19 de novembro de 2020
Serviço especializado do HP realiza técnica pioneira na Bahia para correção das arritmias, com menor custo e maior benefício para os pacientes contemplados
O coração de uma pessoa saudável em repouso pulsa de 50 a 100 vezes por minuto, em média. A alteração dessa frequência de modo permanente é um indício de arritmia – doença que afeta milhões brasileiros e pode atingir mais de 320 mil mortes súbitas a cada ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Arritmias (SOBRAC). Tratar a doença resgata o ritmo certo dos batimentos cardíacos e a possibilidade de usufruir de uma vida normal. Hoje, um dos meios mais avançados de atingir esse resultado é a estimulação cardíaca fisiológica com o implante de marca-passo diretamente no sistema de condução elétrico próprio do paciente, ou seja, no His ou do ramo esquerdo do coração. O procedimento, ainda incipiente no Brasil, chega à Bahia pelas mãos do time de cardiologistas da Arritmia do Hospital Português (HP) como uma alternativa terapêutica otimizada, mais barata e acessível para um número maior de pessoas com indicação de implante de marca-passo.
Terapêutica otimizada
Na técnica atual de reabilitação da frequência cardíaca, o dispositivo (marca-passo Hissiano) deixa de ser introduzido na parede do ventrículo direito, sendo implantado no sistema de condução natural do coração: o Feixe de His. Esta conduta permite que a pulsação cardíaca fique praticamente igual ao ritmo normal. Agora, além desse método, a equipe de especialistas do HP realiza uma estimulação mais aprimorada no Feixe de His. “O procedimento consiste em melhorar a contração do músculo cardíaco com a introdução de eletrodo apenas no ramo esquerdo, o que permite manter a sequência natural de estimulação cardíaca, maximizando a ressincronização dos batimentos de forma mais fisiológica”, informa o cardiologista líder da equipe de Arritmia do HP, Dr. Luiz Magalhães.
Aplicação
O método aprimorado está indicado para os casos de correção de arritmias severas, associadas à redução da frequência dos batimentos do coração (bradicardia), contribuindo ainda para a prevenção da insuficiência cardíaca nos pacientes com risco iminente. “Com o desdobramento do tratamento otimizado podemos resolver insucessos em diversos cenários de arritmias e ainda prevenir a insuficiência cardíaca. É mais uma experiência inovadora na cardiologia baiana”, observa o especialista em estimulação cardíaca artificial e integrante da equipe pioneira na técnica, Dr. Alexsandro Alves Fagundes.
Vantagens
A terapia otimizada de estimulação fisiológica traz muitas vantagens para os pacientes, quando comparada ao método convencional de estimulação artificial – que é mais caro e necessita de três eletrodos para ressincronizar a pulsação do coração. Além da normalização da frequência cardíaca, os especialistas destacam outros diferenciais da técnica, como custo mais acessível, em comparação ao método convencional, e a ampliação do número de portadores de cardiopatias que poderão ser contemplados com a perspectiva de reabilitação mais rápida. “Os exames morfológicos de eletrocardiograma evidenciam benefícios, sobretudo, para pacientes que caminham para o desenvolvimento do quadro de insuficiência cardíaca avançada”, destaca Dr. Luiz Magalhães.
O papel do marca-passo
Pacientes que com o decorrer do tempo apresentam crescimento do coração precisam usar marca-passo, em algum momento da vida. O implante do dispositivo Hissiano e do ramo esquerdo do órgão é uma das possibilidades de normalizar os batimentos cardíacos, correspondendo à evolução da forma de tratar as arritmias, dentre diversas afecções cardíacas. O dispositivo funciona por meio de um sensor, que emite impulsos elétricos estimulando o coração a bater no compasso regular. Somente um cardiologista pode estabelecer o método terapêutico específico mais adequado para cada paciente com base na avaliação personalizada.
Expertise do time assistencial
Ao todo, o time de Arritmia do HP já realizou cerca de 20 procedimentos de estimulação cardíaca fisiológica com a técnica diferenciada. Dr. Luiz Magalhães observa que mesmo sendo uma técnica inicial, há respostas promissoras e perspectiva de ganhos sociais importantes com a realização progressiva de intervenções desse tipo, a exemplo da formação de equipes multidisciplinares mais qualificadas e treinadas para o alcance de desfechos clínicos melhores. “À medida que a população envelhece e desenvolve patologias associadas, muitas delas inclusive comprometendo o desempenho do coração, se faz essencial ofertar tratamentos mais eficazes e condizentes com a demanda social”, finaliza o cardiologista.