24 de janeiro de 2006
Farmacovigilância
24 January 2006
Através da comissão, instalada em novembro de 2004, tem sido possível aperfeiçoar continuamente a assistência terapêutica aos pacientes internados e ajudar a reduzir os custos do tratamento hospitalar. Entre suas atribuições, a Comissão tem implementado o Programa de Farmacovigilância. O Jornal Imagem Real convidou a Médica Infectologista Ledívia Espinheira e a Farmacêutica Maria Lucivânia Lima para esclarecerem o assunto.
Em síntese, como podemos definir Farmacovigilância?
Trata-se de um Programa que tem como objetivo detectar interações e reações adversas a medicamentos, identificando seus riscos e tomando medidas reguladoras, além de informar aos profissionais de saúde e ao público em geral sobre os fatos identificados. A Farmacovigilância é, assim, um sistema através do qual são identificadas e respondidas questões relativas à segurança dos medicamentos comercializados.
Como está sendo feita a Farmacovigilância no Hospital Português?
A Subcomissão de Farmacovigilância foi instituída pela Comissão de Farmácia e Terapêutica com a preocupação em detectarmos, avaliarmos e prevenirmos as reações adversas causadas pelo uso dos medicamentos.
Iniciamos o Programa de Farmacovigilância em duas unidades piloto, nas quais já tivemos resultados positivos e um volume considerável de notificações. Após conclusão e avaliação estenderemos o Programa para todas as unidades do Hospital. Os treinamentos estão sendo realizados in loco e a previsão de conclusão desta etapa é para o final de fevereiro, quando teremos o Programa implantado em todas as unidades do Hospital.
Qual a importância da Farmacovigilância?
A diversidade de drogas existente e a rapidez com que novos medicamentos são introduzidos no mercado dificultam o acesso a informações seguras sobre os produtos. Por esse motivo, um hospital que atende a centenas de pacientes, a cada mês, inclusive a casos de alta complexidade, tem cada vez mais que fazer a sua parte e monitorar continuamente as reações adversas dos medicamentos utilizados.
Em termos gerais, podemos apontar como os principais benefícios o fato de se evitar a exposição dos pacientes a riscos desnecessários; diminuir o tempo de hospitalização; diminuir os custos de tratamento; melhorar a atenção sanitária e dar maior confiança aos médicos, pacientes e planos de saúde sobre a efetividade dos tratamentos realizados.
Com a estruturação do Programa de Farmacovigilância, o Hospital Português reafirma o seu compromisso com a qualidade do atendimento e ganha inclusive a possibilidade de se tornar hospital-sentinela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), funcionando como fonte de informação e monitorando os medicamentos utilizados pela população.
Como podemos definir uma reação adversa?
Trata-se de qualquer reação nociva e não desejada que se apresente após a administração de um fármaco, nas doses normalmente utilizadas na espécie humana para profilaxia, diagnóstico e tratamento de doenças, ou para modificação de uma função fisiológica.
Como pode ser notificada uma reação adversa?
Nos setores do Hospital Português serão disponibilizadas fichas de notificação. O profissional de saúde que detectar qualquer queixa ou sinal de reação adversa a um medicamento deverá preencher esta ficha, que será identificada com o nome do paciente, o medicamento suspeito, a reação adversa e a gravidade (leve, moderado, grave). Depois disso a ficha será recolhida por um dos membros da Comissão para ser validada (relacionar a reação adversa com o fármaco suspeito ou outros prescritos). Caso a reação seja confirmada, encaminharemos a notificação para a ANVISA e para o laboratório farmacêutico a fim de que se tenha a reação conhecida.
Casos recentes têm trazido ao conhecimento da população a possibilidade de alguns antiinflamatórios causarem riscos de acidentes cardiovasculares.
Qual o papel da Farmacovigilância nestes casos?
A pesquisa realizada pela Wellpoint Inc, seguradora de saúde privada dos Estados Unidos, causou grande polêmica, tendo em vista o grande número de usuários destes medicamentos. Independente dos resultados alcançados e dos questionamentos posteriores, este fato coloca em evidência a importância da vigilância constante da qualidade e segurança dos medicamentos colocados no mercado e utilizados pela população. Em hospitais, onde há um grande consumo de medicamentos, a possibilidade de se verificar tais reações adversas é maior e a presença de profissionais experientes possibilita maiores chances de se detectar precocemente tais casos.