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Saúde cardíaca — Hospital Português da Bahia

15 de setembro de 2015

Saúde cardíaca

15 September 2015

As escolhas que você faz hoje serão determinantes para a saúde do seu coração nos próximos anos. Isto quer dizer que se o seu estilo de vida inclui prática de atividade física regular, alimentação equilibrada, tempo para o lazer, afastamento de situações de estresse, tabagismo e outros comportamentos de risco, você possui menores chances de desenvolver doenças cardiovasculares, como derrame cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio, mal súbito e doença vascular periférica. Estas patologias, segundo o Ministério da Saúde, são as principais causas de morte dos brasileiros e geram aproximadamente 300 mil óbitos por ano no país. Na avaliação do cardiologista líder do Serviço de Hemodinâmica do Hospital Português, Dr. Antônio Morais de Azevedo Júnior, a prevenção é a melhor alternativa. “Sabemos que a população está envelhecendo e que teremos mais pacientes para tratar, mas buscando o equilíbrio da doença crônica é possível que ela não se manifeste da forma mais grave”, observa. Nas situações em que a prevenção falha – ou mesmo quando não é possível, diante de fatores de risco não evitáveis, como a hereditariedade – o especialista observa que a cardiologia tem oferecido importantes avanços diagnósticos e cirúrgicos para tentar reverter a condição.

Fatores de risco e mudança de comportamento

Dentre os fatores controláveis das doenças cardiovasculares (diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, etc.), a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o que se destaca. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o problema atinge 30% da população adulta, tendo relação com aproximadamente 60% dos casos de infarto e 80% dos casos de derrame cerebral. Também representa um importante fator de risco para a doença arterial coronária, condição mais crítica de todas as doenças cardíacas, que pode se manifestar de forma mais grave através do infarto agudo do miocárdio, requerendo intervenção médica imediata para evitar o risco de morte e danos ao coração. Patologias como a insuficiência cardíaca também estão associadas à HAS. Diante desse cenário, o cardiologista enfatiza a importância de controle da HAS com uso de medicamentos associado à alimentação equilibrada, exercícios regulares, controle do peso, redução do consumo de sal e de bebidas alcoólicas, entre outras atitudes saudáveis. “Os fatores de risco para essas doenças são de conhecimento da população. Hoje, as pessoas já possuem maior esclarecimento do que coloca o coração em risco. É preciso praticar”, adverte.

Prevenção com exames de rotina

Alguns fatores de risco para as doenças cardiovasculares, contudo, não podem ser modificados por mudança comportamental. É o que ocorre com o envelhecimento – situação que eleva a incidência de doença aterosclerótica, importante predisponente para a doença coronariana –, a história familiar e as características relacionadas aos gêneros. No caso da população feminina, por exemplo, estudos demonstravam uma maior proteção contra problemas cardíacos até a entrada na menopausa. Com o ingresso das mulheres no mercado de trabalho e a maior exposição ao estresse e demais condições de risco, a incidência das cardiopatias entre elas passou a surgir mais cedo, se equiparando ao público masculino. Nessas situações, a medicina diagnóstica disponibiliza exames com alta resolução de imagem, que revelam a estrutura e o funcionamento do coração, como raio-x de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma. “Prevenir é o ideal. A partir dos 40 anos de idade é indicado realizar check-up para rastrear a possibilidade de infarto. O teste de esforço e o eletrocardiograma são exames simples, que revelam se há predisposição para a doença cardíaca”, observa.

Avanços no tratamento das cardiopatias

A incorporação de novas tecnologias à medicina, a velocidade de acesso à informação pelos profissionais da cardiologia e a maior compreensão das patologias do músculo cardíaco e suas interações com o corpo humano, são aspectos que contribuíram para aprimorar as formas de diagnóstico precoce das cardiopatias e o tratamento destas, na avaliação de Dr. Azevedo. “Hoje, com a quebra de fronteiras, a troca de conhecimentos e experiências entre profissionais e instituições de pesquisa de diferentes partes do mundo é contínua e instantânea. Isso tem impulsionado a evolução da cardiologia no que se refere à prevenção, diagnóstico e novas técnicas cirúrgicas”.

Assim, diante da suspeita de doença cardíaca devido à presença de sintomas, é possível lançar mão de modernos equipamentos que oferecem riqueza de informações sobre a condição do coração, tais como a Cintilografia Miocárdica (que revela isquemia do músculo cardíaco, que é o comprometimento da irrigação sanguínea nessa região, empregando substância radioativa no paciente), a Angiotomografia de Coronárias (tipo de cateterismo não invasivo, que permite avaliar as paredes arteriais e a presença de malformações) e o Cateterismo Cardíaco, exame que é considerado padrão ouro no diagnóstico da doença arterial coronária. “O cateterismo é essencial nesse diagnóstico por auxiliar na definição do tratamento mais adequado: se haverá emprego de medicações que evitam a progressão da doença, associadas ou não à cirurgia, assim como, à angioplastia – intervenção destinada a reparar um vaso estreitado (estenosado)”.

Além disso, o aprimoramento das técnicas e artefatos cirúrgicos utilizados na cardiologia tem conferido maior segurança ao paciente e qualidade no resultado, proporcionando recuperação mais rápida no pós-operatório. Um dos acessórios cirúrgicos que mais progrediram nos últimos anos é o stent (tubo flexível, de malha trançada, que é implantado na artéria e se molda a ela, fortalecendo a sua parede), conforme explica Dr. Azevedo. “Já existem stents eluidores de medicamentos que evitam novo estreitamento da artéria (a chamada reestenose) e a necessidade de cirurgia cardíaca. Outros tipos são bioabsorvíveis e após liberarem a medicação, desaparecem da artéria coronária, não ficando nenhum resíduo do implante, diferentemente dos stents convencionais metálicos”. O cardiologista informa ainda que a técnica se aplica para casos em que é possível fazer a angioplastia.

Tamanho desenvolvimento da medicina cardiovascular tem ofertado uma gama de soluções possíveis para as doenças do coração já conhecidas, quando diagnosticadas precocemente. É o caso do tratamento para doença coronária (que compromete o fluxo de sangue no coração) e para as cardiopatias valvares, que se utiliza do implante de válvulas aórticas por cateter. Agora, essa técnica está sendo aprimorada para o tratamento intervencionista da válvula mitral. No que tange as arritmias, geralmente decorrentes de afecções no músculo cardíaco, o implante de cardiodesfibriladores tem ajudado a evitar mortes, controlando o ritmo cardíaco com uso de marcapasso. “Todos esses procedimentos são realizados no Hospital Português, Instituição com tradição na incorporação de novas tecnologias e métodos inovadores, tanto no campo diagnóstico quanto terapêutico. A experiência e qualificação do corpo clínico em todos os setores da medicina cardiovascular é outro diferencial”, destaca.