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H1N1: Vida salva com alta tecnologia e cuidado humanizado — Hospital Português da Bahia

11 de julho de 2016

H1N1: Vida salva com alta tecnologia e cuidado humanizado

11 July 2016

HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Emoção, afeto, satisfação, acolhimento, gratidão. Muitas palavras poderiam descrever o reencontro da empresária Kátia, de 41 anos, com os profissionais que cuidaram da sua reabilitação nos 55 dias em que esteve internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Português. Grávida de cinco meses e com um quadro de infecção respiratória de extrema gravidade, causado pelo vírus H1N1, Kátia permaneceu em coma induzido por mais de 30 dias  para poder realizar dois procedimentos simultâneos: a diálise renal e a oxigenação pulmonar artificial com uso de uma técnica avançada, a Oxigenação por Membrana Extracorpórea – ECMO. Mesmo não podendo evitar a interrupção da gravidez, a alta tecnologia empregada e o empenho das equipes envolvidas permitiram o restabelecimento pleno da saúde da paciente. “Sempre imaginei uma UTI como um ambiente frio, mas aqui encontrei calor humano, pessoas que cuidam de pessoas com muito carinho, equipes com alta capacidade técnica, assistência individualizada, segurança. Ter esse acolhimento e minha família ao meu lado contribuiu para um resultado muito melhor. Sou muito grata a todos que cuidaram de mim”.

Caso clínico

Casada e mãe de três filhos, Kátia deixou sua cidade natal, Guanambi, no sudoeste baiano, transportada por uma UTI aérea para dar entrada no HP já com sintomas de agravamento da insuficiência respiratória. Dr. Alessandro Farias, médico assistente no acompanhamento do caso clínico, lembra que a paciente ingressou na Instituição com insuficiência respiratória aguda grave, tendo necessidade de múltiplas abordagens invasivas (diagnósticas e terapêuticas) visando assegurar a sua sobrevivência. Além disso, o fato de estar gestante tornou o quadro extremamente complexo. 

H1N1 

Segundo a paciente, o contágio pelo vírus H1N1 teria ocorrido durante uma viagem a São Paulo. “Começou com uma indisposição e dor nas costas. Pensei que fosse pela gravidez, então busquei atendimento médico e fiz a primeira radiografia que não mostrou nada. Mas, os sintomas evoluíram muito rápido e dois dias depois fui internada com sintomas de infecção respiratória. Hoje, faço um alerta às gestantes para que se vacinem e busquem atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma”. Dr. Michel Pordeus Ribeiro, médico intensivista que também atuou no caso, informa que hoje em dia as infecções graves por bactérias ou vírus podem evoluir muito rapidamente em populações de risco, como grávidas, crianças, recém-nascidos, idosos e pessoas com baixa na imunidade. “Nessas pessoas a infecção pelo vírus H1N1 ou por outros tipos de vírus e bactérias pode apresentar evolução muito rápida. Por isso, a vacinação é a forma eficaz de evitar casos de maior gravidade”.


ECMO: Alta tecnologia assistencial

A estratégia adotada pela equipe assistencial do HP diante do caso grave foi a Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO); método empregado em situações extremas de falência dos pulmões, em que um aparelho cumpre o papel de transporte de oxigênio no sangue, possibilitando o funcionamento do organismo como um todo. “Tomamos essa decisão porque não haveria alternativa terapêutica para a paciente além da ECMO. Com o uso do aparelho, observamos uma melhora respiratória que permitiu o retorno da oxigenação ao organismo”, observa Dr. Michel.

A ECMO foi empregada ininterruptamente por cerca de duas semanas até que a paciente apresentasse melhora progressiva no quadro clínico. Segundo Dra. Raquel Hermes, médica intensivista da UTI Geral do HP, o método é mais usado em cirurgias cardíacas, por uma ou duas horas. “O uso prolongado no caso de Kátia exigiu grande preparo e entrosamento das equipes assistenciais para que o melhor resultado fosse alcançado”. A especialista também destaca a colaboração da paciente com a terapêutica multidisciplinar instituída, desde o momento em que a sedação foi cessada e ela tomou consciência da sua condição clínica. “A família também teve papel muito importante no apoio a paciente e na colaboração com a equipe assistencial”.

Acolhimento e cuidado intensivos

Durante a internação muitas questões precisaram ser administradas conjuntamente entre a família e o Hospital. A perda do bebê, o momento de instalação e retirada da ECMO, a angústia da família, a forma adequada de inserir três filhos (de 21, 15 e 9 anos de idade) no ambiente da UTI e no próprio contexto de adoecimento materno, a avaliação dos riscos e benefícios de uma visita estendida para a paciente e sua família. “A rotina hospitalar envolve demandas relacionadas às particularidades de internação de cada paciente. O acolhimento individualizado visa justamente encontrar a melhor solução em cada situação”, diz a médica assistente da Gerência Técnica do HP, Dra. Maíra Dantas.

No caso de Kátia, as reuniões interdisciplinares diárias com as equipes médicas, de enfermagem e psicologia foram essenciais para discussão do plano assistencial. “Esses encontros favoreceram as intervenções frente às demandas subjetivas do caso, tendo em vista fatores psicoemocionais da paciente e sua família, que buscou instrumentalização e suporte psicológico para participar do processo de cuidado”, informa a psicóloga líder Fernanda Neder. Para o marido de Kátia, o bancário Alex de Oliveira, a humanização e individualização do acolhimento contribuíram para que a família compreendesse o seu papel relevante de apoio à paciente. “Vivenciamos momentos muito críticos ao longo da internação da minha esposa, mas o Hospital sempre nos acolheu de forma singular, humana, afetuosa, nos dando mais forças para acreditar que iria dar certo”.

Ele lembra que após recobrar a consciência, Kátia passou a sentir medo de permanecer à noite na UTI, solicitando a presença da família a seu lado. “A visita estendida foi muito significativa para ela, do ponto de vista psicoemocional. Por tudo isto, para nós, o Hospital Português representa excelência no atendimento com humanização. O maior diferencial do Hospital são os profissionais que vão além do conhecimento técnico e colocam calor humano em tudo o que fazem. Hoje, a nossa vitória representa a vitória das equipes do Hospital”.

Vitória conjunta

Diversos fatores foram decisivos para a recuperação de Kátia: trabalho em equipe, infraestrutura hospitalar de ponta, apoio familiar, superação pessoal. Cada profissional mobilizado na sua cura se sente parte desse resultado. “Ver um paciente em estado gravíssimo se reabilitar é maravilhoso, muito gratificante. Quando o marido nos enviou uma foto dela andando na praia nos emocionou muito”, revela Dra. Raquel Hermes.

“Para a equipe multidisciplinar é gratificante ver uma paciente extremamente grave se recuperar e poder retornar para a sociedade em condições de voltar a trabalhar e ser feliz com a sua família. A satisfação de fazer o bem às pessoas é o que se tem de mais valioso na medicina. Kátia é um exemplo maravilhoso disso”, avalia Dr. Alessandro Farias.

Dra. Maíra Dantas ressalta o acolhimento humanizado das equipes do Hospital, aliado à alta tecnologia no cuidado intensivo, como fatores fundamentais para a melhora progressiva e recuperação da paciente. “Muitas áreas foram mobilizadas e se empenharam nesse resultado, profissionais da medicina, incluindo obstetras e cirurgiões do tórax, enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, fonoaudiologia, serviço social e equipes administrativas, que atuaram na parte assistencial e burocrática da hospitalização”.

Revista Imagem Real – Julho 2016

http://www.hportugues.com.br/imprensa/revista-imagem-real