, estacione um pouco distante e vá andando para o trabalho”, orienta o cardiologista.
Ainda segundo o especialista, muitos casos de doenças cardíacas podem ser evitados se houver uma mudança na rotina. Adotar um estilo de vida mais saudável, como controlar o excesso de peso, beber com moderação não fumar, dormir bem e fazer atividades físicas regulares, assim como ir ao médico regularmente são medidas para viver com saúde.
–Dicas para uma vida melhor–
*Recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia