Notícias Fique por dentro das novidades

Artigo Científico: Perspectivas do Tratamento do Cálculo Renal — Hospital Português da Bahia

29 de março de 2004

Artigo Científico: Perspectivas do Tratamento do Cálculo Renal

29 March 2004

Para o tratamento intervencionista pode ser feito através da Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO), Litotripsia Intracorpórea através de orifício na pele (Nefrolitotripsia Percutânea – NP), Litotripsia Intracorpórea por via endoscópica através do Ureter (Litotripsia Ureterorenoscópica – URS) e Cirurgia Aberta (CA).

A maioria dos cálculos renais é eliminada espontaneamente, não exigindo tratamento intervencionista. Quando há indicação de tratamento, a escolha do método adequado exige análise de vários fatores relacionados ao cálculo – diâmetro e localização -, relacionados ao paciente – presença de dor, obstrução, infecção, doenças associadas – e relacionadas ao método – experiência e treinamento da equipe médica, disponibilidade e qualidade do equipamento, suporte emergencial para atendimento às complicações. 

Um dos fatores mais importantes é o diâmetro do cálculo. Os cálculos menores que 4 mm têm 90% de probabilidade de serem eliminado espontaneamente. Já para os  cálculos entre 4 e 6 mm, a possibilidade é de 50%. O tratamento, para ambos os casos, é feito através do tratamento clínico e da LECO. No caso dos cálculos entre 6 e 25 mm, é praticamente improvável a eliminação espontânea (10% de chance) e, por isso, o tratamento é feito com a utilização da LECO, URS ou NP. Para os cálculos maiores que 25 mm, os tratamentos são a NP ou a Cirurgia Aberta.

Como a maioria dos cálculos renais tem diâmetro entre 3 e 20 mm, o tratamento clínico e a Litotripsia Extracorpórea são, definitivamente, os métodos mais aplicados. Nos raros casos, com diâmetro superior a 25 mm, a Litotripsia não é recomendável devido ao elevado número de sessões e o risco de obstrução ureteral pela massa volumosa de fragmentos. Nesses casos são indicados os tratamentos através da Nefrolitotripsia Percutânea, que aspira os fragmentos, ou pela cirurgia aberta, que os remove intactos.

Na Litotripsia Extracorpórea o cálculo é visualizado, com auxílio de Radioscopia, Ultra-som ou ambos. Através da pele, são emitidas ondas de choque que ocasionam a fragmentação da pedra para sua posterior eliminação na urina. A eficiência do método está diretamente relacionada à boa qualidade do equipamento.

É um procedimento essencialmente ambulatorial, que pode ser realizado sem qualquer sedação, eventualmente com analgesia e excepcionalmente sob anestesia. Tem poucas contra-indicações absolutas como gestação, coagulopatia incorrigível e infecção não controlada. As restrições incluem obesidade mórbida, hipertensão arterial severa e cálculos localizados em áreas de difícil eliminação – cálices renais inferiores ou com infundíbulo estreito. As complicações graves – hematomas subcapsulares expansivos – são muito raras (0,1 – 0,5%), mas é bastante freqüente a ocorrência de cólica ureteral pós-procedimento.    

É dentro desses critérios que tem funcionado o Centro de Urologia do Hospital Português, em atividade há sete anos, com mais de 10 mil Litotripsias realizadas. Os bons resultados obtidos se devem, sobretudo, à qualidade superior do equipamento – Lithostar Siemens – que utiliza Radioscopia e Ultra-som para visualização do cálculo. A necessidade de analgesia se situa na faixa de 30% dos pacientes e raramente é usada sedação anestésica. O índice de complicações é semelhante ao descrito em outros Serviços, predominando os casos simples de dor e obstrução por fragmento. A disponibilidade de Serviço de Emergência, funcionando 24 horas, para atendimento imediatamente a essas situações, confere segurança e tranqüilidade aos pacientes que se submetem ao procedimento e aos médicos que realizam a Litotripsia Extracorpórea.
* Drs. Normando Monte, Maurício Monte e  José Melo são médicos do Centro de Urologia do Hospital Português